Terça-feira, 6 de Novembro de 2012

Reis de Jerusalém: Cruz Potenteia

Reis de Jerusalém

 

Hierosolimitanos

Para além da denominação dada à residência em si, a parofonia usa demónimos ou gentílicos - nomeando os habitantes enquanto tais - uma forma habitual de mudar o referente noutra palavra que irá transformar-se em imagem. Os Reis de Jerusalém viviam na sua capital sendo por isso hierosolimitanos; seria razoável verificar se estariam incluídos, já depois da metonímia referente, nas armas que lhes correspondiam. É de lembrar que tínhamos exemplificado este comportamento parofónico noutros estudos: os demónimos Aquincenses (lat. budense), a identificar a capital da Hungria, e J'Wincestrin (ano. Eu winchestrense), em associação com a antiga capital da Inglaterra.

Após estas considerações chegámos à parofonia: Hierosolimitains (fra. hierosolimitanos) ~ Hirauts sols limitants (fra. arautos únicos limitantes). Um denominante extenso a gerar um designante de dimensão equivalente; não obstante, foi possível obter um índice de discrição k = 0,41. A combinação destas palavras é difícil de replicar por quaisquer outras e sugere que, ou se aceita a solução, ou não será possível encontrar um substituto viável através das mesmas premissas básicas.

 

Arautos e Boas Novas

O termo Hirauts (fra. arautos) é rico em acepções, definindo uma polissemia simples, capaz de produzir ao menos quatro traços heráldicos. Em representação dos Evangelistas é responsável pelas obras de João, Lucas, Marcos e Mateus, definindo portanto o número quatro. Destes derivamos as formas rectangulares, oportunistamente tomadas como quadrados a ajustarem-se aos cantões da cruz principal. Os documentos escritos daquela época usavam o pergaminho, daí que o esmalte prateado seja uma coloração própria aos livros, ao admitir-se a encadernação mais simples possível. Por fim, os Evangelhos adornavam-se frequentemente com cruzes e as cruzetas nos quadrados adaptam-se bem à sua nova condição: simples iluminuras das escrituras sagradas.

 

As Fronteiras da Cruz

O comportamento monossémico habitual reaparece nos restantes componentes do designante. Sols (fra. únicos) denota quantidade e diz que não se consentirão mais cruzetas do que as necessárias à simbologia dos quatro Evangelhos. Limitants (fra. limitantes) declara que os quatro livros obedecem às instruções fornecidas antes por entur (fra. à volta) e dispõem-se em torno da cruz, como ditava “entre”, arredado por agora deste nível semântico. Nesta declaração do designante estava-se a pensar porventura em outras variantes das armas de Jerusalém a incluir um grande número de cruzetas, uma vez que aquelas também cercavam o móvel principal. Poderia ser usada a versão alternativa sols imitants (fra. únicos imitadores), redundância de imitants × cions. Mas a parofonia iria perder demasiada solidez, o fim do primeiro vocábulo funde-se com o início do segundo e soa como [z] em vez de permanecer mudo.

Seria ainda possível que os livros e respectivas cruzetas assumissem papéis mais próximos ao enredo exequial, e talhassem a pedra junto à cruz. Esta interpretação integraria ambos os níveis semânticos em um único tema, o epitáfio, ou simplesmente transformá-los-ia num novo artefacto, talvez um selo, se acompanharmos a sugestão de Mateus 27:66 “E eles foram pôr o sepulcro em segurança, selando a pedra e confiando-o à vigilância dos guardas”.

 

A Mensagem dos Evangelhos

Ao seguir a trama do nosso enredo, poderia parecer que a importância do finado devesse impor uma conexão com hirauts. Quem eram os arautos de Jesus? Representariam necessariamente a repercussão dos seus ensinamentos; ele já não estava disponível para fazer-se ouvir. Parece-nos útil dividir as primeiras contiguidades em duas sucessões distintas. Embora “Evangelho” não apareça a concluir a primeira sequência, esta palavra ajudará a definir tudo o mais. Refira-se que, por concisão, nem sempre mencionamos algumas das transformações mais evidentes. A metonimização que se segue, a mais importante de todas, segue do arauto até a mensagem, convergindo para outra que parte de Jesus em direcção à Sua mensagem, porque “Evangelho” pode ser traduzido como um “anúncio de boas novas”:

arauto > mensageiro > mensagem

Jesus > pregador > Evangelho > mensagem

As quantidades dependem de duas metonímias simples independentes, reconhecendo a variedade dos quatro Evangelhos aceites e usando “únicos” como dissuasor de mais cruzetas:

Evangelho > Evangelistas > quatro

únicos > quatro ou menos

A forma deriva das propriedades geométricas elementares do objecto considerado:

Evangelho > livro > rectangular > quadrado

As cruzetas já existentes assumirão o carácter de desenhos simbólicos sob a forma de iluminuras:

Evangelho > pregador > Jesus > cruz(etas)

A cor dependerá do material usado na capa; poderia considerar desde uma encadernação despojada até a mais exuberante, embora apenas a primeira seja conservada:

Evangelho > livro > pergaminho > esbranquiçado

Evangelho > livro > marfim > esbranquiçado

Evangelho > livro > prata > prateada

 

Grega e Potenteia

Os livros dispõem-se sobre a cruz grega de modo a fazer surgir uma cruz potenteia aos olhos do observador. A razão pela qual os autores das armas optaram por esta obstrução parcial parece evidente: um esforço para destacar os Evangelhos, apesar da camuflagem cromática. A disposição final assegura a visibilidade de todos os quatro lados de cada um dos polígonos. Estes são brancos, a cor dos Evangelhos, sobre branco, imitando a pedra do Sepulcro e iriam desvanecer-se ao suster os cantões de uma cruz grega. A despeito desta engenhosa composição, talvez devido à influência cultural da cruz de Jerusalém, será difícil para a maior parte dos observadores detectar os quadrados de imediato.

Poderemos comparar a dita disposição e as armas da linhagem portuguesa dos Evangelho trazendo o seguinte: “de azul uma cruz de ouro cantonada por quatro besantes de prata figurados respectivamente de uma águia, um anjo, um boi e um leão”. Não se sabe se inspiraram-se nas armas de Jerusalém mas mostram ao menos que a ideia era de todo natural, ao combinarem-se os quatro livros dos Evangelhos e os quatro braços e cantões da cruz.

 

Além do Brasonamento

Para auxiliar a aplicação das nossas parofonias ao seu efeito visual objectivo, tivemos de alterar a descrição inicial do brasão (a). Os brasonamentos destinam-se a facilitar a reprodução heráldica através do seu texto mas nem sempre preservam as ideias originais. A manter a coerência, deveria constar a cruz grega em vez da cruz potenteia, mas isto complicaria ainda mais as coisas, assim, apenas adaptámos a conclusão da frase e substituímos “entre” por outras palavras mais apropriadas que reflectissem a melhor correspondência com a génese semântica de todos os traços heráldicos (b).

(a) De prata uma cruz potenteia de ouro entre quatro cruzetas do mesmo.

(b) De prata uma cruz potenteia de ouro, sustida nos cantões por quatro quadrados do primeiro, cada um carregado com uma cruzeta do segundo.

A disposição difere um pouco do que foi visto no último nível semântico, então descrita como: 1 1 & 1 1. Desta vez os quatro quadrados sustêm a cruz, querendo isso dizer que tocam com os seus lados nos espaços definidos pela cruz nos cantões. Não há qualquer abreviatura disponível para este género de arranjos de modo que imaginámos a notação: 1 | (1) | 1 & 1 | (1) | 1, que se lê: “um sustém só sustém um e um sustém só sustém um”. As barras verticais “|” designam cada sustentação através das peças individuais “1” (cada um dos quadrados) de uma outra peça no interior de um parênteses “(1)” indicando que esta é a mesma ocorrência da peça só (a cruz principal) onde quer que apareça repetida por conveniência da notação. Embora inútil na heráldica medieval, pensou-se na sua aplicação a outros fenómenos figurativos que compartilhem as mesmas ideias fundamentais, já em existência há muitas centenas de anos atrás.

 

Seguem-se as Cores

Naturalmente poderíamos considerar o couro, o metal, a madeira ou quaisquer materiais adequados à protecção dos livros mas apenas incluímos aqueles que justificassem a cor branca ou prateada. A solução metálica parece menos viável porque insinua uma cruz em ouro, que iria contradizer as proposições do próximo nível semântico. O conjunto de escolhas disponíveis parece vasto e qualquer um ficaria curioso por saber a motivação de estenderem-se os livros sobre a cruz e de evitarem-se esmaltes contrastantes. A camuflagem terá sido intencional? É difícil dizer.

O brasão dos Reis de Chipre e Jerusalém, na segunda parte deste estudo, irá justificar-se durante os seis últimos níveis semânticos. Como esta representação é idêntica à da primeira parte, poderia acontecer que uma versão tenha-se “acomodado” à outra; a coloração dos Evangelhos é precisamente um dos poucos traços heráldicos a permitir a liberdade de escolha nestas armas. Como é óbvio, não sabemos quando surgiram ambas as versões e avançar a proposição de uma génese simultânea seria, no mínimo, prematuro. Contudo, apenas no que diz respeito às armas dos Reis de Jerusalém, as considerações cromáticas finais serão tratadas no próximo artigo que analisará as possíveis razões para a infracção à “lei dos contrastes”.

 

Reis de Jerusalém - Evangelho

Reis de Jerusalém (V)

Classificação Descrição
Armas de Domínio R Reis de Jerusalém
Demónimo M Hierosolimitanos
Língua de Conquista V Francês
Denominante A Hierosolimitains
Grafemização A H|I|E|R|O|S|O|L|I|M|I|T|A|I|N|S
Fonemização denominante A je | R\ | o | z | o | l | i | m | i | t | Ẽ
Emparelhamento A je | R\ | o | z | o | l | i | m | i | t | Ẽ
A i | R\ | o | s | o | l | i | m | i | t | Ã
Coeficiente de transposição A 0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0
Coeficiente de carácter A 1,0|0,0|0,0|0,5|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,5
Coeficiente de posição A 1,5|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,5
Parcelas A 1,5|0,0|0,0|0,5|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,3
Índice de discrição A k = 0,41
Fonemização designante A i | R\ | o | s | o | l | i | m | i | t | Ã
Grafemização A H|I|R|A|U|T|S| |S|O|L|S| |L|I|M|I|T|A|N|T|S
Designante A Hirauts sols limitants
Notoriedade E arautos
Metonímia convergente S arauto > mensageiro > mensagem
S Jesus > pregador > Evangelho > mensagem
Quantidade E únicos
Geometria E limitantes
Polissemia simples S quatro + quadrados + prata + cruzetas
S arautos
Monossemia composta S quatro | (entre)
S únicos | limitantes
Esmalte H De prata
Número H uma
Figuração H cruz
Aspecto H potenteia
Esmalte H de ouro
Disposição H 1 | (1) | 1 & 1 | (1) | 1 sustida
Localização H define a cruz potenteia nos cantões
Conectivo H quadrados cruz por
Número H João, Lucas, Marcos, Mateus quatro
Metonímia simples S Evangelho > Evangelistas > quatro
Metonímia simples S únicos > quatro ou menos
Figuração H rectangular quadrados
Imanência C livro
Encobrimento C cruz grega
Orientação C imanência de livro
Metonímia simples S Evangelho > livro > rectangular > quadrado
Esmalte H esbranquiçado do primeiro
Imanência C pergaminho
Contraste C ouro, prata
Metonímia simples S Evangelho > livro > pergaminho > branco
Número H 1 + 1 + 1 + 1 cada um
Localização H Evangelho carregado
Centralidade C diagonais do quadrado
Conectivo H quadrados cruzetas com
Número H 1 uma
Metonímia simples S Evangelho > pregador > Jesus > cruz(eta)
Figuração H cruzeta
Esmalte H do segundo

 


Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 14:02
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Sábado, 20 de Outubro de 2012

Reis de Jerusalém: Disposição das Cruzetas

Reis de Jerusalém

 

A Torre de Godofredo

Uma vez que justificámos a presença das cruzetas, é tempo agora de determinar o motivo da sua configuração e aperfeiçoar a definição do número respectivo. As fontes mostram várias quantidades ao longo do tempo; é razoável supor que não existisse disponível para as parofonias nenhuma exigência rigorosa e de aplicação universal. Foi possível, contudo, fundamentar o arranjo e o número tomando-se como ponto de partida a Torre de David.

Acreditava-se que a Torre de Phasael estivesse na antiga cidadela do Rei David, designada em sua homenagem graças a esta confusão, como Torre de David. Godofredo de Bulhão usou a Torre como seu palácio e esta situação manteve-se até 1104, quando a Cúpula do Rochedo transformou-se em residência real; ambas apareceriam em peças numismáticas locais. A Cúpula foi dada à Ordem do Templo em 1119 e os reis mudaram-se então para um novo palácio, próximo à Torre de David.

 

Vizinhos mas não Residentes

Em conformidade, o emparelhamento denominante ~ designante estabelece-se com: en Tur (fra. em Torre) ~ entur (fra. à volta). Empregou-se a preposição en em lugar de dans la (Tur) ou en la (Tur) porque deveria referir um estado ou uma situação, em vez de uma localização dentro do mencionado edifício; exemplificamos ainda com en prison e dans la prison. De facto a Torre de David refere não só a torre como também a cidadela onde foi construído o terceiro palácio dos Reis de Jerusalém.

Poderá ter actuado acessoriamente como um tributo heráldico tardio a Godofredo, mas prevalece o conceito da residência num bairro chamado Torre de David onde viveu o primeiro Rei a usar estas armas. Assim, não podemos inferir desta representação heráldica da Torre que as armas foram concebidas durante a vida do Protector do Santo Sepulcro, a menos que documentação convincente apareça para provar o oposto. Mesmo depois de perder a sua condição de paço, a construção ainda aparece durante muito tempo nas moedas dos sucessores de Godofredo. O estudo do sexto nível reforçará os indícios desta relação.

 

Sem Metonímias

As metonímias são necessárias em especial quando o significado do designante é visualmente inadequado ou a etapa de especificação é impotente para decidir entre as opções disponíveis.  Aqui não ocorrem metonimizações; o conceito de “à volta” é mais do que suficiente para os objectivos do delineamento heráldico: temos apenas de considerar as peças de que dispomos. O designante entur refere portanto que algo, entendido como as cruzetas, deve circundar uma outra entidade, interpretada como a cruz. Não existem outras figurações presentes e o inverso seria inviável.

O termo “entre”, saído do escasso vocabulário do brasonamento, é desajeitado mas engenhoso, a declarar que as cruzetas devem ser colocadas a intermediar cada dois braços adjacentes na cruz. Deixa o restante da estrutura para os complementos heráldicos de modo a alcançarem-se os resultados visuais definitivos.

 

Um Quadrado à Volta

As considerações acima e o visível, embora aparente, contacto físico entre todos os cinco elementos não expõem, possivelmente, uma construção semântica primitiva mas a consequência de outras necessidades fundamentais que apenas surgirão explícitas no quinto nível. Já sabemos que as primeiras versões conhecidas das cruzetas não tocam a cruz maior, ao invés disso estão espalhados ordenadamente pelos cantões. Nesta fase pode-se constatar que as cruzetas estão adjacentes à cruz mas uma vez concluído o desenho do brasão o seu aspecto vai alterar-se: as quatro figurações menores estarão situadas no meio dos cantões de uma cruz potenteia.

Referimos ainda outras complementações mais evidentes: o preenchimento será regulado pela dimensão das cruzetas a pelo espaço deixado livre nos cantões; quanto à simetria dependerá das diagonais que passam pela intersecção dos braços centrais e, simultaneamente, da própria cruz. O centro do escudo regrará a centralidade do grupo de cruzetas como já fez para a cruz, organizando uma espécie de quadrado imaginário que passa através dela.

 

Organizem-se as Cruzetas

Devemos distinguir agora três circunstâncias distintas para as características complementares das cruzetas. A primeira já foi abordada no último nível semântico onde a orientação e a simetria referiam-se aos componentes próprios a cada cruzeta. A segunda trata da sua situação isolada com respeito ao espaço envolvente. Uma terceira considera como todas as cruzetas irão relacionar-se em conjunto com os outros elementos e com o escudo. Há uma quarta situação, a incluir um componente suplementar camuflado, que será conhecida posteriormente.

Para mostrar com maior clareza a estrutura semântica seria preciso distinguir a posição e a disposição ao brasonar, como se mostra na tabela abaixo. O problema é que a disposição está incorporada no sentido de “entre” enquanto que, ao mesmo tempo, os quatro elementos menores são obstruídos pela peça principal. O brasonamento não permitirá descrever a situação com o termo “dois e dois”, previsto para contiguidades repetitivas. Em consequência, imaginou-se uma descrição alternativa que pudesse adaptar-se a esta circunstância pela junção de um “+” ou “mais” sempre que exista um espacejamento mais extenso ou outros elementos inseridos entre peças idênticas alinhadas na horizontal. Daí, o arranjo que se considera actualmente seria descrito abreviadamente como “um mais um e um mais um” ou “1 + 1 e 1 + 1”.

 

Quatro ou Mais

Vimos que até agora não houve necessidade de substanciar um número preciso de cruzetas no brasão e, de facto, elas surgem de modo distinto nos documentos mais antigos. Como ignoramos o aspecto exacto da primeira de todas as descrições das armas de Jerusalém, é possível que um entendimento posterior atribuísse algum significado àquelas quantidades dissimilares, ou mesmo conformassem-se com um arranjo coerente ao incluir um referente adicional, ou até deixando tudo à mercê do efeito de avaliações pragmáticas que não interferissem parofonicamente com os traços heráldicos correspondentes.

Entretanto, o limite inferior para a quantidade de cruzetas foi alargado. Enquanto que cions garantia ao menos dois elementos, entur acrescentará mais duas unidades a esta restrição. A cruz possui quatro reentrâncias entre os pares de braços adjacentes e cada uma deve estar provida de uma cruzeta ao menos; essas quatro são o mínimo suficiente para preencher o perímetro. Atingimos assim o número visível na representação clássica que estamos a estudar e talvez sejamos tentados a abandonar outras quantidades por injustificáveis.

             

Tantas Quantas Sejam Necessárias

No começo, a noção de “rebentos” desencadeou o aparecimento de outras versões para as armas de Jerusalém, com catorze ou quinze cruzetas. Poderíamos explicá-los como os três Evangelistas ulteriores ao enredo heráldico mais os doze Apóstolos, incluindo-se aí João e Matias, ou contando-se apenas onze Discípulos à data da crucifixão no caso das catorze cruzetas. Ademais, não seria difícil de imaginar as cruzetas dispostas à volta da cruz do Mestre como seguidores a ouvir as suas palavras, mas já assumiu-se que Ele estava definido no enredo visual como um cadáver. Talvez a ideia inicial não fosse tão específica e contasse as ditas quantidades indistintamente como uma multidão, a Igreja. 

A reunião dos conceitos formais gerados pelas quatro parofonias iniciais Ézéchias ~ Exequies, Jérusalem ~ Je ruse la haine, Sion ~ Cions e en Tur ~ entur está presente na maior parte das variedades conhecidas das armas de Jerusalém: uma cruz rodeada por cruzes menores. Os níveis que se seguem terão sido um acréscimo eventual e posterior ou constituiriam uma disposição alternativa dos elementos, a desconsiderar algumas das suas características anteriormente definidas. Continuaremos com a justificação da existência estrita de apenas quatro cruzetas e a conformação simultânea da típica cruz potenteia que todos conhecemos.

 

Reis de Jerusalém - Disposição

Reis de Jerusalém (IV)

Classificação Descrição
Armas de Domínio R Reis de Jerusalém
Residência M em Torre (de David)
Língua de Conquista V Francês
Denominante A en Tur
Grafemização A  E  |  N  |    |  T  |  U  |  R 
Fonemização denominante A  ã  |  t  |  u  |  R\ 
Emparelhamento A  ã  |  t  |  u  |  R\ 
A  ã  |  t  |  u  |  R\ 
Coeficiente de transposição A 0,0 |0,0 | 0,0 | 0,0 
Coeficiente de carácter A 0,0 |0,0 | 0,0 | 0,0 
Coeficiente de posição A 0,0 |0,0 | 0,0 | 0,0 
Parcelas A 0,0 |0,0 | 0,0 | 0,0 
Índice de discrição A k = 0,0
Fonemização designante A  ã  |  t  |  u  |  R\ 
Grafemização A E | N | T | U | R
Designante A entur
Geometria E à volta
Monossemia simples S entre
S entur
Esmalte H De prata
Número H uma
Figuração H cruz
Aspecto H potenteia
Esmalte H de ouro
Localização H cantões da cruz entre
Simetria C diagonais radiais
Preenchimento C área dos cantões
Disposição H à volta (1 + 1 e 1 + 1)
Simetria C cruz
Centralidade C abismo
Número H quatro
Figuração H cruzetas
Esmalte H do mesmo

 (próximo artigo nesta série V/XII)



Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 17:47
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Sábado, 13 de Outubro de 2012

Reis de Jerusalém: Cruzetas

Reis de Jerusalém

 

Monte ou Cidade?

O par homofónico Sion (fra. Sião) ~ Cions (fra. rebentos) está entre as melhores parofonias encontradas nas Armas de Jerusalém. Foi perturbador achar uma conexão tão óbvia ao Reino, traduzindo-se em componentes visuais também evidentes, sem que nunca esta tenha chamado a atenção dos heraldistas de modo a considerarem-se as armas como falantes. Talvez não estejamos a ser razoáveis e alguém algures terá notado esta associação.

Não sabíamos se a metonímia do referente Sion, contígua ao Rei de Jerusalém, referia-se a Sião, ou seja à cidade de Jerusalém, ou ao Monte Sião ao sul da cidadela. Havia alguma confusão sobre a verdadeira localização daquele Monte e o seu relacionamento com o paço real dos cruzados, reflectindo-se na pesquisa do sentido da palavra usada para estabelecer os componentes heráldicos.

Assim que a resposta foi encontrada, foi necessário aumentar o número de níveis semânticos de dez para doze, acrescentando-se a residência real, ficando agora claro para nós que o denominante Sion representa a cidade de Jerusalém. Voltando ao denominante anterior Jérusalem, o qual também ignorávamos se estava ligado ao Reino ou à cidade, sabemos agora com segurança que se trata de uma metonímia referente do tipo territorial.

 

Simetria Grega ou Latina

Uma cruz grega organizaria melhor a simetria e é a forma mais simples possível no conjunto daquela classe de figurações. As cruzetas partilham a forma com a figuração principal mas numa escala diminuta, quase num padrão fractal; permitiriam a acomodação das suas cópias em qualquer um dos quatro cantões. Em contraste, uma cruz latina seria capaz de acolher perfeitamente bem os seus clones nos cantões inferiores mais alongados mas não nos cantões quadrados superiores, ou vice-versa, dependendo do seu tamanho relativo.

As diagonais de cada cantão ajudam a centrar a localização de cada cruzeta, mas este aspecto complementar da heráldica não é o motivo principal por detrás desta disposição, que será completamente justificada no próximo artigo. Relativamente à mesma questão enfatizamos o facto fundamental de que uma cruzeta grega (G) permanece a mesma a cada rotação de 90º em torno do seu centro ou reflectida através da direcção das hastes ou através dos eixos bissectores, preservando a invariância do conjunto de pontos e definindo um grupo de oito simetrias no plano. Uma cruzeta latina (L) permanece a mesma para a permutação identidade e para a reflexão através das hastes verticais. Consequentemente, apenas o primeiro móvel é capaz de assegurar um arranjo simétrico harmonioso de vários elementos, como se verá no artigo a publicar em seguida.

G L - rotação horária de 0º (identidade)

G - rotação horária de 90º

G - rotação horária de 180º

G - rotação horária de 270º

G - reflexão através dos braços horizontais

G L - reflexão através dos braços verticais

G - reflexão através do eixo a 45º

G - reflexão através do eixo a 315º

 

Bem Parecidas

Contudo, ainda se admite qualquer tipo de cruz nesta conjuntura, desde que todas compartilhem a mesma forma e mantenham a simetria radial. Como em qualquer acto replicável, devemos estar preparados para aceitar que algumas representações serão distintas das intenções primitivas e não seguirão as determinações parofónicas ali estabelecidas. Além disso, não estamos certos se o armigerado alguma vez conheceria estas regras parofónicas. Emitir moedas ou selos com base em descrições como “de prata uma cruz potenteia de ouro entre quatro cruzetas do mesmo” poderia ocasionar equívocos infelizes, arruinando discretamente partes cruciais do significado.

Há um exemplo heráldico similar e curioso onde está envolvida a coincidência de formas mas na direcção inversa, o sentido aparece a partir das imagens no brasão como desenvolvimento pragmático. Para as armas de Jerusalém deduzimos a similaridade partindo da parofonia. No caso do terceiro quartel das armas modernas de Aragão, mostrando quatro cabeças de mouros, acreditamos que a semelhança das figurações foi a razão principal para descreverem-se os naturais de Aragão como maños (ara. irmãos). Outros exemplos de símbolos territoriais usados em alcunhas estão disponíveis na nossa dissertação em Pragmática e Justificações.

 

A Ciência dos Cions

Considerando-se a flexão plural cions, esta indica mais de um elemento, enquanto que, por exemplo, a tradução inglesa offspring já não o faz. Trata-se de um outro tipo de problema que devemos enfrentar. O significado parofónico intencional será certamente único, mas não o método escolhido para transmiti-lo. Além do mais sabemos que, mesmo para a mesma língua, a passagem dos anos dotará a maior parte das palavras com distintas formas lexicais ou significados. Quando o investigador aplica uma língua inteiramente distinta para tentar reproduzir as condições iniciais nem sempre é viável manter todas as subtilezas da semântica correspondente.

Note-se que o designante cions não especifica aonde devemos posicionar as cruzetas. Apenas sabemos que não estão isoladas, devido ao sufixo, e todas serão semelhantes, se bem que menores do que a cruz central. Nada de mais específico é dito sobre a sua quantidade e onde jazerão no que diz respeito à figuração principal e ao campo. Apesar de quaisquer argumentos em contrário, uma interpretação correcta poderia muito bem mostrar apenas duas cruzetas por cima da cruz, pelo menos como as coisas se apresentam neste momento. Por certo, se nada mais existisse na parofonia que nos auxiliasse a compor as figurações, outras normas heráldicas complementares ajudar-nos-iam a obter uma resultado adequado, talvez próximo à representação vista ao alto desta página.

Por fim, o termo cion é um substantivo mas não assegura nada de concreto que possa materializar-se sobre o escudo que temos diante de nós, devido ao carácter simbólico do seu análogo de maior dimensão. A acepção usual que sobreviveu em francês, scion, implica apenas a ideia vegetal de um rebento enquanto que a denotação genealógica de scion em inglês como herdeiro ou descendente, embora tardia, preserva melhor as raízes do seu significado primitivo em francês, similar ao português.

 

Metonimização e Oposição

Podemos deduzir duas metonimizações de tudo o que se disse. As quantidades ainda não estão inteiramente envolvidas por agora, já que apenas podemos justificar duas escassas cruzetas. Veja-se que não ocorre aqui uma imitação, traço heráldico complementar desprovido da correspondência parofónica a montante; um bom exemplo deste fenómeno é a cruz de pé apontado que aparece nas armas de fantasia de Jerusalém no Zürcher Wappenrolle.

Poderia ademais ser considerada uma oposição, definida por “grande × pequeno”, mas sem qualquer consequência nos traços heráldicos, que derivam o tamanho relativo a partir do designante. Tudo o que se pode definir no presente nível é a motivação da emergência das cruzetas no que se refere à forma e dimensão desde cions através de um par de metonímias simples:

rebentos > filhos > irmãos > parecidos

rebentos > filhos > pequenos

 

Quatro Membros e um Corpo

O relacionamento com as “exéquias” parece ter desaparecido por agora, mas os próximos níveis mostrarão que a cruzetas estão integradas num significado mais abrangente, que concluirá com a viabilização completa do cenário previsto para estas armas. Há uma passagem nos Evangelhos que poderia dar apoio a um papel prematuro das cruzetas como componente do enredo:

1 Coríntios 12:12,27 “De facto, o corpo é um só, mas tem muitos membros; e no entanto, apesar de serem muitos, todos os membros do corpo formam um só corpo. Assim acontece também com Cristo ... Ora, vós sois o corpo de Cristo e sois Seus membros, cada um no seu lugar

Não se introduz nada de radicalmente novo no aspecto formal, apenas consideram-se as cruzetas como extensões do corpo de Jesus, já representado pela peça principal. Provavelmente este sentido estabelece-se pela adjacência das figurações mais pequenas à personificação de Cristo como cruz. Em qualquer caso não consideramos este arranjo como determinante; outras representações aceitáveis e consistentes das armas de Jerusalém incluem cruzetas separadas.

Não devemos ainda concluir que as cruzetas pertençam ao epitáfio gravado sobre a lápide juntamente com a cruz. Não são apenas desiguais em tamanho, número e posição mas também equivalem a um outro artefacto feito de outro material. De resto, a cruz e as cruzetas não dispõem dos seus esmaltes, estes surgirão apenas no último nível referente a Jerusalém. O que importa assinalar é que já se encontrou a incorporação adequada para a primeira, a cruz actua como um epitáfio sobre uma sepultura, enquanto que as cruzetas preencherão as lacunas do seu sentido por inteiro no sexto nível. De momento são cruzes simbólicas que repetem o segundo nível semântico sem qualquer conexão visual óbvia ao enredo exequial.

 

Reis de Jerusalém - Cruzetas

Reis de Jerusalém (III)

Classificação Descrição
Armas de Domínio R Reis de Jerusalém
Capital M Jerusalém
Língua de Conquista V Francês
Denominante A Sion
Grafemização A  S  |  I  |  O  |  N 
Fonemização denominante A  s  |  j  |  Õ 
Emparelhamento A  s  |  j  |  Õ 
A  s  |  j  |  Õ 
Coeficiente de transposição A 0,0 | 0,0 | 0,0 
Coeficiente de carácter A 0,0 | 0,0 | 0,0 
Coeficiente de posição A 0,0 | 0,0 | 0,0 
Parcelas A 0,0 | 0,0 | 0,0 
Índice de discrição A k = 0,0
Fonemização designante A  s  |  j  |  Õ 
Grafemização A C | I | | O | N | S
Designante A Cions
Humano E rebentos
Monossemia simples S cruzetas
S cions
Esmalte H De prata
Número H uma
Figuração H cruz
Aspecto H potenteia
Esmalte H de ouro
Localização H entre
Número H quatro
Metonímia simples S rebentos > filhos > irmãos > parecidos
Metonímia simples S rebentos > crianças > pequenas
Figuração H rebentos cruzetas
Simetria C radial
Orientação C imanência
Esmalte H do mesmo

(próximo artigo nesta série IV/XII)


Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 13:33
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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2012

Reis de Jerusalém: Cruz

Reis de Jerusalém

 

Amor e Ódio

A representação escolhida para o segundo nível semântico - a cruz principal - provavelmente foi o primeiro elemento a aparecer nestas armas, não uma cruz potenteia mas uma cruz simples, fosse ela firmada ou solta. Na verdade não sabemos muito sobre sinais similares que se usassem numa alusão cristã à Cidade Santa em época proto-heráldica. É bem possível que cruzes estivessem incluídas nessa ilustração eventual mas duvidamos que a parofonia pudesse desempenhar ali qualquer papel, pelo menos na forma descrita abaixo. Talvez Jesus e os quatro Evangelistas ou as Cinco Chagas do Senhor pudessem explicá-las com outra fundamentação; de facto são apontadas frequentemente como motivos credíveis para as armas que estudamos.

O significado constrói-se a partir da parofonia: Jérusalem (fra. Jerusalém) ~ Je ruse la haine (fra. Eu afasto o ódio). A denotação de ruser/reuser mudou ao longo dos anos. Hoje significa “iludir” ou “enganar” mas naquela época e ambientação, ruse deveria ser interpretado como “repilo”, “rechaço” ou “afasto”. Ademais, a intransitividade de ruse não permite, tanto quanto saibamos, Je ruse a la haine e o carácter aspirado do “h” inicial, impede Je ruse l'haine.

A etapa de especificação (E) define uma nova tipologia. Desta vez não se apresentam substantivos, acções, quantidades ou qualidades isoladas mas uma frase a traduzir-se visualmente como um todo. Funciona como uma citação ou, tendo em conta a ambientação exequial já estabelecida em Ézéchias ~ Exequies, como um epitáfio. De momento classificaremos este género de especificação em “outros”, aguardando por mais ocorrências que fundamentem uma classe própria.

 

Transposição Fonémica

Finalmente estamos em condições de apresentar um exemplo da transposição de fonemas durante a acomodação (A); inclui-se no emparelhamento de [ZeryzalEm] ~ [Z@R\yzlaEn]. Trata-se de uma importantíssima ferramenta parofónica, dando liberdade ao autor de usar apenas sons idênticos ou similares que trocam de lugar no vocábulo sempre que estritamente necessário. Note-se que para fins de cálculo procederemos de início à transposição [al] ~ [la] com a sua penalidade associada, o coeficiente de transposição t = 1. Aplicamos depois todas as penalizações restantes, ou seja, as modificações qualitativas nos fonemas, com os seus coeficientes de carácter c, de acordo com os respectivos posicionamentos no interior da palavra, medidos pelos coeficientes de posição p.

As discrepâncias entre os fonemas [e ~ @], [r ~ R\] e [m ~ n] são relativamente ligeiras e talvez não possam ser justificadas com o índice de discrição resultante, que se eleva a k = 0,50. Enquanto a modelização não substituir esta medida por outra mais eficaz devemos sujeitar-nos a tais desvios. O estabelecimento das penalidades é grosseiro e quase arbitrário mas a sua associação propicia um efeito dicotómico conveniente para auxiliar a nossa tarefa.

 

Sublimação e Oposição

Preparamo-nos agora para responder à pergunta - Quem é o defunto? Como todo o ser humano eventualmente morre, buscaremos alguém cuja morte tenha sido relevante para a história ou para a tradição, de tal modo que pudesse ser lembrado pelos cruzados ou por quem quer que contemplasse as armas dos Reis de Jerusalém. Carece ainda recordar aqui o fenómeno da sublimação, onde só a representação de maior estatuto aufere o significado. Isto acontece com o vago felino de Katzenelnbogen, tempestivamente transformado num feroz leão. Procuramos, portanto, uma individualidade assinalável.

Jerusalém deve estar envolvida de algum modo nas “exéquias” e a referida personalidade não opor-se-á ao lado cristão, já que inexistem motivações visuais no brasão que suponham o contrário. Poderá parecer uma incongruência heráldica mas exemplificamos com as armas de Portugal: os escudetes dispostos em cruz são entendidos de hábito como cinco inimigos, reis Mouros derrotados por D. Afonso Henriques. Resta dizer que o resultado visual deste segundo nível necessita combinar satisfatoriamente com o primeiro nível: um túmulo em pedra.

 

Quem é Amor?

Em relação ao nível semântico actual, Je (fra. Eu) poderia personificar a pessoa falecida ou o próprio escudo a título de individualidade falante, como o que se viu em Danubius ~ Da nubis. É bem claro para nós que a segunda opção é inviável aqui. Daí que a frase em questão representasse, no pior dos casos, alguém que se soubesse ter reproduzido em vida o significado de Je ruse la haine. Mais adequadamente ao nosso enredo, a expressão precisa estar associada com a sua sepultura por meio de um epitáfio irreal mas plausível, a resumir os incidentes de toda uma existência.

Observamos uma oposição implícita em Je ruse la haine onde o ódio é confrontado por algo que se interpreta como o seu oposto, o amor, que por sua vez incorpora-se em alguém ainda desconhecido. Contudo, esta oposição não surge explicitamente nos traços heráldicos (H). Como resultado, o conjunto de associações {exéquias, Jerusalém, cristão, eminente, sepultura, epitáfio, oposto ao ódio} produziria apenas uma pessoa: Jesus Cristo. De facto, os Evangelhos sublinham a importância deste conceito em Jo 13, 34: “Dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros. Assim como Eu vos amei, também vós deveis amar-vos uns aos outros”.

Observe-se que não foi necessário aplicar o forte poder identificativo da cruz em todo o raciocínio. Por seu lado, os autores das armas não tinham qualquer obrigação heráldica de adoptarem uma cruz na sua simbologia, tratando-se de uma mera consequência parofónica. Isto não implica a sua dispensa como indício por nós interpretantes, que dependemos do caminho inverso ao da criação. Entretanto, a nossa abordagem de cariz oportunamente didáctico servirá para mais situações.

 

Metonimização

As metonímias emergem para admitir a conversão da nossa frase inspiradora numa cruz. Não é tão simples como possa parecer, a despeito de todos os argumentos que já avançámos. Em lugar da confusa reunião de conceitos vista mais acima, necessitamos agora de uma sequência ordenada de ideias que irão fixar a estrutura de sematização (S) de modo seguro. Apenas termos inequívocos, como o numeral gerado por Seint ~ Cinc, estão habilitados a prover uma transcrição imediata em traços heráldicos; não é o caso aqui.

Jesus era visto como o Cordeiro de Deus sem pecado, sacrificado na cruz pelo amor dos homens. Encontramos a convergência numa cruz heráldica através da composição de duas metonímias que incluem as ideias opostas de amor e ódio, respectivamente implícito e explícito em Je ruse la haine:

Jesus > amor > morrer > sacrifício > cruz

pecado > ódio > matar > punição > cruz

Uma outra metonímia composta e convergente irá relacionar-se com o primeiro nível semântico, estabelecendo uma ligação entre as duas etapas. Principia com a temática anterior, as exéquias e o túmulo, ocupando-se então com a substituição do designante na forma de um epitáfio - Je ruse la haine - por fim simbolizado pela cruz; alegoria corrente nas lápides cristãs. Em simultâneo vemos a cruz contígua a Jesus, uma associação cultural indiscutível. Pareceria quase redundante referi-lo mas devemos consciencializar-nos de que esta metonímia é específica à representação do próprio Cristo nas armas de Jerusalém e não uma alusão genérica ao túmulo de um cristão:

exéquias > túmulo > epitáfio > cruz

Jesus > cruz

 

Contradições

Abordaremos agora as representatividades complementares destes símbolos e dos seus supostos fundamentos. As acepções encontradas entram em conflito com a luta dos cruzados? Primeiro de tudo, não sabemos exactamente quando as armas nasceram, de modo que pudéssemos detectar todas as fontes específicas de inspiração. Mas é verdade que a guerra, defensiva ou agressiva, acompanhada pela violência, foi uma circunstância constante na efémera vida do Reino. Como poderiam os cruzados reconciliar isto com os ensinamentos pacíficos do Nazareno?

Os aspectos incidentalmente religiosos desta génese heráldica não nos podem desorientar; eles representam os responsáveis políticos de Jerusalém mas por mero acaso. Para mais, a guerra medieval era amplamente aceite e entendida como uma necessidade e mesmo um dever para os cristãos, incluindo-se aí a Santa Sé. Neste contexto, ruse (fra. afasto) poderia ser concebido ainda como o combate ou o banimento dos inimigos dos Reis de Jerusalém, hostis portanto a qualquer cristão. O conflito com a nossa proposta para a expressão parofónica apenas mostra que a concepção e a evolução do significado são duas coisas distintas, nem sempre permeáveis entre si em todos os aspectos.

Além disso, o verbo está no tempo presente - Eu afasto o ódio - conotando a ressurreição e a vida eterna de Cristo. Também não contradiz a nossa afirmação anterior referente à manutenção da Sua condição de morto no enredo heráldico. Referíamo-nos então à directa sugestão parofónica de todos os traços visuais. Obviamente, uma infinidade de conotações e desenvolvimentos semânticos são possíveis a partir dali. Mas alguns deles, que nos sentimos obrigados a citar, são mais adequados e imediatos do que os demais.

 

Cruz Firmada ou Grega

Empregamos uma cruz grega em vez de uma cruz firmada na nossa exemplificação figurativa porque é a melhor maneira de mostrar a evolução conjectural dos sinais exibidos pelos Reis de Jerusalém. À partida não há nenhuma razão especial para acreditar que a cruz firmada pudesse ter um significado distinto da cruz grega. A primeira aparece efectivamente em armoriais durante um período em que as composições geométricas eram preferidas pela heráldica. A cruz firmada é mais simples e seria por certo uma escolha permanente se outros constituintes não afectassem a seguir a sua forma. Esta peça fundamental deverá ter actuado como um símbolo de Cristo e não como um artefacto, manifestamente durante os primeiros anos. Conheceremos ainda um segundo entendimento da cruz também usada pelos Reis de Chipre, que favoreceram uma figuração solta.

Inspirações viáveis e inclusivas de um tipo diferente poderiam ser a cópia da Vera Cruz desenhada sob a forma de uma cruz latina ou a imitar a tampa de uma sepultura. Esta última seria quase necessariamente afectada pela lápide do Santo Sepulcro, que já se dizia estar em más condições já no século XI. Presumimos que a laje original foi substituída ou oculta na sequência das modificações realizadas na edícula.

Os traços complementares (C) governam as características que não se justificam por quaisquer proposições semânticas. Para a cruz principal vemos a incidência ordinária da centralidade no abismo bem como a orientação horizontal e vertical ou a simetria radial que são imanências da cruz em grau diverso. A largura dos braços também sofre o efeito de traços complementares. Além da natural conservação da espessura ao longo das quatro hastes, as proporções relativas devem ser suficientes para admitir, por exemplo, algumas cruzetas no espaço restante. Haverá mais comentários a fazer sobre a interferência mútua dos níveis semânticos, mas serão tratados noutros artigos mais adequados a cada caso.

 

Reis de Jerusalém - Cruz

Reis de Jerusalém (II)

Classificação Descrição
Armas de Domínio R Reis de Jerusalém
Territorial M Jerusalém
Língua de Conquista V Francês
Denominante A Jérusalem
Grafemização A  J  |  E  |  R  |  U  |  S  |  A  |  L  |  E  |  M 
Fonemização denominante A  Z  |  e  |  r  |  y  |  z  |  a  |  l  |  E  |  m 
Emparelhamento A  Z  |  e  |  r  |  y  |  z  |  a  |  l  |  E  |  m 
A  Z  |  @  |  R\  |  y  |  z  |  l  |  a  |  E  |  n 
Coeficiente de transposição A 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 1,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 
Coeficiente de carácter A 0,0 | 0,5 | 0,5 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,5 
Coeficiente de posição A 0,0 | 1,0 | 1,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,5 
Parcelas A 0,0 | 0,5 | 0,5 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,3 
Índice de discrição A k = 0,50
Fonemização designante A  Z  |  @  |  R\  |  y  |  z  |  l  |  a  |  E  |  n 
Grafemização A J | E | | R | U | S | E | | L | A | | H | A | I | N | E
Designante A je ruse la haine
Outros E Eu afasto o ódio
Monossemia simples S cruz
S je ruse la haine
Esmalte H De prata
Número H 1 uma
Metonímia convergente S exéquias > túmulo > epitáfio > cruz
S Jesus > cruz
Metonímia convergente S Jesus > amor > morrer > sacrifício > cruz
S pecado > ódio > matar > punição > cruz
Figuração H Jesus cruz
Simetria C radial
Orientação C imanência
Centralidade C abismo
Aspecto H potenteia
Esmalte H de ouro
Localização H entre
Número H quatro
Figuração H cruzetas
Esmalte H do mesmo

(próximo artigo nesta série III/XII)



Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 18:08
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Terça-feira, 25 de Setembro de 2012

Reis de Jerusalém: Esmalte Prata

Reis de Jerusalém

 

As Doze Portas de Jerusalém

Após termos efectuado cinco análises exemplificadoras da heráldica de fantasia, começamos agora um novo capítulo ao introduzir estas armas de domínio do Reino medieval de Jerusalém. Por armas de domínio entendemos quaisquer armas heráldicas que representem a propriedade pessoal e transmissível de um território secular. Acomoda senhorios, condados, ducados, reinos e impérios entre outros do mesmo género.

Para nossa surpresa encontrámos doze níveis semânticos, os quais parecem actuar diversamente de acordo com a apreciação primitiva de cada variante. Mais do que a quantidade, o que nos causa admiração é a simplicidade formal capaz de produzir um resultado semântico tão fértil. Além disso, não só os traços heráldicos podem ser explicados de mais de uma maneira, como também sugerirão que estes níveis organizaram-se em diversa medida ao longo do tempo, a confiar nas fontes. Esta densificação da estrutura do significado será difícil de ultrapassar no futuro por outro brasão.

Embora incorporando duas referências dissimilares - uma para Jerusalém e outra para Chipre - preferimos tratá-las como uma representação única e manter o título convencional, mencionando as armas como correspondentes apenas aos Reis de Jerusalém. Aparentemente, a mudança foi gradual e conservou a maior parte dos valores semânticos iniciais.

 

Primeiras Iluminuras

Aparecem logo em meados do século XIII na Historia Anglorum de Mateus de Paris, onde se vê uma cruz em prata firmada sobre um campo de ouro, lembrando a morte de João de Brienne, Rei Consorte de Jerusalém, em 1237[1]. A Rainha Maria faleceu em 1212 e João deixa a coroa para a filha de ambos, Isabella, e vai reger o Império Latino. O autor também admite para aquele Rei os mesmos esmaltes e cruz porém  esta cantonada por quatro, quatro, três e três cruzetas[2][3]. A inconsistência cromática das delgadas cruzetas castanhas pode ser explicada pela necessidade de fazê-las em pequena dimensão, usando para isso a mesma pena que se utilizou para delinear os escudos e outras formas. Ademais, o uso de metal prateado no castelo de Castela na mesma página levanta a suspeita de alguma negligência no uso dos esmaltes.

Outros armoriais apresentam variações sobre o tema principal, o número de cruzetas varia e a cruz central, de formas variadas, podendo permutar os esmaltes com o campo. De modo a simplificar a organização deste artigo serão adoptadas as armas tradicionais dos Reis de Jerusalém: de prata uma cruz potenteia de ouro cantonada de quatro cruzetas do mesmo. Parece ser a interpretação que dá melhor uso à maior parte dos níveis semânticos em discussão. Outras composições podem ser encarados como versões incompletas, tratadas no corpo do texto sempre que oportuno.

Será possível tomar como verdadeiras estas armas do Reino de Jerusalém e confiar inteiramente nas fontes, até quando secundárias ou terciárias? Não é esta a nossa tarefa; apenas propomos soluções para a origem parofónica das formas e cores observadas nos brasões. Veremos contudo que até composições muito simples poderão acomodar-se confortavelmente no enredo heráldico que explorámos.

 

As Moedas Precursoras

A numismática poderia parecer mais ilustrativa, já que se conhecem moedas de reinados mais antigos em Jerusalém, com a vantagem de uma identificação contemporânea confiável. Infelizmente estes hábitos pictóricos parecem ser distintos dos usados na heráldica. Mas isto não implicará que a parofonia esteja ausente, uma vez que é mesmo atestada nas primeiras cunhagens feitas pelo homem. Sabemos que não foi uma prática sistemática, coexistiu com inscrições, monogramas, efígies, imagens arquitectónicas e outros símbolos. Os seus referentes e metonímias provavelmente serão distintos, daí que este problema necessite de uma verificação aprofundada para melhor entendimento.

No que se refere ao nosso tema, aparecem no reverso das moedas a Torre de David e a Igreja do Santo Sepulcro, enquanto uma cruz, talvez de uso genérico e indiferenciado, é vista no obverso[4]. Por sua vez. os reis de Chipre e Jerusalém usaram o leão de Lusignan ou a cruz potenteia. Tentaremos considerar atempadamente como a heráldica e a numismática poderão convergir e auxiliar a nossa investigação.

 

Um Rio Oculto

O francês seria uma escolha óbvia como língua de conquista para a fase de verbalização. A maior parte dos cruzados era francófona e muitos dos governantes que estabeleceram o seu poder na Terra Santa pertenciam à mesma esfera linguística. Mais uma vez, o Latim poderia ser hipoteticamente considerado como instrumento geral de verbalização, mas não se encontraram parofonias razoavelmente adaptadas aos traços heráldicos disponíveis.

Começamos o nosso trabalho com um hidrónimo artificial, construído por uma antigo Rei de Judá: o Túnel de Ezequias. Transfere água da Fonte de Gião para a Piscina de Siloé, atravessando a parte mais antiga da cidade por baixo da terra, já que não existem quaisquer rios ali [5]. Produz-se assim a parofonia Ézéchias (fra. Ezequias) ~ Exequies (fra. exéquias) bizarra associação de uma fonte de vida aos rituais fúnebres.

Relativamente à necessidade de um hidrónimo para a metonimização do referente, não foi algo que tivéssemos proposto à partida dos nossos estudos, mas antes uma evidência inesperada que surgiu após inspeccionarem-se muitos armoriais. Aqui já tínhamos visto o Danúbio no brasão de Sagremor e o rio Itchen nas armas de fantasia de Eduardo o Confessor. Outras representações talvez mostrem com mais eloquência as conexões hidronímicas aos respectivos traços heráldicos. Tal será o caso das armas do Condado de Werdenberg (rio Tobel), do Condado da Borgonha (rio Saône), do Ducado da Baviera (rio Regen) e do Viscondado de Rochechouart (rio Vayres)[6]. Não sabemos ao certo quando e onde tudo começou mas esta aparenta ser uma peculiaridade dos brasões, ainda não detectada em moedas, selos primitivos ou o que quer que seja que tenha precedido a heráldica. Talvez no futuro se possa distinguir melhor a razão para estes hidrónimos aparecerem em tais circunstâncias.

 

Um Funeral Branco

O designante exequies precisa ser transformado em cor ou forma usando o conceito de exéquias, talvez por demais abrangente para desenhar-se de imediato. Acreditamos que esta transformação não foi decidida isoladamente, mas em conjunto com outros níveis semânticos considerados como viáveis pelo criador das armas. Para este fim tem lugar uma metonimização que selecciona apenas a conclusão da ideia contida em “exéquias”, o enterramento e sua representação objectiva - o sepulcro - e logo a sua matéria lítica. Focaliza-se o tema a partir do evento completo até ao pormenor da textura:

exéquias > túmulo > pedra > branca

O branco e o amarelo podem ser considerados como imanências da pedra como já vimos num grande número de espécimes que analisámos. O cinzento, o rosado e o acastanhado também poderiam ser presumidos mas devemo-nos limitar aos códigos cromáticos da heráldica. Talvez o amarelo, em vez do branco fosse considerado como uma escolha alternativa para a lápide que agora vemos. Devemos saber em primeiro lugar quem era o defunto, porque o significado será mais bem percebido na sua completa implementação.

 

Quem é o Defunto?

O contributo deste nível para o significado visual do brasão não se limita ao esmalte. Auxilia, além disso, à definição das linhas fundamentais do enredo heráldico. Os funerais sugerem riquíssimas associações plásticas, a demandar os ritos que terão a sua conclusão na sepultura inferida nestas armas. A ser assim, também suporá um cadáver e um eventual epitáfio, que serão argumento para o próximo nível semântico. Ainda não sabemos o significado do restante mas o conjunto de cruzes poderia bem ser entendido como pertencendo às exéquias, num sentido geral.

Em condições menos restritivas seria possível derivar espontaneamente a individualidade de Cristo do dito cerimonial. Não parece poder haver qualquer dúvida na mentalidade dos cruzados: o funeral de maior significado em Jerusalém seria o que levou Jesus a enterrar. Contudo, as possibilidades semânticas destas armas são tão abundantes que o nome do defunto será declarado num nível próprio a ele dedicado. E seria esta eventualmente a razão porque nunca vemos um escudo pleno de prata como simplificação extrema das armas de Jerusalém: há sempre uma cruz presente.

 

Muito e Pouco Discreto

A nossa percepção metodológica de [ch] como [k] em Ézéchias repete a heterofonia homográfica encontrada em Itchen ~ I chenne. É igualmente possível que os dialectos franceses setentrionais influenciassem os usos linguísticos ou que a pronúncia latina prevalecesse, evitando a palatalização logo desde o início. Desconhecemos em pormenores precisos a articulação e a ortografia do francês em Jerusalém por aquela altura, mas tudo o que precisamos é de algum bom-senso para decidir se as nossas parofonias podem ser admitidas ou não [7].

O índice de discrição é bastante superior ao que nos tínhamos habituado, já que k = 0,60, mas se escutarmos casualmente o som de Ézéchias ~ Exequies, a impressão é de uma similaridade aceitável. Isso explica por que tivemos de considerar a nossa escala de parofonias mais como um índice de admissibilidade do que como uma qualificação progressiva. A dimensão das duas palavras, emparelhadas com cinco elementos fonéticos, certamente não ajuda a diminuir a estimativa: mesmo se aplicarmos a correcção adequada às pequenas extensões, como se fez em Itchen ~ I chenne, esta apenas nos dará um valor ligeiramente inferior: k = 0,56.

Tais discrepâncias na avaliação dos índices de discrição são um facto a que devemos nos habituar, uma vez que se adoptou uma modelização heurística. Somente um modelo físico, baseado na correspondência das características acústicas, poderia produzir um resultado mais satisfatório. Devemos recordar, contudo, que uma boa parte das parofonias está também vinculada à escrita, o que enfraquece de algum modo esta modalidade de aperfeiçoamento.

 

O que se Segue

Quem quer que seja a personalidade falecida, a sua condição manter-se-á na representação armorial. No caso especial de Cristo, num ambiente cristão, não se vê outra alternativa possível que não fosse a ressurreição ao terceiro dia. Devemos então considerar que o enredo acontece entre a Sexta Feira Santa e o Domingo de Páscoa. Isto porém não deverá necessariamente forçar-nos a incluir figurações como as chagas na nossa interpretação. As únicas fontes de inspiração primitivas que se devem considerar são as parofonias resultantes das metonímias do referente. Tudo o mais que se vê nos traços heráldicos, mesmo os complementos mais óbvios, não as devem contradizer.

Vale a pena, por fim, mencionar a importância atribuída ao Santo Sepulcro na época medieval, um dos motivos principais da conquista de Jerusalém. Godofredo de Bulhão, o primeiro soberano dos cruzados, foi declarado Protector do Santo Sepulcro e enterrado naquela Igreja, que assistiu a coroações e outros eventos da realeza depois disso. Será possível associar Jesus às exéquias estipuladas pelo esmalte? É o que veremos a seguir.

 

[1] DE VRIES, Hubert - Jerusalem - De Rode Leeuw - 2011 : Acedido a 23 de Setembro de 2012, disponível aqui.

[2] PARISIENSIS, Matthaei; MADDEN, Frederic (ed.) - Historia Anglorum - Londres: Longman, 1866-1869 : Acedido a 23 de Setembro de 2012, disponível aqui.

[3] PARISIENSIS, Matthaei - Historia Anglorum - (manuscrito), 1250-1259 : Acedido a 23 de Setembro de 2012, disponível aqui.

[4] WIELAND, Simon; RUTTEN, Lars; BEYELER, Markus - Medieval and Modern Coin Search Engine - mcsearch.info - 2012 : Acedido a 23 de Setembro de 2012, disponível aqui.

[5] CITY OF DAVID - Hezekiah’s Tunnel - (vídeo), s. d. : Acedido a 23 de Setembro de 2012, disponível aqui.

[6] DA FONTE, Carlos - Semântica Primitiva das Armas Nacionais e alguns dos seus Aspectos Sintácticos e Pragmáticos - Porto: FEUP, 2009 : Acedido a 23 de Setembro de 2012, disponível aqui.

[7] BETTENS, Olivier - Chantez-vous Français? - 1996-2012 : Acedido a 23 de Setembro de 2012, disponível aqui.

 

 Reis de Jerusalém - Prata

Reis de Jerusalém (I)

Classificação Descrição
Armas de Domínio R Reis de Jerusalém
Hidrónimo M Túnel de Ezequias
Língua de Conquista V Francês
Denominante A Ézéchias
Grafemização A  É  |  Z  |  É  |  C  |  H  |  I  |  A  |  S 
Fonemização denominante A  e  |  z  |  e  |  k  |  iA 
Emparelhamento A  e  |  z  |  e  |  k  |  iA 
A  E  | gz |  e  |  k  |  i 
Coeficiente de transposição A 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 
Coeficiente de carácter A 0,5 | 0,5 | 0,0 | 0,0 | 0,5 
Coeficiente de posição A 1,5 | 1,0 | 0,0 | 0,0 | 0,5 
Parcelas A 0,8 | 0,5 | 0,0 | 0,0 | 0,3 
Índice de discrição A k = 0,60
Heterofonia homográfica A (Ézé)ch(ias) > [(eze)S(iA)]
A (Ézé)ch(ias) > [(eze)k(iA)]
Fonemização designante A  E  |  gz  |  e  |  k  |  i 
Grafemização A E | X | E | Q | U | I | E | S
Designante A exequies
Outros substantivos E exéquias
Monossemia simples S prata
S exequies
Metonímia simples S exéquias > túmulo > pedra > branca
Esmalte H esbranquiçado De prata
Imanência C pedra
Contraste C ouro
Número H uma
Figuração H cruz
Aspecto H potenteia
Esmalte H de ouro
Localização H cantonada de
Número H quatro
Figuração H cruzetas
Esmalte H do mesmo

(próximo artigo nesta série II/XII)



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