Quinta-feira, 28 de Junho de 2012

Sagremor: Estrelas

Sagremor - Armas de Fantasia

 

(poderá ler 1º um artigo mais simples aqui ou usar a terminologia / pesquisa)

Tratando-se das armas fantasiosas de um personagem que também não pertence ao domínio das pessoas tangíveis, as considerações históricas não são tão determinantes como em circunstâncias autênticas; isso não quererá dizer que deixem de se ater à realidade. Existem distintas versões que descrevem Sagremor, apenas retemos a mais consensual e que parece corresponder às armas em estudo, decerto devem tê-las inspirado. Sagremor, dito “O Desvairado”[1], da Hungria ou de Constantinopla era um dos Cavaleiros da Távola Redonda, filho do rei da Hungria e da Valáquia, que tinha vindo à corte do Rei Artur para juntar-se à mãe, Indranes, filha de Adriano, imperador de Constantinopla, entretanto viúva, agora casada com o rei Brangore[2]. Esta escassa biografia é suficiente para que desenvolvamos a nossa análise, tanto mais que no método parofónico devemos, acima de tudo, determinar bem a situação geográfica na génese do brasão. Além disso, Sagremor foi usado por nós como paradigma para o estabelecimento de um limiar comparativo com o objectivo de medir o índice de discrição[3]. Assim este estudo tem o atractivo suplementar de não poder ter sido escolhido em função de uma qualquer conveniência facilitadora da nossa tarefa.

O latim deverá ser a língua mais adequada para activar o processo de verbalização que se nos apresenta. Desconfiamos da capacidade de expressão em húngaro do criador das armas e verificamos mais uma vez a longínqua situação geográfica do tema armorial em relação a este, possivelmente na esfera anglo-normanda ou francesa. A metonímia do referente neste segundo nível semântico recorre ao gentílico dos nascidos na capital húngara ao tempo do Rei Artur, Aquincum, junto à actual cidade de Buda, embora a continuidade de ambas talvez não se verifique. Contudo, o enredo das lendas arturianas é tipicamente contemporânea aos seus autores medievais, daí que Aquincum deva referir Buda, como versão para o latim, e não a própria Aquincum. Penso que Aquincenses não descreva os súbditos húngaros daquela cidade mas, particularmente, a origem familiar de Sagremor. Seria possível usar o singular, Aquincensis, para centrar melhor o foco semântico na pessoa em epígrafe.

O cálculo do índice de discrição não apresenta quaisquer novidades pelo que, desta vez, não justificaremos em pormenor a sua obtenção. As análises anteriores serão suficientes para compreender os procedimentos usados. Apenas observamos que o valor final, k = 0,31, é perfeitamente credível, levando-nos a acolher a hipótese parofónica. Obtida a parofonia Aquincenses ~ Ac quini sentes, passaremos a analisar cada um dos seus termos.

A conjunção aditiva ac (lat. e) não é apenas um artifício parofónico. Na verdade faz depender o conjunto ac quini sentes de outros componentes parofónicos que eventualmente viessem a aparecer. Neste aspecto é uma redundância porque os traços heráldicos dependem, na verdade, do seu próprio processo de sematização. Diga-se que não sabemos qual a ordem original pela qual constituíram-se os traços heráldicos; é admissível que, de um modo geral, fosse um processo repetitivo, ajustando-se a pouco e pouco uma solução satisfatória. O termo quini (lat. cinco cada um) denota não apenas a quantidade cinco mas também que ela diz respeito a mais do que uma figuração. Por inerência sugere que se disponham estes cinco sub-elementos num arranjo, interpretado como um polígono estrelado. Estabelecidos o numeral e a conjunção, seria útil mais concisão no terceiro termo, permitindo determinar algo de substantivo para o desenho do brasão. Isso fez-nos preferir sentes (lat. silvas, espinhos) a sentis (lat. sentes, percebes) ou ao declinado sentus/sentis (lat. espinhoso) ou mesmo ao parofónico censes (lat. contas, avalias).

A etapa de sematização realiza-se por monossemia simples, se bem que não seja perceptível de imediato. Só através da metonímia cinco espinhoscinco pontas estrela fica estabelecida uma ligação clara entre o designante e o traço heráldico. A escolha de um tema geométrico ou astronómico em lugar de, por exemplo, um traço vegetalista, uma espora ou um estrepe, poderia nos fazer suspeitar da existência de uma simplificação extremada, habitual na heráldica mais antiga. Não pondo inteiramente de parte este contágio, é de assinalar que o terceiro nível semântico, a estudar no próximo artigo, exige a temática sideral.

Apesar da simplicidade é preciso consignar o efeito dos agentes de complementação, intrínsecos à construção dos traços. Logicamente, há uma simetria radial dos raios estelares e as figuras estão orientadas segundo uma estabilização horizontal, na única posição possível para o “apoio” simultâneo em duas pontas. Mais ainda, cada localização depende fundamentalmente da posição da estrela negra. Esta surge no centro do cantão e a partir daí fica condicionada a posição da segunda estrela, no alinhamento da primeira e a uma igual distância da borda. A terceira deverá colocar-se no eixo vertical, obedecendo também à homogeneidade dos distanciamentos. A disposição em contra-roquete acompanha a forma geral do escudo e por esta mesma razão é sempre a favorita para o arranjo de três figurações, não sendo necessário enunciá-la no brasonamento. Resta manter as proporcionalidades dimensionais pelo preenchimento harmónico do campo e impor a absoluta igualdade das figurações.

Esta versão das armas de Sagremor obedece integralmente à lei dos esmaltes[4]. Será mesmo esta normativa que ajudará a compreender mais tarde a razão da sua escolha. Por agora limitar-nos-emos a reter a ligação do metal dourado das estrelas ao fenómeno luminoso, conexão bem frequente nas análises efectuadas no passado. Também é possível que estas figurações fossem tomadas por planetas, dados a sua dimensão aparente e brilho que tende ao amarelado. Um brasonamento descreve: “de gueules à 2 planètes d'or, au franc-canton d'argent à une planète de sable[2].

Seria viável usar outros esmaltes como o prateado ou o azul mas a conjugação de todas as cores necessárias ao desenho não o aconselhará. Por outro lado, a presença de uma estrela negra, inexplicável pela imanência luminosa, entende-se perfeitamente ao avançarmos que representa o seu oposto, a escuridão. Este obscurecimento é semanticamente transitório e por isso o segundo nível deverá ser representado por todas as três estrelas em dourado. Por último, referimos que a partir daqui representaremos os traços de outros planos semânticos pela cor amarelo-banana[5], de modo a realçar apenas os elementos pertinentes à discussão.

[1] Tradução livre de desreez › dérangé.

[2] MERLET, Lucien - Coutumes des Chevaliers de la Table Ronde - Mémoires de la Société Archéologique d'Eure-et-Loir - Tomo VI - Chartres - Petrot-Garnier Libraire - 1876.

[3] Por Michel Pastoureau ter sugerido umas armas falantes Sagremor ~ sycomore, a nosso ver no limite da razoabilidade, daí tornar-se num limiar adequado para a aceitação das demais parofonias: “Pour doter Sagremor d’armoiries la solution la plus simple aurait été de lui donner une figure parlante, en occurence un sycomore”, nas Referências Bibliográficas (PASTOUREAU, 1986, p. 25).

[4] Ver, contudo, a versão, quase certamente adulterada, que se menciona em: SCOTT-GILES, Charles W. - Some Arthurian Coats of Arms - Coats of Arms - nº 64-65, 1965/1966 - Baldock: Acedido a 27 de Junho de 2012, disponível em: <http:// www.theheraldrysociety.com>, 2012. 

[5] Cor que dificilmente aparecerá nos brasões, evitando-se ambiguidades, e de contraste satisfatório com os esmaltes heráldicos.

 



Sagremor - Armas de Fantasia (II)

Classificação Descrição
Armas de Fantasia R Sagremor
Demónimo M Budenses
Língua de Fantasia V Aquincenses (latim)
Denominante A Aquincenses
Grafemização A  A  |  Q  |  U  |  I  |  N  |  C  |  E  |  N  |  S  |  E  |  S 
Fonemização denominante A a  |  k  |  w  |  i  |  N  |  s  |  e |  N  |  s  |  e  |  s
Emparelhamento A a  |  k  |  w  |  i  |  N  |  _  |  s  |  e |  N  |  s  |  e  |  s
A a  |  k |  w  |  i  |  N  |  i  |  s  |  e  |  N  |  t  |  e  |  s
Coeficiente de transposição A 0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0
Coeficiente de carácter A 0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0
Coeficiente de posição A 0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0
Parcelas A 0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0
Índice de discrição A k = 0,31
Fonemização designante A a | k |  | k | w | i | N | i |  | s | e | N | t | e | s
Grafemização A A | C |  | Q | U | I | N | I |  | S | E | N | T | E | S
Designante A ac | quini | sentes
Qtd+ Geomª + Geomª E e cinco + espinhos + cada um(a)
Redundância S existem outros níveis semânticos
S e
Monossemia simples S estrelas
S cinco espinhos cada uma
Esmalte H De vermelho
Número H um
Separação H cantão
Esmalte H de prata
Conectivo H e
Número H cada, 3 três
Metonímia simples S 5 espinhos > 5 pontas > estrela
Figuração H 5 pontas estrelas de cinco pontas
Imanência C estrela
Simetria C radial
Orientação C estabilidade
Localização C estrela negra
Disposição H 2, 1 (em contra-roquete)
Imanência C constelação
Preenchimento C área do escudo
Simetria C eixo do escudo
Centralidade C abismo
Número H 3 - 1 = 2 duas
Esmalte H luz de ouro
Imanência C estrela
Contraste C vermelho
Conectivo H e
Número H uma
Esmalte H de negro
Localização H no cantão

(próximo artigo nesta série II/III)



Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 13:17
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Terça-feira, 26 de Junho de 2012

(V-Z) Terminologia

 

Esta nomenclatura é provisória por natureza e será acrescentada e aperfeiçoada à medida que o progresso da investigação o exigir. As definições heráldicas procurarão ser coerentes entre si, de modo a evitar algumas incongruências terminológicas ainda existentes na literatura disponível. Devemos lembrar, por outro lado, o objectivo final de estender estas definições à Semiótica Visual como um todo, daí que nem sempre o formato muito particular do campo em forma de escudo, por exemplo, adequar-se-á a uma generalização sintáctica.

Ordenámos as entradas, mas isso não implica seguir a ordem alfabética correspondente aos vários artigos sucessivos, guiando-nos acima de tudo pelo interesse que a definição formal dos termos já publicados possam suscitar. Incluímos após cada termo as tipologias respectivas, entre chaves, de maneira a situar melhor o leitor. Novas interpretações e vocábulos introduzidos durante a investigação aparecem classificados como neologismos; a grande maioria híbridos da Heráldica e da Semiótica. Sempre que possível incluiu-se um exemplo de cada acepção, preferencialmente os existentes no armorial português, na dissertação ou neste blogue. As primeiras acepções não se assinalam (1) nas suas entradas.

Usaremos aqui os sinais da tabela publicada no artigo Siglas, Símbolos e Abreviaturas. Relembramos apenas alguns, que dizem respeito às tipologias de cada entrada: {ASP} (traço heráldico de aspecto), {ASS} (traço heráldico de assentamento), {ATI} (traço heráldico de atitude), {AUX} (disciplina auxiliar), {CON} (traço heráldico conectivo), {DIS} (traço heráldico de disposição), {ENC} (traço heráldico de encobrimento), {ESM} (traço heráldico de esmalte), {FIG} (traço heráldico de figuração), {HER} (Heráldica), {LIN} (Linguística), {LOC} (traço heráldico de localização), {NEO} (neologismo), {NUM} (traço heráldico de número), {ORI} (traço heráldico de orientação), {PAD} (traço heráldico de padrão), {PRO} (traço heráldico de proporcionalidade), {SEM} (Semiótica), {SEP} (traço heráldico de separação).

 

vaca {HER} {FIG} Figuração da fêmea da espécie Bos taurus.
(e.g. armas dos Cabeça de Vaca)

vaguidade {LIN} Compreensão deficiente de um conceito por enunciação ambígua, incompleta ou confusa.

vara {HER} {FIG} Figuração desta fracção botânica.
(e.g. armas dos Bacelar)

vara (2) {HER} {FIG} Figuração deste artefacto.
(e.g. armas dos Varejão)

variante ortográfica {LIN} Uma das várias grafias possíveis para uma palavra.

variável {AUX} Atributo, estado ou valor característico de um fenómeno susceptível de ser avaliado, medido ou atribuído num conjunto de valores possíveis: o domínio ou contradomínio.

variável dependente {AUX} Variável a que são atribuídos valores do contradomínio em função do valor da variável independente.

variável independente {AUX} Variável cujos valores são condicionados pelo estudioso de um fenómeno.

varonia {AUX} Ascendência genealógica masculina.

vaso {HER} {FIG} Figuração deste recipiente.
(e.g. selo de D. Lourenço Vicente, Arcebispo de Braga)

vassalo {AUX} Pessoa dependente de uma autoridade senhorial; súbdito.

vazado {HER} {ASP} Ver "vazio".

vazio {HER} {ASP} Recorte interno de uma figuração geométrica ou cruz a acompanhar o perímetro e deixando à vista o esmalte sobposto.
(e.g. armas dos Rebolo)

veado {HER} {FIG} Figuração deste cervídeo da espécie Cervus elaphus.
(e.g. armas dos Cordes)

vector {SEM} Modo replicativo da formação de um signo pela associação transicional de traços sígnicos.

veirado {HER} {PAD} Padrão de veiros arranjados lado a lado em faixas, estas empilhadas, com cada vértice cimeiro dos veiros inferiores a tocar o encontro dos vértices das bases dos veiros superiores, o todo no interior de uma figuração ou separação.
(e.g. armas dos Soverosa)

veirado (2) {HER} {PAD} Figuração de três veiros recortados por uma lisonja de modo a definir dois hexágonos em simetria especular biaxial e orientados pelas diagonais da lisonja.
(e.g. armas dos Barbuda)

veirado (3) {HER} {PAD} Figuração de cinco veiros recortados por uma lisonja que parte do vértice cimeiro de um veiro completo a repousar sobre a diagonal horizontal da lisonja, passando pelo vértice lateral inferior correspondente dos veiros vizinhos, aplicando-se o mesmo aos interstícios veirais da metade inferior da lisonja em simetria especular.
(e.g. armas dos Pais)

veirado (4) {HER} {PAD} Padrão de veiros arranjados numa única fila.
(e.g. armas dos Vasconcelos)

veiro {HER} {FIG} Figuração geométrica heptagonal irregular de simetria especular e em forma de sino.
(e.g. armas dos Solis)

veiros {NEO} Especificação deste padrão heráldico.
(e.g. armas do Viscondado de Rochechouart)

veiros (de) {HER} {PAD} Ver "veirado".

vela {HER} {FIG} Figuração deste artefacto náutico.
(e.g. armas do Município de Lisboa)

vela (2) {HER} {FIG} Figuração deste artefacto iluminante.
(e.g. armas dos Vela)

velar {LIN} Fonema gerado pela aproximação da língua ao véu palatino.

velho {HER} {FIG} Figuração humana com o aspecto de idade avançada.
(e.g. armas dos Willoughby)

venábulo {HER} {FIG} Figuração deste artefacto bélico.
(e.g. armas dos Baleato)

ventas {HER} {FIG} Figuração desta fracção zoológica.
(e.g. armas dos Sá)

verbalização {NEO} Etapa em que se enunciam o denominante e o designante numa ou, inusitadamente, duas línguas de acordo com a ambientação cultural, política e social.

verde {HER} {ESM} Esmalte desta cor.
(e.g. armas dos Vila Boa)

verde (2) {NEO} Especificação de coloração esverdeada.
(e.g. armas do Ducado da Saxónia)

verga {HER} {FIG} Figuração deste artefacto náutico.
(e.g. selo de D. Diniz Anes, Deão do Cabido da Sé de Lisboa)

vergôntea {HER} {FIG} Figuração desta fracção vegetal.
(e.g. armas dos Tudela)

vergueta {HER} {DIV} Separação composta de borda a borda e espessura que equivale habitualmente de um quarto a metade da pala.
(e.g. armas de Bellefond)

verguetado {HER} {PAD} Padrão de verguetas no interior de uma figuração ou separação.
(e.g. armas dos Canelas)

vermelho {HER} {ESM} Esmalte desta cor.
(e.g. armas dos Meira)

vermelho (2) {NEO} Especificação de coloração avermelhada.
(e.g. armas do Condado de Barcelona)

verso {AUX} Ver "reverso".

vértebra {HER} {FIG} Figuração desta fracção humana.
(e.g. armas dos Costa)

vestido {HER} {CON} Conectivo implícito de uma vestimenta ou sua parte numa figuração antropomórfica ao seu esmalte, que é distinto do corpo.
(e.g. armas dos Figueiredo)

vestido (2) {HER} {ASP} Aspecto de uma figuração antropomórfica trajada de uma vestimenta que se designa.
(e.g. armas dos Martini)

vestido (3) {HER} {FIG} Figuração deste artefacto da indumentária.
(e.g. selo da Beata Teresa, Infanta de Portugal e Rainha de Leão)

vestido (4) {HER} {CON} Conectivo implícito de uma figuração envolvida por uma lisonja firmada de grandes dimensões que separa o escudo em cinco partes ao esmalte desta, que é distinto daquela e do campo.
(e.g. armas dos Supico)

Vexilologia {AUX} Estudo das bandeiras, flâmulas e pendões.

vibrante {LIN} Fonema gerado pela súbita passagem do ar entre a ponta da língua e os alvéolos ou ao redor da úvula..

vide {HER} {FIG} Ver "bacelo".

videira {HER} {FIG} Figuração deste vegetal da espécie Vitis vinifera.
(e.g. selo do Município de Arruda dos Vinhos)

vieira {HER} {FIG} Especificação deste molusco da família Pectinidea.
(e.g. armas dos Vieira)

vila {HER} {FIG} Ver "cidade".

vinte {HER} {NUM} Traço heráldico desta quantidade.
(e.g. armas dos Ortiz)

vinte e dois {HER} {NUM} Traço heráldico desta quantidade.
(e.g. armas dos Severim)

virado {HER} {ORI} Figuração orientada segundo uma direcção que se designa.
(e.g. armas dos Buitrago)

virado (2) {HER} {ATI} Ver "fuga (em)".

virol {HER} {FIG} Rodilha trançada em cores alternadas que se tomam do escudo e posta sobre o elmo ou sob o timbre.

virola {HER} {FIG} Aro metálico maior que envolve a boca da buzina.

virolado {HER} {CON} Conectivo da figuração implícita de uma virola que envolve a boca de uma buzina ao seu esmalte, que é distinto do restante.
(e.g. armas dos Bem)

virolado (2) {HER} {CON} Conectivo da figuração implícita de um aro metálico que envolve um artefacto ao seu esmalte, que é distinto do restante.

viscondado {AUX} Domínio jurisdicional de um visconde.

visigótica {AUX} Escrita medieval precedente à carolina, de corpo miúdo e hastes alongadas.

visigótica de transição {AUX} Escrita medieval intermédia à visigótica e à carolina.

voante {HER} {ATI} Ver "volante".

vocalização {LIN} Metaplasmo de tranformação em que se substitui uma consoante por vogal.
(e.g. armas do Ducado de Lorena)

vogal {LIN} Fonema gerado pela fricção do ar na laringe com passagem relativamente livre pelo aparelho vocal.

vogal de ligação {LIN} Afixo vocálico disposto entre dois morfemas de modo a normalizar ou favorecer a articulação de uma palavra.

vogal temática {LIN} Infixo vocálico que tipifica a flexão verbal.

vogante {HER} {ASP} Aspecto da embarcação que navega sobre as águas.
(e.g. armas dos César)

volante {HER} {ATI} Figuração de um animal, habitualmente uma ave posta de perfil, com as asas alçadas.
(e.g. armas dos Nóbrega)

volante (2) {HER} {ATI} Figuração de um animal, habitualmente uma ave, não estendida mas com as asas abertas.
(e.g. armas dos Presno)

volante (3) {HER} {ATI} Ver "solto".

volta {HER} {ASP} Aspecto de uma figuração que se aplica em torno de outra.
(e.g. armas dos Amador)

voltado {HER} {ORI} Figuração de um crescente com as pontas viradas para o lado sinistro do escudo.
(e.g. armas dos Torel)

voltado (2) {HER} {ATI} Figuração de um animal, habitualmente uma ave, com a cabeça orientada para o lado sinistro do escudo.
(e.g. armas dos Moreno)

voltado (3) {HER} {ORI} Figuração, habitualmente um animal, com o perfil mais distintivo orientado para o lado sinistro do escudo.
(e.g. armas dos Botto)

voltado (4) {HER} {ORI} Figuração de uma bandeira com o pano orientado para o lado sinistro do escudo.
(e.g. armas dos Lucena)

voltado (5) {HER} {ORI} Ver "virado".


volvido {HER} {ORI} Figuração de um crescente com as pontas viradas para o lado dextro do escudo.
(e.g. armas dos Padilha)

volvido (2) {HER} {ORI} Figuração, habitualmente um animal, com o perfil mais distintivo orientado para o lado dextro do escudo.
(e.g. armas dos Mendes, de Rui Mendes)

volvido (3) {HER} {ATI} Figuração de um animal, habitualmente uma ave, com a cabeça orientada para o lado destro do escudo.
(e.g. armas dos Moreno)

volvido (4) {HER} {ORI} Figuração de uma chave com o palhetão orientado para o lado dextro do escudo.
(e.g. armas dos Cogominho)


volvido (5) {HER} {ORI} Ver "virado". 


vôo {HER} {FIG} Figuração de uma ou duas asas abertas segundo várias posições e arranjos.
(e.g. armas dos Pereira)

vulcão {HER} {FIG} Figuração deste acidente orográfico.
(e.g. armas dos Fraga)

xadrezado {HER} {PAD} Padrão de escaques tocando-se pelos vértices a preencher figurações e separações.
(e.g. armas dos Godim)

xara {HER} {FIG} Ver "esteva".

xelim {NEO} Especificação desta unidade monetária.
(e.g. armas de fantasia de Jerusalém)

X-SAMPA {LIN} Alfabeto fonético universal.

zagaia {HER} {FIG} Figuração deste artefacto bélico; lança curta.
(e.g. armas dos Mesquita)

zambujeiro {HER} {FIG} Figuração desta árvore da espécie Olea europaea var. sylvestris.
(e.g. armas dos Azambujal)

zero {NEO} Especificação desta quantidade.
(e.g. armas do Grão-Ducado da Lituânia)

zibelina {NEO} Especificação deste mustelídeo da espécie Martes zibellina.
(e.g. armas do Condado de Werdenberg)

zona de articulação {LIN} Lugar do tracto vocal onde os sons da fala são produzidos.

zoologia {NEO} Classe de especificação a indicar animais ou suas fracções.
(e.g. armas do Reino de Inglaterra)

 

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Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 19:19
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Quarta-feira, 20 de Junho de 2012

(O) Terminologia

Esta nomenclatura é provisória por natureza e será acrescentada e aperfeiçoada à medida que o progresso da investigação o exigir. As definições heráldicas procurarão ser coerentes entre si, de modo a evitar algumas incongruências terminológicas ainda existentes na literatura disponível. Devemos lembrar, por outro lado, o objectivo final de estender estas definições à Semiótica Visual como um todo, daí que nem sempre o formato muito particular do campo em forma de escudo, por exemplo, adequar-se-á a uma generalização sintáctica.

Ordenámos as entradas, mas isso não implica seguir a ordem alfabética correspondente aos vários artigos sucessivos, guiando-nos acima de tudo pelo interesse que a definição formal dos termos já publicados possam suscitar. Incluímos após cada termo as tipologias respectivas, entre chaves, de maneira a situar melhor o leitor. Novas interpretações e vocábulos introduzidos durante a investigação aparecem classificados como neologismos; a grande maioria híbridos da Heráldica e da Semiótica. Sempre que possível incluiu-se um exemplo de cada acepção, preferencialmente os existentes no armorial português, na dissertação ou neste blogue. As primeiras acepções não se assinalam (1) nas suas entradas.

Usaremos aqui os sinais da tabela publicada no artigo Siglas, Símbolos e Abreviaturas. Relembramos apenas alguns, que dizem respeito às tipologias de cada entrada: {ASP} (traço heráldico de aspecto), {ASS} (traço heráldico de assentamento), {ATI} (traço heráldico de atitude), {AUX} (disciplina auxiliar), {CON} (traço heráldico conectivo), {DIS} (traço heráldico de disposição), {ENC} (traço heráldico de encobrimento), {ESM} (traço heráldico de esmalte), {FIG} (traço heráldico de figuração), {HER} (Heráldica), {LIN} (Linguística), {LOC} (traço heráldico de localização), {NEO} (neologismo), {NUM} (traço heráldico de número), {ORI} (traço heráldico de orientação), {PAD} (traço heráldico de padrão), {PRO} (traço heráldico de proporcionalidade), {SEM} (Semiótica), {SEP} (traço heráldico de separação).

 

objecto {SEM} Ver "referente".

obreia {AUX} Material sigilar feito com a massa do pão ázimo.

occitano {LIN} Língua de verbalização latina falada no sul da Europa.
(e.g. armas do condado de Foix)

oclusivo {LIN} Som consonantal produzido pela libertação súbita do ar após uma obstrução breve.

ocultação {NEO} Interacção entre traços heráldicos unidos semanticamente de modo que uns podem ver-se enquanto os outros são relegados para o exterior invisível do campo do escudo.
(e.g. armas do Grão-Ducado da Lituânia)

oficial de armas {AUX} Ofício de arauto, passavante ou rei-de-armas.

oito {HER} {NUM} Traço heráldico desta quantidade.
(e.g. armas dos Alarcão)

oito (2) {NEO} Especificação desta quantidade.
(e.g. armas do Langraviato da Turíngia)

olho {HER} {FIG} Traço heráldico desta fracção humana.
(e.g. armas dos Ávila)

oliveira {HER} {FIG} Traço heráldico desta árvore da espécie Olea europaea.
(e.g. armas dos Oliveira)

ombro {HER} {FIG} Figuração desta fracção humana.
(e.g. armas dos Avilez)

omissão {AUX} Anomalia pelo desaparecimento involuntário de um traço heráldico.
(e.g. armas do Viscondado de Labourd)

onça {AUX} Antiga medida de peso equivalente a 1/8 da marca.

onça (2) {HER} {FIG} Figuração deste felino da espécie Panthera onca.
(e.g. armas dos Casco)

ondado {HER} {ASP} Modificação do perímetro ou área de uma separação por segmentos alternados de arcos abatidos consecutivos e assemelhados à ondulação da água.
(e.g. armas dos Marinho)

ondado (2) {HER} {PAD} Padrão de separações compostas ondadas (1) e contíguas de cores alternadas.
(e.g. armas dos Horta)

ondado (3) {HER} {PAD} Ver "aguado".

ondulante {HER} {ASP} Aspecto de figuração habitualmente uma bandeira, desfraldada ao vento.
(e.g. selo do Cabido da Sé de Coimbra)

Onomasiologia {AUX} Estudo da significação desde um conceito até aos signos que lhe correspondem.

Onomástica {AUX} Estudo dos nomes próprios.

onomatopeia {LIN} Formação de palavra pela imitação de um ruído intimamente associado ao seu significado.

onze {HER} {NUM} Traço heráldico desta quantidade.
(e.g. armas dos Barejola)

onze (2) {NEO} Especificação desta quantidade.
(e.g. armas do Reino de Portugal)

opacidade {LIN} Característica de uma palavra cuja etimologia, fonética ou morfologia não auxiliam à interpretação semântica.

oposição {NEO} Processo de sematização em que se esclarece um significado pela presença do seu oposto.
(e.g. armas de fantasia de Portugal I)

oposição (2) {AUX} Sentidos que se excluem mutuamente.

oposição fonológica {LIN} Diferença entre dois fonemas suficiente para a caracterização semântica das palavras.

oral {LIN} Fonema que não é gerado pela passagem do ar através do nariz.

orante {HER} {ATI} Atitude de uma figuração antropomófica a rezar.
(e.g. selo do Mosteiro do Lorvão)

ordem {HER} {ASS} Ver "tira" (1).

ordenação {HER} Ver "disposição".

orelha {HER} {FIG} Figuração desta fracção zoológica.
(e.g. armas dos Leote)

orientação {NEO} Traço heráldico de complementação com tendência a reger a direcção das figurações e separações por meio de outros traços geométricos do escudo.
(e.g. armas do Reino de Inglaterra)

orla {HER} {FIG} Figuração geométrica que acompanha a borda do escudo com espessura e afastamento constantes e iguais.
(e.g. armas dos Aça)

orla (em) {HER} {POS} Posicionamento de uma única figuração segundo a direcção de uma bordadura.
(e.g. armas dos Munhoz)

orla (em) (2) {HER} {POS} Posicionamento de uma única figuração segundo a direcção de uma orla.
(e.g. armas dos Abarca)

orla (em) (3) {HER} {DIS} Disposição de várias figurações ou elementos de um padrão segundo a localização de uma bordadura.
(e.g. armas dos Leal)

orla (em) (4) {HER} {DIS} Disposição de várias figurações ou elementos de um padrão segundo a localização de uma orla.
(e.g. armas dos Haro)

orla (em) (5) {HER} {DIS} Disposição de várias figurações ou elementos de um padrão segundo a localização de uma bordadura interrompida por uma separação composta do escudo.
(e.g. armas dos Mouzinho)

orla dobrada {HER} {FIG} Orla vazia do campo com as três espessuras iguais.
(e.g. armas do Reino da Escócia)

orleta {HER} {FIG} Cada uma das duas partes da orla dobrada.

oronímia {AUX} Especificação a indicar qualquer acidente do relevo terrestre.
(e.g. armas do Condado de Schauenburg)

ortiga {HER} {FIG} Figuração desta planta da família Urticaceae.
(e.g. armas dos Fajardo)

Ortoépia {LIN} Estudo da pronúncia correcta das palavras.

ostensão {SEM} Classe de formação de um signo por exibição completa, incompleta ou simulada de um objecto.

ouriço {HER} {FIG} Figuração desta fracção vegetal.
(e.g. armas dos Nogueira)

ouro {HER} {ESM} Esmalte metálico desta cor.
(e.g. armas dos Meneses)

ouro (2) {NEO} Especificação deste material metálico.
(e.g. armas de fantasia da Noruega)

outro {HER} {NUM} Equivale a uma única unidade do mesmo traço heráldico antes descrito no brasonamento.
(e.g. armas dos Padilha)

outros tantos {HER} {NUM} A mesma quantidade antes referida no brasonamento.
(e.g. armas dos Preto)

ovalado {AUX} Formato sigilar elíptico.
(e.g. selo de D. João Afonso Aranha, Bispo do Porto)

 

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Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 14:53
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Quarta-feira, 13 de Junho de 2012

Salerno: Sol e Esmalte Prata

Salerno - Armas de Fantasia

 

Está no Armorial Wijnbergen, documento francês de fins do século XIII[1]. Parece consensual que é falante, mas nunca nos pareceu justificar-se com suficiência o porquê. A razão deve estar ligada ao esplendor da representação solar no centro do escudo, devidamente acompanhada pelos dezasseis raios da praxe heráldica[2]. Isso condicionaria a lógica semântica para a interpretação Salerno ~ Solerno, deixando como de hábito, o restante, tanto a sufixação rno como o fundo prateado, por expor. Poderíamos imaginar uma conexão ao domínio regional dos Hohenstaufen e ao mesmo esmalte do campo no seu escudo, mas não nos lembramos de alguém tê-lo suposto. Como é frequente nestes casos, é possível que se tenha apenas dado atenção aos elementos visuais inteligíveis de imediato.

Tentámos um esclarecimento mais completo no decorrer da tese, mas só agora foi possível chegar a resultados razoáveis o suficiente para defender. Na sucinta análise de então tínhamos optado pela parofonia, hoje abandonada, Salerno ~ Sole (ita. Sol) + ernia (ita. hérnia), com várias incongruências. A primeira refere-se à língua verbalizante, pela adopção do italiano Sole. Apesar do Armorial Wijnbergen ser o primeiro documento em que aparecem, não se garante que fosse ele a representação original destas armas de fantasia; em caso afirmativo optaríamos pelo francês ou pelo latim. Ademais não existem armoriais italianos anteriores nem sequer contemporâneos àquele, pelo que seria difícil aceitar o uso de uma das muitas variantes linguísticas medievais peninsulares. Também a integração semântica entre o “sol” e a “hérnia” é deficiente, apesar de justificarem a associação visual. Quanto ao insólito do “sol herniado”, isso não seria de modo nenhum um obstáculo. Na própria tese pudemos testemunhar na classe das armas reconhecidamente falantes um híbrido animal de cabra e galo, umas mãos cortadas pairando sobre um castelo e três espelhos gigantescos cravados em outras tantas montanhas[3]. Deixámo-nos por certo influenciar pelas interpretações convencionais já conhecidas, dando lugar de relevo ao Sol, forçando por isso uma transformação Sale/Sole. A elucidação do restante da parofonia, rno, é irremediavelmente prejudicada pelos mesmos motivos anteriores. Resta observar que igualmente ficou por explicar o esmalte branco ou prata do escudo.

O denominante agora usado, Salernum (lat. Salerno) é o nome da cidade e eventualmente o do respectivo território, que se presume ser o Principado apesar da integração factual ao Reino da Sicília e à menção no armorial a um fantástico, como de esperar, Rei de Salerno. Mais uma vez o latim aparece como língua de verbalização, consequentemente de fantasia, como em Portucalis ~ Porta cales. Não sabemos dizer se foi “escolhida” na qualidade de língua culta ou por uma natural associação ao território latino da Campânia.

No que diz respeito ao designante, Sal eremum, trata-se de uma polissemia composta porque os dois constituintes textuais irão gerar, mesmo se implicitamente, mais do que dois traços heráldicos. As traduções literais e isoladas de cada termo, sal e ermo ou deserto, podem ser integradas em “sal no deserto” e estender-se, com alguma liberalidade, a um “deserto de sal”. Se bem que o factualmente mais próximo, ao que se saiba, estivesse a Norte de África, iremos, mais uma vez, encontrar possíveis inspirações na Bíblia: … terram fructiferam in salsuginem, a malitia inhabitantium in ea // Il à changé le sol le plus fécond en un terrain aussi sec que si l'on y avoit semé du sel, et tout cela pour punir la méchanceté des habitants[4]. Contudo, é ao avançar na análise semiótica que nos convencemos da propriedade do que se concluiu.

Aparentemente, a integração no âmbito parofónico não se regeria por regras oracionais estritas, dificílimas de aplicar pela frequente ausência do verbo e condicionadas pelo método de obtenção das palavras, inteiramente acidental. Auxiliaria à transformação dos vocábulos ao tomar de início cada sentido isolado, só depois comum, de modo a obter-se uma ou mais imagens visuais. As declinações e todas as flexões em geral funcionariam mais como facilitadores da identidade denominante-designante do que como modificadores semânticos intervocabulares. Evidentemente, necessitam-se mais exemplos para adquirir segurança nesse tipo de generalizações.

Passemos ao cálculo do índice de discrição[5]. Após o emparelhamento do denominante com o designante /s//s/, /a//a/, /l//l/, /E//e/, /r//4/, /_//e/, /n//m/, /u//u/, /m//m/, observamos que há maior quantidade de fonemas no último, portanto max(nD,nd) = max(8,9) = 9[6]. Não existem quaisquer transposições, pelo que t = 0; passaremos a analisar as transformações fonéticas. Estas ocorrem nos emparelhamentos /E//e/, /r//4/, /_//e/, /n//m/; apenas o par /_//e/ é suficientemente heterogéneo para produzir c = 1,0; os outros três, assemelhados, fornecem c = 0,5. Todas as transformações encontram-se no interior das palavras e aplicar-se-á sempre p = 1,0. O somatório dá: 0,5 × 1,0 + 0,5 × 1,0 + 1,0 × 1,0 + 0,5 × 1,0 = 0,5 + 0,5 + 1,0 + 0,5 = 2,5 donde se obtém k = (2,5 × 2)/max(8, 9) = 5,0/9 = 0,556, logo, concluímos pela razoabilidade da parofonia, uma vez que k < 1. Não sabemos se seria possível incluir consistentemente na fórmula de cálculo de k um fenómeno específico a esta parofonia. Ocorre que os trechos /E/r/ ~ /e/4/e/ dificilmente justificariam uma tão grande influência no valor do índice de discrição, cerca de 80% do total k = 0,556. Ao nosso ouvido, a pronúncia de ambas as palavras denuncia uma certa fusão entre os fonemas mediais do designante, tendendo a elidir o segundo /e/, o que diminuiria significativamente o valor encontrado. De qualquer modo, nos parece prematuro aperfeiçoar a modelização nesta fase da pesquisa.

O primeiro elemento do designante, sal, aceita-se facilmente como estando representado no esmalte branco do escudo. Adianta-se que já encontrámos outros exemplos perfeitamente idênticos a esta associação parofónica. Contudo, talvez pareça desnecessário o aspecto redundante na semântica do segundo elemento, eremum, a reforçar o traço heráldico de preenchimento do espaço à volta do sol com a metonimização simples: deserto > amplo > escudo cheio. Para mais, o elemento salino, como sabemos, pode ser obtido pela acção evaporativa dos raios solares. Tal circunstância vai ligar-se por metonímia composta com a aridez que está associada ao deserto. Temos por um lado a sequência de metonimização: sal > evaporação > calor > Sol e pelo outro: deserto > quente > calor > Sol, convergindo ambas para um mesmo tema. Apesar da preeminência solar no desenho, este não passa de uma complementação na forma de adereço, nunca referido directamente pelo designante, como se acreditava anteriormente.

Num paralelo com Portucalis ~ Porta cales, vemos descritas duas versões visuais distintas do Sol. A primeira, simplificada ao máximo, fá-lo redondo e amarelo, na verdade numa função exclusivamente complementar, a caracterizar o azul do campo como um Céu e também a alimentar o fogo do Inferno. A segunda, esta que agora estudamos, mostra os traços clássicos de um Sol heráldico, com raios, centralizado e a ocupar o máximo possível do campo. Note-se que em ambos o disco solar é amarelo, enquanto que na segunda junta-se-lhe o esmalte vermelho a colorir a envolvência dos raios. Estes cromatismos poderiam estar fundamentados nas considerações mais elementares, talvez medievais, sobre a natureza do Sol. Enquanto que o seu calor parecia desvanecer-se quase completamente nos rigorosos Invernos europeus, a luz permanecia inalterada. Assim, a natureza fundamental do Sol deveria ter sido entendida mais como brilho luminoso e menos como potência calorífica. Talvez um reflexo das numerosas associações de Deus com a luz, possivelmente herdadas de crenças pagãs anteriores. Pelo contrário, seria possível associar o calor do Sol ao Inferno graças à autoridade divina, como vimos no artigo já referido acima. Esta dicotomia luz-calor é necessária ao traço heráldico de Salerno porque o calor é uma imanência tanto do deserto como do Sol, ainda mais ligado por metonímia ao sal. O amarelo estaria, portanto, associado à luz, enquanto que o vermelho representaria o calor. Apesar de sabermos perfeitamente que a sombra de sol[7] representa habitualmente aquele astro todo em vermelho, lembramos que as normas heráldicas irão constituir-se apenas muitos anos mais tarde. 

[1]  CLEMMENSEN, Steen - Armorial Wijnberghen - Farum: Acedido a 13 de Junho de 2012, disponível em: <http://www.armorial.dk>, 2009.
[2] TIMMS, Brian - Heraldry- [s.l]: Acedido a 13 de Junho de 2012, disponível em: <http://www.briantimms.fr>, 2011.
[3] Respectivamente condados de Ziegenhein, Antuérpia e Spiegelberg.
[4] BERTHIER, Guillaume F. - Les Psaumes Traduites en François, avec des Rèflexions - 3ª ed. Tomo IV - Adrien Le Clère  - Paris - 1807 - p. 592.
[5]  Ver o artigo Portucalis ~ Porta cales.
[6] Usamos, como de hábito, a codificação X-SAMPA.
[7] Designação do brasonamento de um sol com dezasseis raios, tudo em vermelho.

 

 


Salerno - Armas de Fantasia

Classificação Descrição
Armas de Fantasia R Rei de Salerno
Territorial M Salerno
Língua de Fantasia V Salernum (latim)
Denominante A Salernum
Grafemização A  S  |  A  |  L  |  E  |  R  |  N  |  U  |  M 
Fonemização denominante A [  s  |  a  |  l  |  E  |  r  |  n  |  u  |  m ]
Emparelhamento A [  s  |  a  |  l  |  E  |  r  |  _  |  n  |  u  |  m ]
A [  s  |  a  |  l  |  e  |  4  |  e  |  m  |  u  |  m ]
Coeficiente de transposição A 0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0
Coeficiente de carácter A 0,0|0,0|0,0|0,5|0,5|1,0|0,5|0,0|0,0
Coeficiente de posição A 0,0|0,0|0,0|1,0|1,0|1,0|1,0|0,0|0,0
Parcelas A 0,0|0,0|0,0|0,5|0,5|1,0|0,5|0,0|0,0
Índice de discrição A k = 0,56
Fonemização designante A [  s  |  a  |  l  |  _  |  e  |  4  |  e  |  m  |  u  |  m ]
Grafemização A  S  |  A  |  L  |  _  |  E  |  R  |  E  |  M  |  U  |  M 
Designante A sal | eremum
Polissemia composta S sal | deserto
S sal | quente, amplo, árido
Material + Toponímia E sal + deserto
Esmalte H esbranquiçado De prata
Imanência C sal
Contraste C vermelho
Separação H amplidão (cheio)
Imanência C deserto
Metonímia simples S deserto > amplo > escudo cheio
Número H 1 uma
Metonímia composta 1/2 S deserto > árido > quente > calor > Sol
Figuração H Sol sombra de Sol
Preenchimento C área do escudo
Centralidade C coração do escudo
Adereço C fonte de calor
Esmalte H calor (de vermelho)
Imanência C Sol
Contraste C prata, ouro
Metonímia composta 2/2 S sal > evaporação > calor > Sol
Conectivo H sombra de Sol + besante carregada de
Número H 1 um
Figuração H redondo besante
Imanência C Sol
Esmalte H luz de ouro
Imanência C Sol
Contraste C vermelho

(próxima análise neste blog aqui)



Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 15:21
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Segunda-feira, 11 de Junho de 2012

(J) Terminologia

Esta nomenclatura é provisória por natureza e será acrescentada e aperfeiçoada à medida que o progresso da investigação o exigir. As definições heráldicas procurarão ser coerentes entre si, de modo a evitar algumas incongruências terminológicas ainda existentes na literatura disponível. Devemos lembrar, por outro lado, o objectivo final de estender estas definições à Semiótica Visual como um todo, daí que nem sempre o formato muito particular do campo em forma de escudo, por exemplo, adequar-se-á a uma generalização sintáctica.

Ordenámos as entradas, mas isso não implica seguir a ordem alfabética correspondente aos vários artigos sucessivos, guiando-nos acima de tudo pelo interesse que a definição formal dos termos já publicados possam suscitar. Incluímos após cada termo as tipologias respectivas, entre chaves, de maneira a situar melhor o leitor. Novas interpretações e vocábulos introduzidos durante a investigação aparecem classificados como neologismos; a grande maioria híbridos da Heráldica e da Semiótica. Sempre que possível incluiu-se um exemplo de cada acepção, preferencialmente os existentes no armorial português, na dissertação ou neste blogue. As primeiras acepções não se assinalam (1) nas suas entradas.

Usaremos aqui os sinais da tabela publicada no artigo Siglas, Símbolos e Abreviaturas. Relembramos apenas alguns, que dizem respeito às tipologias de cada entrada: {ASP} (traço heráldico de aspecto), {ASS} (traço heráldico de assentamento), {ATI} (traço heráldico de atitude), {AUX} (disciplina auxiliar), {CON} (traço heráldico conectivo), {DIS} (traço heráldico de disposição), {ENC} (traço heráldico de encobrimento), {ESM} (traço heráldico de esmalte), {FIG} (traço heráldico de figuração), {HER} (Heráldica), {LIN} (Linguística), {LOC} (traço heráldico de localização), {NEO} (neologismo), {NUM} (traço heráldico de número), {ORI} (traço heráldico de orientação), {PAD} (traço heráldico de padrão), {PRO} (traço heráldico de proporcionalidade), {SEM} (Semiótica), {SEP} (traço heráldico de separação).

 

jacinto {HER} {ESM} Nomeação da cor fulva em alguns brasonamentos.

janela {HER} {FIG} Figuração deste elemento arquitectónico.
(e.g. selo do Cabido da Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira em Guimarães)

janela (2) {HER} {FIG} Ver "fresta".

jarra {HER} {FIG} Figuração deste recipiente.
(e.g. armas dos Beleza)

javali {HER} {FIG} Figuração deste animal da espécie Sus scrofa.
(e.g. armas dos Chacim)

jazendo {HER} {ATI} Atitude da figuração antropomórfica deitada; jacente.
(e.g. armas dos Barregoso)

joelhos (de) {HER} {ATI} Atitude da figuração antropomórfica ajoelhada.
(e.g. selo de D. Giraldo Domingues, Bispo de Évora)

junto {HER} {LOC} Duas ou mais figurações próximas entre si.
(e.g. armas dos Martins, outros)

juntos {HER} {DIS} Duas ou mais figurações ou suas partes a tocarem-se entre si.
(e.g. armas dos Deus-Dará)

jurisdição {AUX} Espaço geográfico onde é exercido o poder jurídico de uma autoridade, delimitando por extensão também o poder político.

justa {AUX} Combate medieval ordenado entre dois cavaleiros armados.

justaposto {HER} {ENC} Ver "sobreposto".

 

Temática:

Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 16:24
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Sábado, 2 de Junho de 2012

Objecção IV - Armas falantes ou parofonia heráldica?

P: Armas falantes e parofonia heráldica serão conceitos incompatíveis?

R: O conceito de parofonia heráldica foi desenvolvido expressamente na nossa dissertação de modo a se poder estimar os fenómenos em análise e formular uma hipótese que auxiliasse aos seus objectivos. A necessidade de definir esta ideia com maior precisão derivou da insuficiência descritiva dos fenómenos heráldicos análogos: as armas falantes e os rébus. A tendência geral dos heraldistas tem sido de caracterizá-los por meio de conceitos similares: o trocadilho, a analogia ou a alegoria; mais evidentes nos casos de identificação perfeita entre o que se descreve e o que se desenha no brasão. Lembramos, pois, como definimos a parofonia heráldica:

Associação, por correspondência fonética, entre a designação de um ou mais elementos visuais heráldicos originais, o designante, e a denominação, directa ou indirecta, do referente do brasão, o denominante.

Note-se, em primeiro lugar, que se introduzem as indispensáveis definições subsidiárias do denominante e do designante, já que são estes os elementos que delimitam a acção "falante". Neste tipo de armas o denominante pode equiparar-se ao título do brasonamento, mas verificámos, mais tarde, o alargamento da sua extensão aplicativa. Já o designante pode ser identificado com a descrição do desenho no texto do brasonamento. Assim, o denominante Leão, do título Rei de Leão, é "falado" pelo designante leão, que se brasona: De prata um leão de púrpura.

Em segundo lugar apresenta o conceito de correspondência fonética entre o denominante e o designante. Ao invés das nebulosas analogias ou trocadilhos, aplicámos um princípio mensurável: os fonemas deveriam possuir uma associação biunívoca num e noutro elemento. Esta correspondência é definida na etapa de acomodação e por fim avaliada através do cálculo do índice de discrição, que ajudará a decidir da razoabilidade de se considerarem como parófonos o denominante e o designante.

Em terceiro lugar os elementos visuais das armas, o seu desenho e esmaltes, devem ser os primitivos, ou seja, os que lá foram postos aquando do estabelecimento de cada brasão. Não se podem incluir na análise parofónica ou, pelo menos, não é possível analisar segundo uma óptica falante, as armas herdadas, acrescentadas, adulteradas, etc. A ocasião bem determinada do nascimento de um brasão delimitará também, entre outros, o ambiente cultural, genealógico e histórico, especificando deste modo as línguas, as tradições heráldicos, os domínios territoriais, as influências políticas, etc.

Em quarto lugar o denominante, aquilo de que se fala, não se reduz ao título do brasonamento, sujeito aos caprichos da mão de quem o escreve, mas a algo semelhante, o referente, em estreita relação com o significante que encarna a simbolização do referente, o brasão. O caso mais usual de referente é o primeiro possuidor das armas, existem, contudo, outros géneros mais impessoais: os referentes institucionais, na heráldica das ordens militares, os profissionais, nos escudos das guildas, os eclesiásticos, nas armas diocesanas.

Finalmente, a denominação do referente não será, de hábito, a repetição do próprio, ou seja, o seu nome, mas uma outra denominação intermediante que surge por metonimização, constituindo uma ligação entre o referente e o denominante. Por se tratar de uma metonímia estabelece-se por contiguidade semântica, de tal modo que podemos, decerto, associar um conde ao nome do seu condado, mas também à localidade onde tinha residência ou aos vassalos de quem era senhor. E são estas metonímias que irão transformar-se em designante e depois em desenho e cor através dos processos linguísticos de verbalização, acomodação, sematização e especificação, que não importa agora pormenorizar.

As concepções tradicionais assumem também, por vezes, que a peça "principal" do escudo é a única imagem necessária e suficiente para caracterizar as armas falantes. Para além dessa principalidade ser um conceito bastante subjectivo, caberia ainda perguntar por que razão as peças "secundárias" ou mesmo os esmaltes deveriam estar excluídos destas considerações. No que se refere aos últimos, têm sido mencionados amiúde como falantes na literatura especializada; uma vez que se admitiu esta possibilidade não poderemos excluir terminantemente outras ocorrências no sistema heráldico, seja ele o tradicional ou o parofónico. Quanto às peças "secundárias" existem numerosos exemplos do seu uso nos rébus, bem esclarecedores deste ponto e remetendo para a mesma conclusão lógica da argumentação antecedente. Nos estudos que realizámos encontraram-se várias dezenas de parofonias em correspondência com os esmaltes ou com as ditas peças.

A fonte de inspiração para as armas falantes clássicas mostrou ser muito limitada. Quase todas, repetimos,  aludem à menção explicitada na descrição jurisdicional ou familiar: O leão (llión) do Reino de Leão (Llión), as palhas (pallas) do Condado de Pallars (Pallars), o monge (Mönch) da cidade de Munique (München), as cabras da linhagem dos Cabral. A nossa pesquisa abalou esta presunção ao permitir-nos adaptar uma estrutura semiótica à heráldica, com exemplos manifestos do uso do nome de cidades, de orónimos, hidrónimos, etnónimos e antropónimos, além das clássicas denominações territoriais, nem por isso maioritárias. Estes usos parecem transcender as classificações jurisdicionais e tendem a manter-se coerentes, sejam impérios ou modestos senhorios.

Outra limitação, que nos parece mais artificial, seria a língua usada pelos autores das armas: se o brasão estivesse em França, usar-se-ia o francês, se em Espanha, o espanhol, se na Inglaterra, o inglês. Mas as coisas passavam-se de outro modo há mais de seiscentos anos atrás. Como se poderá ver no artigo Objecção II - O Uso do Latim, não existe nenhuma razão aceitável para excluir esta língua dos usos heráldicos primitivos. O latim correspondeu a 17% das parofonias encontradas nas amostras da dissertação e a noção dessa influência tem vindo a aumentar com o decorrer das pesquisas. O mesmo se pode afirmar das línguas, hoje minoritárias, que então eram geralmente compreendidas e aceites nos seus lugares de origem ou, em contraste, apenas por uma minoria que detinha o poder. O anglo-normando, conforme o que se averiguou, era a língua parofónica de eleição nas Ilhas Britânicas, produzindo quase 11% das parofonias por nós apresentadas. Não há outro modo de se compreender a mentalidade que construiu as armas falantes, senão transportarmo-nos à época em que foram feitas, muito distinta da actual em todos os aspectos.

Concluímos, portanto, que não é possível compatibilizar o ponto de vista convencional sobre as armas falantes e a parofonia heráldica. Isso não quer dizer que não se possam empregar conceitos e vocabulário comuns, uma vez que descrevem ambos os mesmos factos heráldicos. A principal diferença será que, enquanto o primeiro admite um extensão muito limitada do fenómeno, talvez 15% das armas antigas sejam tidas por falantes, a parofonia heráldica aventura-se a admitir que a maioria, senão mesmo quase todas as armas primitivas medievais obedeciam em maior ou menor grau às leis da parofonia.



Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 16:50
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Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

(T) Terminologia

Esta nomenclatura é provisória por natureza e será acrescentada e aperfeiçoada à medida que o progresso da investigação o exigir. As definições heráldicas procurarão ser coerentes entre si, de modo a evitar algumas incongruências terminológicas ainda existentes na literatura disponível. Devemos lembrar, por outro lado, o objectivo final de estender estas definições à Semiótica Visual como um todo, daí que nem sempre o formato muito particular do campo em forma de escudo, por exemplo, adequar-se-á a uma generalização sintáctica.

Ordenámos as entradas, mas isso não implica seguir a ordem alfabética correspondente aos vários artigos sucessivos, guiando-nos acima de tudo pelo interesse que a definição formal dos termos já publicados possam suscitar. Incluímos após cada termo as tipologias respectivas, entre chaves, de maneira a situar melhor o leitor. Novas interpretações e vocábulos introduzidos durante a investigação aparecem classificados como neologismos; a grande maioria híbridos da Heráldica e da Semiótica. Sempre que possível incluiu-se um exemplo de cada acepção, preferencialmente os existentes no armorial português, na dissertação ou neste blogue. As primeiras acepções não se assinalam (1) nas suas entradas.

Usaremos aqui os sinais da tabela publicada no artigo Siglas, Símbolos e Abreviaturas. Relembramos apenas alguns, que dizem respeito às tipologias de cada entrada: {ASP} (traço heráldico de aspecto), {ASS} (traço heráldico de assentamento), {ATI} (traço heráldico de atitude), {AUX} (disciplina auxiliar), {CON} (traço heráldico conectivo), {DIS} (traço heráldico de disposição), {ENC} (traço heráldico de encobrimento), {ESM} (traço heráldico de esmalte), {FIG} (traço heráldico de figuração), {HER} (Heráldica), {LIN} (Linguística), {LOC} (traço heráldico de localização), {NEO} (neologismo), {NUM} (traço heráldico de número), {ORI} (traço heráldico de orientação), {PAD} (traço heráldico de padrão), {PRO} (traço heráldico de proporcionalidade), {SEM} (Semiótica), {SEP} (traço heráldico de separação).

 

taça {NEO} Especificação deste recipiente.
(e.g. armas do Município de Coimbra)

tachão {HER} {FIG} Figuração desta ferragem.
(e.g. armas dos Mesquita)

talhado {HER} {SEP} Separação diagonal do escudo que vai do ângulo sinistro do chefe até junto ao ângulo dextro da ponta.
(e.g. armas dos Belard da Fonseca)

talhado (2) {HER} {SEP} Ver "dividido".

talos {NEO} Especificação desta fracção botânica.
(e.g. armas do Ducado da Borgonha)

tamanho {AUX} Dimensão absoluta de um ente.

tamanho relativo {AUX} Proporção entre a dimensão de vários entes.

tanque {HER} {FIG} Figuração desta construção arquitectónica.
(e.g. armas dos Mansilha)

tapado {HER} {CON} Conectivo da figuração implícita de uma tampa fechada a um artefacto, habitualmente um recipiente.
(e.g. armas dos Gomide)

tardo-medieval {AUX} Referente ao período histórico entre o século XIII e meados do século XV.

tau {HER} {FIG} Figuração desta letra do alfabeto grego.
(e.g. armas dos Queimado)

tema {LIN} Conjunto formado pelo radical com a vogal temática.

temai {NEO} Especificação accional.
(e.g. armas do Reino de Inglaterra)

tenência {AUX} Domínio jurisdicional de um tenente.

tenente {HER} {FIG} Figurações antropomórficas, excepcionalmente uma, externas ao escudo a sustentar cada uma das bordas laterais.
(e.g. selo de D. Fernando da Guerra, Arcebispo de Braga)

Teoria da Informação {AUX} Estudo quantitativo da informação.

terceiro {HER} {NUM} Traço heráldico da forma ordinal do número três.
(e.g. armas dos Esmeraldo)

terciado {HER} {SEP} Separação composta do escudo como o terciado em banda, em contrabanda, em faixa, em pala ou em mantel, trazendo todos os esmaltes distintos.
(e.g. armas dos Nóvoa)

terminado {HER} {ASP} Arremate de uma figuração por outra que é disposta numa extremidade.
(e.g. armas dos Manuel)

terno {HER} {NUM} Contiguidade de três figurações.
(e.g. armas dos Fróis)

terraço {HER} {FIG} Ver "terrado".

terrado {HER} {FIG} Figuração de um chão natural de horizonte irregular ocupando o contrachefe do escudo.
(e.g. armas dos Abelho)

terreiro {HER} {FIG} Ver "terrado".

testa {HER} {FIG} Figuração desta fracção zoológica.
(e.g. armas dos Bacelar)

textura {AUX} Aspecto superficial dos materiais em particular no que se refere à sua rugosidade.

tição {HER} {FIG} Figuração de um bocado de lenha já queimada, de hábito ardente.
(e.g. armas dos Tição)

tigre {HER} {FIG} Especificação deste felino do género Tigris.
(e.g. armas dos Parente)

timbre {LIN} Qualidade sonora das produções vocais equivalentes que apenas se distinguem segundo o emissor.

timbre (2) {HER} {FIG} Figuração externa ao escudo a encimar o virol ou o coronel.

tinta {HER} {ESM} Ver "esmalte".

tira {HER} {ASS} Subdivisão das separações compostas em partes longitudinais mais estreitas, habitualmente preenchidas pelo enxaquetado.
(e.g. armas dos Quintal)

tira (2) {HER} {DIV} Ver "peça".

tiras {HER} {PAD} Ver "faixado" (2).

titular {AUX} Detentor de uma dignidade nobiliárquica.

tocha {HER} {FIG} Figuração deste artefacto.
(e.g. armas dos Alma)

todos {HER} {CON} Conectivo das separações, figurações ou suas partes, brasonadas imediatamente antes, a um traço heráldico comum, habitualmente o esmalte.
(e.g. armas dos Alcáçova)

token {SEM} Ver "sinsigno".

tonalidade {AUX} Gradação da intensidade de uma cor sem que esta perca o carácter intrínseco que a identifica.

tone {SEM} Ver "qualisigno".

topázio {HER} {ESM} Nomeação da cor amarela em alguns brasonamentos.

topo (no) {HER} {LOC} Ver "chefe (no)".

toponímia {NEO} Especificação a indicar qualquer acidente geográfico natural.
(e.g. armas do Condado da Cornualha II)

Toponímia {AUX} Estudo da nomenclatura dos acidentes geográficos.

torçal {HER} {FIG} Figuração deste utensílio; cordão.
(e.g. armas dos Fernandes, de Diogo Fernandes Correia)

torre {HER} {FIG} Figuração desta fortificação ameada com porta e frestas.
(e.g. armas dos Lago)

torre (2) {HER} {FIG} Figuração da torre (1) incluída em uma outra construção.
(e.g. armas dos Prego)

torre alta {HER} {FIG} Ver "torre torreada"

torre de menagem {HER} {FIG} A torre mais alta e central na figuração das construções fortificadas.
(e.g. armas dos Barriga, de Lopo Barriga)

torre torreada {HER} {FIG} Torre com outra mais pequena a encimá-la.
(e.g. armas dos Morais, modernas)

tortuoso {HER} {ASP} Ver "ondeado".

toucado {HER} {CON} Conectivo da figuração implícita de turbante ou touca numa cabeça antropomórfica ao seu esmalte, que é distinto desta.
(e.g. armas dos Murilhas)

touro {HER} {FIG} Figuração deste bovídeo, não castrado e habitualmente de cauda erguida.
(e.g. armas dos Tourinho)

tracejado {HER} {PAD} Ver "sombreado".

traço {HER} {SEP} Numa separação é a linha que divide duas regiões do escudo; linha.
(e.g. armas dos Catanho)

traço complementar {NEO} Ver "complementação".

traço fonético {LIN} Manifestação acústico-articulatória dos fenómenos vocais que decorrem no aparelho fonador.

traço heráldico {NEO} Cada família de componentes visuais elementares do brasão, ao concretizar-se o brasonamento e implementarem-se as suas complementações, como os esmaltes, as figurações, as atitudes, as orientações, as centralizações, etc.

traço semântico {NEO} Traço heráldico dotado de sentido através do designante.

traço significante {NEO} Ver "traço semântico".

tragante {HER} {ATI} Ver "abocado".

tranca {HER} {FIG} Figuração deste artefacto.
(e.g. armas dos Caminha)

transcrição fonética {LIN} Notação dos sons vocais de uma língua por meio de um alfabeto fonético.

transformação {NEO} Classe de fenómenos metaplasmáticos em que um fonema é substituído por outro diferente.

transmigração {NEO} Classe de fenómenos complementares que surgem entre brasões diferentes pela partilha de representações ou conceitos, exemplifica-se com a evolução, o aperfeiçoamento, a substituição, a persistência e a abrangência.
(e.g. armas do Reino da Noruega)

transposição {NEO} Classe de fenómenos metaplasmáticos em que dois fonemas trocam de lugar entre si.
(e.g. armas do Reino da Polónia)

travessa {HER} {SEP} Cotica em contrabanda.
(e.g. armas dos Azeredo)

travessado {HER} {SEP} Separação composta ou padrão de travessas múltiplas e espaçados por igual.

travessado (2) {HER} {SEP} Padrão de travessas no interior de uma figuração.
(e.g. armas dos Azeredo)

trempe {HER} {FIG} Figuração deste artefacto, habitualmente representado por um triângulo vazio.
(e.g. armas dos Segura)

trepante {HER} {ATI} Atitude de figuração animal, habitualmente um quadrúpede, a escalar uma outra figuração inanimada sobre a qual apoiam-se pelo menos três patas.
(e.g. armas dos Castilho)

três {HER} {NUM} Traço heráldico desta quantidade.
(e.g. armas dos Sotomaior)

três {NEO} Especificação desta quantidade.
(e.g. armas do Reino de Inglaterra)

três quartos (a) {HER} {ASP} Aspecto de uma figuração, habitualmente o elmo, que se observa com a parte frontal voltada cerca de 30º na direcção do observador a partir da dextra.
(e.g. armas dos Kennedy)

trespassado {HER} {ASP} Figuração, habitualmente uma arma, que atravessa outra figuração, habitualmente um animal ou homem, de um lado a outro.
(e.g. armas dos Oliva)

trevo {HER} {FIG} Figuração de uma folha de trevo.
(e.g. armas dos Chermont)

treze {HER} {NUM} Traço heráldico desta quantidade.
(e.g. armas dos Ávila)

triângulo lobado {AUX} Formato sigilar com três lobos semicirculares adjacentes externamente aos lados de um triângulo central.
(e.g. selo de D. Martim Mendes)

tridente {HER} {FIG} Figuração deste artefacto bélico.
(e.g. armas dos Möller)

trifólio {HER} {FIG} Figuração esquemática de flor com três pétalas, orbiculares ou lanceoladas, dispostas em simetria radial.
(e.g. armas dos Pery)

trigueirão {HER} {FIG} Figuração desta ave da espécie Emberiza calandra.
(e.g. armas dos Trigueiros)

trilobado {AUX} Três lobos (2) contíguos.

trilobado (2) {HER} {ASP} Característica de figuração, habitualmente uma cruz, com cada extremidade rematada em simetria por três lobos contíguos e salientes para o exterior.
(e.g. armas da Freguesia de Santa Cruz de Coimbra)

triplo {HER} {NUM} Traço heráldico de três separações iguais paralelas e aproximadas.
(e.g. armas do Condado de Clare)

tríscele {HER} {FIG} Figuração deste símbolo, habitualmente antroponimizado.
(e.g. armas do Reino de Mann)

tritongo {LIN} Encontro de uma vogal entre duas semivogais.

troca {NEO} Classe de anomalias que confunde, intencional ou acidentalmente, o traço heráldico decorrente do designante com outro; exemplifica-se com as hesitações, profusões, sublimações e divergências.
(e.g. armas do Principado da Valáquia)

trocadilho {LIN} Paronomásia em que se utilizam simultaneamente no contexto ambos os sentidos de cada parónimo.

troço {HER} {ASP} Ver "quebrado" (1).

trompa de caça {HER} {FIG} Ver "buzina".

troncado {HER} {CON} Conectivo da figuração implícita do tronco num vegetal ao seu esmalte, que é distinto do restante.
(e.g. armas dos Robles)

tronco {HER} {ASP} Figuração do caule numa árvore completa.
(e.g. armas dos Azambujal)

tronco (2) {HER} {FIG} Figuração de um ramo lenhoso grosso e direito, habitualmente esgalhado.
(e.g. armas dos Travassos)

tronco (3) {HER} {FIG} Figuração de uma árvore sem folhas e esgalhada, habitualmente ôca.
(e.g. armas dos Vasques)

tropo {LIN} Uso figurado da palavra como nas metonímias e metáforas.

trovão {NEO} Especificação meteorológica habitualmente metonimizada em raio.
(e.g. armas do Condado de Tonnerre)

truta {HER} {FIG} Figuração deste peixe da espécie Salmo trutta.
(e.g. armas dos Peixoto, antigas)

tudo {HER} {CON} Ver "todos".

Tule {AUX} Especificação desta notoriedade geográfica.
(e.g. armas do Reino da Polónia)

turco {HER} {FIG} Figuração antroponimizada deste etnónimo.
(e.g. armas dos Monteiro de Pale)

turfeira {NEO} Especificação toponímica deste acidente geográfico.
(e.g. armas do Condado da Cornualha II)

turíbulo {HER} {FIG} Figuração deste artefacto.
(e.g. selo de D. Pedro Gomes Barroso, Bispo de Coimbra)

type {SEM} Ver "legisigno".

 

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Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 14:48
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