Terça-feira, 6 de Novembro de 2012

Reis de Jerusalém: Cruz Potenteia

Reis de Jerusalém

 

Hierosolimitanos

Para além da denominação dada à residência em si, a parofonia usa demónimos ou gentílicos - nomeando os habitantes enquanto tais - uma forma habitual de mudar o referente noutra palavra que irá transformar-se em imagem. Os Reis de Jerusalém viviam na sua capital sendo por isso hierosolimitanos; seria razoável verificar se estariam incluídos, já depois da metonímia referente, nas armas que lhes correspondiam. É de lembrar que tínhamos exemplificado este comportamento parofónico noutros estudos: os demónimos Aquincenses (lat. budense), a identificar a capital da Hungria, e J'Wincestrin (ano. Eu winchestrense), em associação com a antiga capital da Inglaterra.

Após estas considerações chegámos à parofonia: Hierosolimitains (fra. hierosolimitanos) ~ Hirauts sols limitants (fra. arautos únicos limitantes). Um denominante extenso a gerar um designante de dimensão equivalente; não obstante, foi possível obter um índice de discrição k = 0,41. A combinação destas palavras é difícil de replicar por quaisquer outras e sugere que, ou se aceita a solução, ou não será possível encontrar um substituto viável através das mesmas premissas básicas.

 

Arautos e Boas Novas

O termo Hirauts (fra. arautos) é rico em acepções, definindo uma polissemia simples, capaz de produzir ao menos quatro traços heráldicos. Em representação dos Evangelistas é responsável pelas obras de João, Lucas, Marcos e Mateus, definindo portanto o número quatro. Destes derivamos as formas rectangulares, oportunistamente tomadas como quadrados a ajustarem-se aos cantões da cruz principal. Os documentos escritos daquela época usavam o pergaminho, daí que o esmalte prateado seja uma coloração própria aos livros, ao admitir-se a encadernação mais simples possível. Por fim, os Evangelhos adornavam-se frequentemente com cruzes e as cruzetas nos quadrados adaptam-se bem à sua nova condição: simples iluminuras das escrituras sagradas.

 

As Fronteiras da Cruz

O comportamento monossémico habitual reaparece nos restantes componentes do designante. Sols (fra. únicos) denota quantidade e diz que não se consentirão mais cruzetas do que as necessárias à simbologia dos quatro Evangelhos. Limitants (fra. limitantes) declara que os quatro livros obedecem às instruções fornecidas antes por entur (fra. à volta) e dispõem-se em torno da cruz, como ditava “entre”, arredado por agora deste nível semântico. Nesta declaração do designante estava-se a pensar porventura em outras variantes das armas de Jerusalém a incluir um grande número de cruzetas, uma vez que aquelas também cercavam o móvel principal. Poderia ser usada a versão alternativa sols imitants (fra. únicos imitadores), redundância de imitants × cions. Mas a parofonia iria perder demasiada solidez, o fim do primeiro vocábulo funde-se com o início do segundo e soa como [z] em vez de permanecer mudo.

Seria ainda possível que os livros e respectivas cruzetas assumissem papéis mais próximos ao enredo exequial, e talhassem a pedra junto à cruz. Esta interpretação integraria ambos os níveis semânticos em um único tema, o epitáfio, ou simplesmente transformá-los-ia num novo artefacto, talvez um selo, se acompanharmos a sugestão de Mateus 27:66 “E eles foram pôr o sepulcro em segurança, selando a pedra e confiando-o à vigilância dos guardas”.

 

A Mensagem dos Evangelhos

Ao seguir a trama do nosso enredo, poderia parecer que a importância do finado devesse impor uma conexão com hirauts. Quem eram os arautos de Jesus? Representariam necessariamente a repercussão dos seus ensinamentos; ele já não estava disponível para fazer-se ouvir. Parece-nos útil dividir as primeiras contiguidades em duas sucessões distintas. Embora “Evangelho” não apareça a concluir a primeira sequência, esta palavra ajudará a definir tudo o mais. Refira-se que, por concisão, nem sempre mencionamos algumas das transformações mais evidentes. A metonimização que se segue, a mais importante de todas, segue do arauto até a mensagem, convergindo para outra que parte de Jesus em direcção à Sua mensagem, porque “Evangelho” pode ser traduzido como um “anúncio de boas novas”:

arauto > mensageiro > mensagem

Jesus > pregador > Evangelho > mensagem

As quantidades dependem de duas metonímias simples independentes, reconhecendo a variedade dos quatro Evangelhos aceites e usando “únicos” como dissuasor de mais cruzetas:

Evangelho > Evangelistas > quatro

únicos > quatro ou menos

A forma deriva das propriedades geométricas elementares do objecto considerado:

Evangelho > livro > rectangular > quadrado

As cruzetas já existentes assumirão o carácter de desenhos simbólicos sob a forma de iluminuras:

Evangelho > pregador > Jesus > cruz(etas)

A cor dependerá do material usado na capa; poderia considerar desde uma encadernação despojada até a mais exuberante, embora apenas a primeira seja conservada:

Evangelho > livro > pergaminho > esbranquiçado

Evangelho > livro > marfim > esbranquiçado

Evangelho > livro > prata > prateada

 

Grega e Potenteia

Os livros dispõem-se sobre a cruz grega de modo a fazer surgir uma cruz potenteia aos olhos do observador. A razão pela qual os autores das armas optaram por esta obstrução parcial parece evidente: um esforço para destacar os Evangelhos, apesar da camuflagem cromática. A disposição final assegura a visibilidade de todos os quatro lados de cada um dos polígonos. Estes são brancos, a cor dos Evangelhos, sobre branco, imitando a pedra do Sepulcro e iriam desvanecer-se ao suster os cantões de uma cruz grega. A despeito desta engenhosa composição, talvez devido à influência cultural da cruz de Jerusalém, será difícil para a maior parte dos observadores detectar os quadrados de imediato.

Poderemos comparar a dita disposição e as armas da linhagem portuguesa dos Evangelho trazendo o seguinte: “de azul uma cruz de ouro cantonada por quatro besantes de prata figurados respectivamente de uma águia, um anjo, um boi e um leão”. Não se sabe se inspiraram-se nas armas de Jerusalém mas mostram ao menos que a ideia era de todo natural, ao combinarem-se os quatro livros dos Evangelhos e os quatro braços e cantões da cruz.

 

Além do Brasonamento

Para auxiliar a aplicação das nossas parofonias ao seu efeito visual objectivo, tivemos de alterar a descrição inicial do brasão (a). Os brasonamentos destinam-se a facilitar a reprodução heráldica através do seu texto mas nem sempre preservam as ideias originais. A manter a coerência, deveria constar a cruz grega em vez da cruz potenteia, mas isto complicaria ainda mais as coisas, assim, apenas adaptámos a conclusão da frase e substituímos “entre” por outras palavras mais apropriadas que reflectissem a melhor correspondência com a génese semântica de todos os traços heráldicos (b).

(a) De prata uma cruz potenteia de ouro entre quatro cruzetas do mesmo.

(b) De prata uma cruz potenteia de ouro, sustida nos cantões por quatro quadrados do primeiro, cada um carregado com uma cruzeta do segundo.

A disposição difere um pouco do que foi visto no último nível semântico, então descrita como: 1 1 & 1 1. Desta vez os quatro quadrados sustêm a cruz, querendo isso dizer que tocam com os seus lados nos espaços definidos pela cruz nos cantões. Não há qualquer abreviatura disponível para este género de arranjos de modo que imaginámos a notação: 1 | (1) | 1 & 1 | (1) | 1, que se lê: “um sustém só sustém um e um sustém só sustém um”. As barras verticais “|” designam cada sustentação através das peças individuais “1” (cada um dos quadrados) de uma outra peça no interior de um parênteses “(1)” indicando que esta é a mesma ocorrência da peça só (a cruz principal) onde quer que apareça repetida por conveniência da notação. Embora inútil na heráldica medieval, pensou-se na sua aplicação a outros fenómenos figurativos que compartilhem as mesmas ideias fundamentais, já em existência há muitas centenas de anos atrás.

 

Seguem-se as Cores

Naturalmente poderíamos considerar o couro, o metal, a madeira ou quaisquer materiais adequados à protecção dos livros mas apenas incluímos aqueles que justificassem a cor branca ou prateada. A solução metálica parece menos viável porque insinua uma cruz em ouro, que iria contradizer as proposições do próximo nível semântico. O conjunto de escolhas disponíveis parece vasto e qualquer um ficaria curioso por saber a motivação de estenderem-se os livros sobre a cruz e de evitarem-se esmaltes contrastantes. A camuflagem terá sido intencional? É difícil dizer.

O brasão dos Reis de Chipre e Jerusalém, na segunda parte deste estudo, irá justificar-se durante os seis últimos níveis semânticos. Como esta representação é idêntica à da primeira parte, poderia acontecer que uma versão tenha-se “acomodado” à outra; a coloração dos Evangelhos é precisamente um dos poucos traços heráldicos a permitir a liberdade de escolha nestas armas. Como é óbvio, não sabemos quando surgiram ambas as versões e avançar a proposição de uma génese simultânea seria, no mínimo, prematuro. Contudo, apenas no que diz respeito às armas dos Reis de Jerusalém, as considerações cromáticas finais serão tratadas no próximo artigo que analisará as possíveis razões para a infracção à “lei dos contrastes”.

 

Reis de Jerusalém - Evangelho

Reis de Jerusalém (V)

Classificação Descrição
Armas de Domínio R Reis de Jerusalém
Demónimo M Hierosolimitanos
Língua de Conquista V Francês
Denominante A Hierosolimitains
Grafemização A H|I|E|R|O|S|O|L|I|M|I|T|A|I|N|S
Fonemização denominante A je | R\ | o | z | o | l | i | m | i | t | Ẽ
Emparelhamento A je | R\ | o | z | o | l | i | m | i | t | Ẽ
A i | R\ | o | s | o | l | i | m | i | t | Ã
Coeficiente de transposição A 0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0
Coeficiente de carácter A 1,0|0,0|0,0|0,5|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,5
Coeficiente de posição A 1,5|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,5
Parcelas A 1,5|0,0|0,0|0,5|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,3
Índice de discrição A k = 0,41
Fonemização designante A i | R\ | o | s | o | l | i | m | i | t | Ã
Grafemização A H|I|R|A|U|T|S| |S|O|L|S| |L|I|M|I|T|A|N|T|S
Designante A Hirauts sols limitants
Notoriedade E arautos
Metonímia convergente S arauto > mensageiro > mensagem
S Jesus > pregador > Evangelho > mensagem
Quantidade E únicos
Geometria E limitantes
Polissemia simples S quatro + quadrados + prata + cruzetas
S arautos
Monossemia composta S quatro | (entre)
S únicos | limitantes
Esmalte H De prata
Número H uma
Figuração H cruz
Aspecto H potenteia
Esmalte H de ouro
Disposição H 1 | (1) | 1 & 1 | (1) | 1 sustida
Localização H define a cruz potenteia nos cantões
Conectivo H quadrados cruz por
Número H João, Lucas, Marcos, Mateus quatro
Metonímia simples S Evangelho > Evangelistas > quatro
Metonímia simples S únicos > quatro ou menos
Figuração H rectangular quadrados
Imanência C livro
Encobrimento C cruz grega
Orientação C imanência de livro
Metonímia simples S Evangelho > livro > rectangular > quadrado
Esmalte H esbranquiçado do primeiro
Imanência C pergaminho
Contraste C ouro, prata
Metonímia simples S Evangelho > livro > pergaminho > branco
Número H 1 + 1 + 1 + 1 cada um
Localização H Evangelho carregado
Centralidade C diagonais do quadrado
Conectivo H quadrados cruzetas com
Número H 1 uma
Metonímia simples S Evangelho > pregador > Jesus > cruz(eta)
Figuração H cruzeta
Esmalte H do segundo

 


Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 14:02
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Terça-feira, 28 de Agosto de 2012

Eduardo o Confessor: Esmalte Ouro

Eduardo o Confessor - Armas de Fantasia

 

Falantes mas ...

Chegámos finalmente ao ponto em que se consideram os esmaltes. Qual é a certeza de que esta suposta parofonia aplicada às cores é suficientemente razoável para ser aceite? Por quê não se atribuem os esmaltes a uma propriedade natural das entidades que se vêem delineadas nos brasões? Infelizmente as coisas não são assim tão simples. Ninguém poderá assegurar que esta ou aquela imagem é falante, por exemplo. Mesmo representações “óbvias” como as usadas pelos Reis de Leão (De prata um leão de púrpura) viram contestado o seu estatuto falante. Alguns autores afirmam que este leão pode muito bem representar a força e o carácter do rei, em vez de um trocadilho que lembre o nome do seu reino: Llion llion (leo. leão). É matéria de interpretação pessoal, que coincidirá ou não com as intenções primitivas.

É perfeitamente admissível que as cores sejam falantes, mesmo sob um ponto de vista tradicional. Aparecem normalmente na forma de esmaltes plenos como em Rossi ~ Rossi (ita. vermelhos), onde o vermelho que ocupa todo o campo do escudo transforma esta evidência em inevitável explicação. A metodologia parofónica permite um domínio de interpretações mais completo, explicando mesmo pequenos pormenores cromáticos, de outra forma menosprezados. Por outro lado, o que parece ser um esmalte natural e desenxabido poderá esconder um significado surpreendente e inesperado, como o campo azul usado nas armas dos reis de França. Naturalmente, a maior parte das figurações heráldicas apresenta as suas cores naturais.

 

Leões Azuis e Águias Púrpura

O que torna  algo irrazoável a negação deste tipo de fenómeno é que as armas falantes são percebidas como uma manifestação heráldica geral e reconhecida. Portanto, se ocorre noutras ocasiões deveria também ocorrer neste caso particular. Pode dizer-se o mesmo acerca da parofonia, com a diferença de que aqui o universo alcançado é bem maior. Poderá influenciar cada um dos aspectos do brasonamento: figurações, separações, atitudes, esmaltes, etc.

Não resta praticamente nada para uma escolha arbitrária, cada traço heráldico parece propenso a uma intenção parofónica deliberada ou resultar de uma imanência dos outros elementos já representados. Mas se por acaso encontrarem-se leões azuis, águias púrpura ou céus verdes, acreditem, haverá aí mais do que uma simples arbitrariedade estética. O homem medieval não era tolo ou ingénuo, como alguns poderão comodamente pensar, talvez a justificar a insanidade e insensibilidade dos nossos tempos.

 

A Cruz Dourada

Devemos abandonar as nossas generalizações e voltar à cruz e aves de Santo Eduardo. Notámos anteriormente que o esmalte dourado poderia ser o mais apropriado para a nossa cruz. Madeira, ouro, latão ou bronze conviriam perfeitamente ao artefacto e poderiam de facto ser a motivação por detrás das cores. Mas antes já tínhamos proposto que os quatro lises nos braços da cruz  seriam os mesmos presentes na Coroa de Santo Eduardo. Não se poderia assumir que o resto do material da cruz fosse também em ouro, afinal um tipo de amarelo - caso encerrado - ou talvez não? Sim e não. Aceitamos que a cruz que aparece nas armas de Santo Eduardo seja feita em ouro. Não devemos, contudo, recusar outras contribuições parofónicas que abranjam esta propriedade da cruz heráldica desde que não haja conflito. Trata-se precisamente disso, o que explicitaremos mais abaixo.

 

Da Cor das Andorinhas

Depois destas considerações sobre a cruz volvemos a nossa atenção para os pássaros. As merletas heráldicas usadas em Inglaterra inspiraram-se nas andorinhas, uma ave gregária bem conhecida, com um bico pequeno e patas diminutas, de tal modo que quase não as vemos, seja na vida real seja nos desenhos simplificados da heráldica. Não existem contudo andorinhas amarelas e mesmo pássaros inteiramente dessa cor são difíceis de encontrar na Europa.

O facto de que as merletas representam pássaros em geral não ajuda muito pois aparecem em variados esmaltes. As armas de fantasia de Sussex que incluem seis merletas - três, dois e um - aparecem em documentos tardios e é difícil chegar-se a qualquer conclusão formal a partir daí. Parecem inspirarem-se nas armas estudadas neste artigo e mencionamos a parofonia Sussex ~ Suos (lat. seus) sex (lat. seis), que poderia referir alguém em particular. Talvez o autor não conhecesse ou ignorasse a parofonia - Seint ~ Cinc - aplicada a Eduardo e por conveniência admitisse seis elementos no bando de aves, usando o Latim como instrumento arcaizante. Se aceitarmos esta inspiração, as armas poderão datar-se como posteriores ao século XIV. Os restantes aspectos desta representação devem deixar-se para uma pesquisa posterior.

Na generalidade poderíamos admitir que quaisquer andorinhas castanhas pudessem ser transformadas em ouro, uma suposição pertinente, ou que o brilho da cruz em ouro se reflectisse nas merletas. Também poderia ser entendido por alguns como derivado de um nimbo cruciforme formado pelo aro da moeda e pela cruz, o todo a espalhar algo da claridade para as pombas; mas não existem cores nas moedas e Eduardo não era ainda reconhecido como santo.

 

O Rei em Winchester

Deixem-nos ainda fazer mais uma observação sobre a metodologia parofónica. A vasta maioria das metonímias do referente são de carácter geográfico e ainda não aplicámos nenhuma. Por quê será? Provavelmente porque estas armas baseavam-se numa representação numismática e que estas demandassem uma inspiração distinta. Lembramos que as três metonímias já encontradas baseavam-se na antroponímia - Edouard Et due harde - e na condição de Eduardo - Seint Cinc e C(e)roi Crois. Isso é decididamente surpreendente se formos compará-las com as representações típicas e ainda mais seria se não existissem parofonias suplementares e consequentemente quaisquer metonímias geográficas.

A capital de Eduardo o Confessor era Winchester e apenas mais tarde com a conquista normanda iria transferir-se para Londres. Já vimos nas armas de Sagremor - Aquincenses Ac quini sentes - que estes demónimos podem ter um papel importante para traduzir o referente em imagens. Esse também é o caso para o Rei Eduardo, não na forma plural usada para o cavaleiro húngaro imaginário mas apenas como mais uma circunstância da sua vida: alguém que viveu em Winchester. Note-se que Eduardo não nasceu ali; a parofonia está ligada à cidade como capital do Reino, não ao local de nascimento do Rei.

A parofonia constrói-se usando j' Wincestrin (ano. eu Winchestrense) ~ juints cestrins (ano. juntos amarelo-limão). Não foi possível encontrar a palavra anglo-normanda específica Wincestrin ou, já agora, qualquer outra, para os habitantes de Winchester. É possível, porém, achar Wincestre para o nome da cidade e compará-la então com outros gentílicos conhecidos, como Parisin, inferindo-se as conclusões necessárias. “Juntos” refere-se a qualquer coisa que possa ser enumerada dentro do escudo, excluindo-se obviamente o campo por incontável e ademais necessário ao contraste.

 

Um Tom Francês

Repare-se ainda que Je (ano. Eu) transforma-se em J' perante sons vocálicos mas mesmo ao preceder consoantes na prática oral e além disso que os plurais terminados em “s” são mudos. A pronúncia da primeira sílaba de Wincestrin poderia muito bem ser [win] em vez de [wẼ], de acordo com a natureza local da palavra. O índice de discrição seria alterado ligeiramente de k = 0,0 para k = 0,30, nada de alarmante, mas preferimos acompanhar o óbvio desígnio de uniformização sonora, exagerando talvez o entusiasmo referente aos aspectos francófonos do anglo-normando.

 

Metonímias

Tanto o denominante como o designante vêem o seu significado restringido pela metonimização. O primeiro através de duas metonímias convergentes:

Eu > brasão > armigerado > Eduardo

Winchestrense > vive em Winchester > o rei > Eduardo

O segundo como duas metonímias simples distintas:

juntos > todos > figurações > cruz e merletas

amarelo-limão > amarelado > ouro

 

Santas Aves

Poderíamos ter classificado a última metonímia como uma sublimação, em que o tom dourado reflectisse a escolha mais lisonjeira dentre todos os amarelos possíveis. Mas veja-se que já temos um pretexto cromático baseado nas flores-de-lis e que além disso um qualquer amarelo que aparecesse seria inevitavelmente descrito como ouro. Daí que a cor da cruz e das merletas deva ser entendida não como amarelo-limão mas como ouro, transformado e descrito pelas práticas do brasonamento. Isso não acontecerá sempre, algumas figurações necessitam de manter a sua identidade amarela de modo a garantir a consistência. As metonimizações cromáticas não ocorrem então, contradizendo a sua descrição no brasonamento, uma linguagem convencionalizada.

Necessitamos ainda de justificar o porquê das aves amarelas no enredo dos traços heráldicos das armas. Parece insuficiente afirmar que as cores provêem da parofonia amarelo-limão. É esta coerência que mantém o todo visual unido e ajuda a afirmar que seria muito difícil que proviesse de qualquer outro motivo que não fosse a intenção. Cestrin está frequentemente associado com a descrição de pedras preciosas. Tudo o que poderíamos imaginar naquele período seriam algumas pedras engastadas na cruz, o que não é o caso. Adicionalmente, não havia capacidade técnica para lapidar as gemas na forma da cruz ou das merletas por inteiro.

Deveremos buscar outra explicação. Voltemos atrás até à identificação das cinco merletas com a santidade do Rei Eduardo através do seu número, Seint ~ Cinc e respectiva condição de bando, Edouard ~ Et due harde. É legítimo pensar que a cor pudesse estar associada com essa condição. Não deveriam reflectir, portanto, o brilho da cruz em ouro, como suposto anteriormente, mas um resplendor interno de santidade.

 

O Resplendor Interno

Este resplendor é representado convencionalmente por um halo ao redor da cabeça dos santos quando se desenham figuras humanas. No que se refere a pássaros, a pomba do Espírito Santo surge de hábito como inteiramente branca com um resplendor amarelado à sua volta que emerge do interior. Seremos informados no quinto nível semântico de que o esmalte azul é “bento” assim não haveria qualquer vantagem semântica em diluir o campo com um halo. Pareceria de qualquer maneira uma técnica bizarra para um brasonamento deste período. O que aconteceu é que o autor do brasão simplificou o halo resplandecente através do esmalte das merletas, transformado a partir do seu brilho interior amarelado. De um modo similar, uma estrela é encoberta por uma nuvem branca e altera o seu esmalte de ouro para negro nas armas de Sagremor. Uma técnica realista teria colorido toda a nuvem de branco, mas deste modo não explicitaria o astro ainda escondido, ignorando a sua presença. Tudo o que precisamos para o enredo heráldico é uma construção credível, que possa “justificar” os aspectos determinativos da parofonia a montante, mesmo se insólitos, uma vez que derivam do acaso.

 

 Eduardo o Confessor - Cruz e cinco Merletas em ouro

Eduardo o Confessor - Armas de Fantasia (IV)

Classificação Descrição
Armas de Fantasia R Eduardo o Confessor
Demónimo M Winchestrense
Língua de Conquista V Anglo-Normando
Denominante A J' Wincestrin
Metonímia convergente S Eu > brasão > armigerado > Eduardo
S Winchestrense > vive em Winchester > rei > Eduardo
Grafemização A  J'  |    |  W  |  I  |  N  |  C  |  E  |  S  |  T  |  R  |  I  |  N 
Fonemização denominante A Z  |  w  |  Ẽ  |  s  |  E  |  s  |  t |  R\  |  Ẽ
Emparelhamento A Z  |  w  |  Ẽ  |  s  |  E  |  s  |  t |  R\  |  Ẽ
A Z  |  w  |  Ẽ  |  s  |  E  |  s  |  t |  R\  |  Ẽ
Coeficiente de transposição A 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 
Coeficiente de carácter A 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 
Coeficiente de posição A 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 
Parcelas A 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 
Índice de discrição A k = 0,0
Fonemização designante A Z | w | Ẽ | s | E | s | t | R\ | Ẽ
Grafemização A J | U | I | N | T | S | | C | E | S | T | R | I | N | S
Designante A juints cestrins
Coloração E amarelo-limão
Monossemia simples S ouro
S amarelo-limão
Esmalte H De azul
Número H uma
Figuração H cruz
Aspecto H florenciada
Esmalte H amarelo-limão em ouro
Localização H acantonada de
Número H quatro
Figuração H merletas
Conectivo H e
Número H mais outra
Localização H em ponta
Número H todas
Metonímia simples S juntos > todos > figurações > cruz e merletas
Metonímia simples, Redundância S amarelo-limão > amarelado > ouro
Esmalte H amarelo-limão do mesmo
Imanência, Redundância C ouro (flores-de-lis)
Contraste C azul

(próximo artigo nesta série V/VI)



Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 21:55
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Quinta-feira, 28 de Junho de 2012

Sagremor: Estrelas

Sagremor - Armas de Fantasia

 

(poderá ler 1º um artigo mais simples aqui ou usar a terminologia / pesquisa)

Tratando-se das armas fantasiosas de um personagem que também não pertence ao domínio das pessoas tangíveis, as considerações históricas não são tão determinantes como em circunstâncias autênticas; isso não quererá dizer que deixem de se ater à realidade. Existem distintas versões que descrevem Sagremor, apenas retemos a mais consensual e que parece corresponder às armas em estudo, decerto devem tê-las inspirado. Sagremor, dito “O Desvairado”[1], da Hungria ou de Constantinopla era um dos Cavaleiros da Távola Redonda, filho do rei da Hungria e da Valáquia, que tinha vindo à corte do Rei Artur para juntar-se à mãe, Indranes, filha de Adriano, imperador de Constantinopla, entretanto viúva, agora casada com o rei Brangore[2]. Esta escassa biografia é suficiente para que desenvolvamos a nossa análise, tanto mais que no método parofónico devemos, acima de tudo, determinar bem a situação geográfica na génese do brasão. Além disso, Sagremor foi usado por nós como paradigma para o estabelecimento de um limiar comparativo com o objectivo de medir o índice de discrição[3]. Assim este estudo tem o atractivo suplementar de não poder ter sido escolhido em função de uma qualquer conveniência facilitadora da nossa tarefa.

O latim deverá ser a língua mais adequada para activar o processo de verbalização que se nos apresenta. Desconfiamos da capacidade de expressão em húngaro do criador das armas e verificamos mais uma vez a longínqua situação geográfica do tema armorial em relação a este, possivelmente na esfera anglo-normanda ou francesa. A metonímia do referente neste segundo nível semântico recorre ao gentílico dos nascidos na capital húngara ao tempo do Rei Artur, Aquincum, junto à actual cidade de Buda, embora a continuidade de ambas talvez não se verifique. Contudo, o enredo das lendas arturianas é tipicamente contemporânea aos seus autores medievais, daí que Aquincum deva referir Buda, como versão para o latim, e não a própria Aquincum. Penso que Aquincenses não descreva os súbditos húngaros daquela cidade mas, particularmente, a origem familiar de Sagremor. Seria possível usar o singular, Aquincensis, para centrar melhor o foco semântico na pessoa em epígrafe.

O cálculo do índice de discrição não apresenta quaisquer novidades pelo que, desta vez, não justificaremos em pormenor a sua obtenção. As análises anteriores serão suficientes para compreender os procedimentos usados. Apenas observamos que o valor final, k = 0,31, é perfeitamente credível, levando-nos a acolher a hipótese parofónica. Obtida a parofonia Aquincenses ~ Ac quini sentes, passaremos a analisar cada um dos seus termos.

A conjunção aditiva ac (lat. e) não é apenas um artifício parofónico. Na verdade faz depender o conjunto ac quini sentes de outros componentes parofónicos que eventualmente viessem a aparecer. Neste aspecto é uma redundância porque os traços heráldicos dependem, na verdade, do seu próprio processo de sematização. Diga-se que não sabemos qual a ordem original pela qual constituíram-se os traços heráldicos; é admissível que, de um modo geral, fosse um processo repetitivo, ajustando-se a pouco e pouco uma solução satisfatória. O termo quini (lat. cinco cada um) denota não apenas a quantidade cinco mas também que ela diz respeito a mais do que uma figuração. Por inerência sugere que se disponham estes cinco sub-elementos num arranjo, interpretado como um polígono estrelado. Estabelecidos o numeral e a conjunção, seria útil mais concisão no terceiro termo, permitindo determinar algo de substantivo para o desenho do brasão. Isso fez-nos preferir sentes (lat. silvas, espinhos) a sentis (lat. sentes, percebes) ou ao declinado sentus/sentis (lat. espinhoso) ou mesmo ao parofónico censes (lat. contas, avalias).

A etapa de sematização realiza-se por monossemia simples, se bem que não seja perceptível de imediato. Só através da metonímia cinco espinhoscinco pontas estrela fica estabelecida uma ligação clara entre o designante e o traço heráldico. A escolha de um tema geométrico ou astronómico em lugar de, por exemplo, um traço vegetalista, uma espora ou um estrepe, poderia nos fazer suspeitar da existência de uma simplificação extremada, habitual na heráldica mais antiga. Não pondo inteiramente de parte este contágio, é de assinalar que o terceiro nível semântico, a estudar no próximo artigo, exige a temática sideral.

Apesar da simplicidade é preciso consignar o efeito dos agentes de complementação, intrínsecos à construção dos traços. Logicamente, há uma simetria radial dos raios estelares e as figuras estão orientadas segundo uma estabilização horizontal, na única posição possível para o “apoio” simultâneo em duas pontas. Mais ainda, cada localização depende fundamentalmente da posição da estrela negra. Esta surge no centro do cantão e a partir daí fica condicionada a posição da segunda estrela, no alinhamento da primeira e a uma igual distância da borda. A terceira deverá colocar-se no eixo vertical, obedecendo também à homogeneidade dos distanciamentos. A disposição em contra-roquete acompanha a forma geral do escudo e por esta mesma razão é sempre a favorita para o arranjo de três figurações, não sendo necessário enunciá-la no brasonamento. Resta manter as proporcionalidades dimensionais pelo preenchimento harmónico do campo e impor a absoluta igualdade das figurações.

Esta versão das armas de Sagremor obedece integralmente à lei dos esmaltes[4]. Será mesmo esta normativa que ajudará a compreender mais tarde a razão da sua escolha. Por agora limitar-nos-emos a reter a ligação do metal dourado das estrelas ao fenómeno luminoso, conexão bem frequente nas análises efectuadas no passado. Também é possível que estas figurações fossem tomadas por planetas, dados a sua dimensão aparente e brilho que tende ao amarelado. Um brasonamento descreve: “de gueules à 2 planètes d'or, au franc-canton d'argent à une planète de sable[2].

Seria viável usar outros esmaltes como o prateado ou o azul mas a conjugação de todas as cores necessárias ao desenho não o aconselhará. Por outro lado, a presença de uma estrela negra, inexplicável pela imanência luminosa, entende-se perfeitamente ao avançarmos que representa o seu oposto, a escuridão. Este obscurecimento é semanticamente transitório e por isso o segundo nível deverá ser representado por todas as três estrelas em dourado. Por último, referimos que a partir daqui representaremos os traços de outros planos semânticos pela cor amarelo-banana[5], de modo a realçar apenas os elementos pertinentes à discussão.

[1] Tradução livre de desreez › dérangé.

[2] MERLET, Lucien - Coutumes des Chevaliers de la Table Ronde - Mémoires de la Société Archéologique d'Eure-et-Loir - Tomo VI - Chartres - Petrot-Garnier Libraire - 1876.

[3] Por Michel Pastoureau ter sugerido umas armas falantes Sagremor ~ sycomore, a nosso ver no limite da razoabilidade, daí tornar-se num limiar adequado para a aceitação das demais parofonias: “Pour doter Sagremor d’armoiries la solution la plus simple aurait été de lui donner une figure parlante, en occurence un sycomore”, nas Referências Bibliográficas (PASTOUREAU, 1986, p. 25).

[4] Ver, contudo, a versão, quase certamente adulterada, que se menciona em: SCOTT-GILES, Charles W. - Some Arthurian Coats of Arms - Coats of Arms - nº 64-65, 1965/1966 - Baldock: Acedido a 27 de Junho de 2012, disponível em: <http:// www.theheraldrysociety.com>, 2012. 

[5] Cor que dificilmente aparecerá nos brasões, evitando-se ambiguidades, e de contraste satisfatório com os esmaltes heráldicos.

 



Sagremor - Armas de Fantasia (II)

Classificação Descrição
Armas de Fantasia R Sagremor
Demónimo M Budenses
Língua de Fantasia V Aquincenses (latim)
Denominante A Aquincenses
Grafemização A  A  |  Q  |  U  |  I  |  N  |  C  |  E  |  N  |  S  |  E  |  S 
Fonemização denominante A a  |  k  |  w  |  i  |  N  |  s  |  e |  N  |  s  |  e  |  s
Emparelhamento A a  |  k  |  w  |  i  |  N  |  _  |  s  |  e |  N  |  s  |  e  |  s
A a  |  k |  w  |  i  |  N  |  i  |  s  |  e  |  N  |  t  |  e  |  s
Coeficiente de transposição A 0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0
Coeficiente de carácter A 0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0
Coeficiente de posição A 0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0
Parcelas A 0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0
Índice de discrição A k = 0,31
Fonemização designante A a | k |  | k | w | i | N | i |  | s | e | N | t | e | s
Grafemização A A | C |  | Q | U | I | N | I |  | S | E | N | T | E | S
Designante A ac | quini | sentes
Qtd+ Geomª + Geomª E e cinco + espinhos + cada um(a)
Redundância S existem outros níveis semânticos
S e
Monossemia simples S estrelas
S cinco espinhos cada uma
Esmalte H De vermelho
Número H um
Separação H cantão
Esmalte H de prata
Conectivo H e
Número H cada, 3 três
Metonímia simples S 5 espinhos > 5 pontas > estrela
Figuração H 5 pontas estrelas de cinco pontas
Imanência C estrela
Simetria C radial
Orientação C estabilidade
Localização C estrela negra
Disposição H 2, 1 (em contra-roquete)
Imanência C constelação
Preenchimento C área do escudo
Simetria C eixo do escudo
Centralidade C abismo
Número H 3 - 1 = 2 duas
Esmalte H luz de ouro
Imanência C estrela
Contraste C vermelho
Conectivo H e
Número H uma
Esmalte H de negro
Localização H no cantão

(próximo artigo nesta série II/III)



Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 13:17
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