Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2013

Moniz - Timbre

Famílias

 

 

Informamos o desenvolvimento de uma proposta semântica inédita, de acordo com a nossa aproximação metodológica da parofonia heráldica, para o timbre das armas dos Moniz: um leopardo de azul, com uma estrela de sete pontas de ouro na testa”.
 

Níveis semânticos: um ou mais.
Índice de discrição: médio.
Verbalização denominante: português.
Verbalização designante: latim aportuguesado.
Enredo heráldico: astronómico.
Citação consequente: (?) Livro do Génesis 37: 9-10.
Aparência falante: “munir”.
Traço aparente: timbre » localização » leão com estrela.
Origem denominante: autóctone.

Credibilidade: excelente.
Cifra: 91.

 

Veja a nossa metodologia.

 

 


Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 11:53
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Quinta-feira, 12 de Julho de 2012

Sagremor: Esmalte Vermelho

Sagremor - Armas de Fantasia

 

Terminamos o estudo pelo primeiro nível semântico por expor-se melhor nesta ordem a organização das armas de Sagremor. Isso não quer dizer que o autor do brasão tenha adoptado uma qualquer sequência predeterminada; pelo contrário, deve ter ensaiado várias possibilidades antes de dar o trabalho por findo. A parofonia é descrita por Ungaria (lat. Hungria) ~ Ungo (lat. unto) area (lat. área), talvez a mais evidente de todas, dado o cognome aposto a Sagremor: o Húngaro. Os seus resultados visuais, muito singelos, diríamos quase exigirem outros componentes que viessem a preencher a excessiva simplicidade de um escudo pleno em vermelho. Convém acrescentar que como nos antecedentes, mantém-se a razoabilidade de um índice de discrição baixo: k = 0,25 e que ao estimar este indicador recorremos à ditongação de oa em ungo area, a emparelhar com Ungaria para alterar-se em Ungoarea.

O tema da parofonia parece afastar-se dos hábitos adquiridos em Aquincenses ~ Ac quini sentes e em Danubius ~ Da nubis ao compor indirectamente o “céu” suposto no pano de fundo das estrelas e da nuvem. Este afastamento é verdadeiro quanto ao modo de sematização da parofonia mas não quanto à representação em si mesma. É perfeitamente possível um céu vermelho à tarde ou pela manhã, admitindo ainda nestas ocasiões a visibilidade da nuvem e das estrelas ou dos planetas mais brilhantes. Contudo, ungo vai aplicar-se primariamente sobre a superfície do escudo especificada em area e apenas depois sobre os céus, como consequência natural do conjunto imagético que se pressupõe coerente. A sematização estabelece a metonímia: área > campo > campo do escudo > escudo. Encontramos um paralelo da unção dos escudos neste trecho do Segundo Livro de Samuel: ... O escudo de Saul não foi ungido com óleo, mas com o sangue dos feridos e a gordura dos guerreiros ...[1]. Tal como nos escudos medievais feitos de madeira e recobertos de couro a boa manutenção exigia uma protecção periódica. Não será, todavia, o óleo a colorir o artefacto de defesa usado por Sagremor, mas a ideia implícita de que era feito ou recoberto de couro, logo avermelhado ou acastanhado, colorações passíveis de inspirar o esmalte vermelho na representação do escudo heráldico.

A conjugação cromática aparenta ser arbitrária mas as dúvidas desvanecem-se ao examinarmos em pormenor a análise já efectuada. A seleccionarem-se convenientemente cores naturais, as estrelas fora do cantão serão amarelas, brancas ou azuis. Do mesmo modo a nuvem poderia ser branca ou negra, enquanto que o escudo de couro tratado pelo tanino apenas admitiria o vermelho. Quanto à estrela encoberta consentiria o negro ou eventualmente o branco, como descoloração do outro esmalte estelar que representasse a luz. Ficamos com as seguintes possibilidades, dispondo as cores pela ordem: estrelas, campo, cantão, estrela do cantão.

Azul + Vermelho + Negro + Prata (não) 
Azul + Vermelho + Negro + Negro (não) 
Azul + Vermelho + Prata + Prata (não) 
Azul + Vermelho + Prata + Negro (não) 
Ouro + Vermelho + Negro + Prata (não) 
Ouro + Vermelho + Negro + Negro (não) 
Ouro + Vermelho + Prata + Prata (não) 
Ouro + Vermelho + Prata + Negro (sim) 
Prata + Vermelho + Negro + Prata (não) 
Prata + Vermelho + Negro + Negro (não) 
Prata + Vermelho + Prata + Prata (não) 
Prata + Vermelho + Prata + Negro (sim) 

É possível observar que das doze hipóteses apenas duas são inteiramente admissíveis. Grande parte das opções é rejeitada pela aplicação da lei dos contrastes. Duas estarão no limite da admissibilidade ao incluir uma nuvem negra, que estimamos não fosse de primeira escolha, além de figurar o esmalte vermelho vizinho ao negro, apesar de por vezes encontrarem-se juntos na heráldica. Finalmente, restam dois arranjos bem-sucedidos dos quais um repete o esmalte do par de estrelas iguais na nuvem, proposta mais pobre do que a oitava combinação, coincidente com a escolha do brasão de Sagremor, o que não nos surpreende. 

Poderíamos ser tentados a associar ungo com a unção das sagrações reais, por Sagremor descender do rei da Hungria e da filha do imperador de Constantinopla. Ainda assim, a experiência nos aconselha a não confundir os planos semânticos da parofonia com os planos estritamente biográficos, não se exceptuando os fantasiosos. A obtenção do desenho está isolada de outros relacionamentos que não os estabelecidos pela metonimização do referente. Mesmo dando-se o caso da possibilidade de escolha entre vários traços heráldicos, temos observado a preferência de acompanhamento dos estilos visuais de cada época, ao invés de escolhas baseadas no percurso particular do representado. Tal porém já não acontece nas armas alusivas.

Apesar disso considerou-se o próprio nome de Sagremor, com uma solução do tipo Sagremor ~ Sacre (fra. sagração) en or (fra. em ouro), seguindo-se contudo os procedimentos habituais. Assim a unção, ao menos desta vez, ligar-se-ia à entronização dos seus ascendentes e imaginaríamos as estrelas como manchas de óleo sobre as vestes régias em vermelho, cor já usada nas cerimónias medievais. O componente en or diria respeito aos utensílios necessários à guarda e aplicação do óleo, também referenciáveis pela história. Esta solução entra em conflito com o plano semântico apresentado anteriormente, que favorece ungo na forma de acção utilitária. Para mais, teríamos de explicar o cantão e a estrela negra, dificuldade de resolução improvável. Preferimos imaginar aqui uma possível interpretação textual, redundante com o que já se propôs, mas de nenhum modo ligada à proposta semântica visual. Resta-nos aguardar por outros estudos sobre os Cavaleiros da Távola Redonda para decidir sobre a existência de algum padrão comum quanto ao uso da antroponímia dos armigerados.

[1] 2 Sm 1, 21-22.

 

 


Sagremor - Armas de Fantasia (I)

Classificação Descrição
Armas de Fantasia R Sagremor
Território M Hungria
Língua de Fantasia V Ungaria (latim)
Denominante A Ungaria
Grafemização A U  |  N  |  G  |  A  |  R  |  I  |  A
Fonemização denominante A u  |  N  |  G  |  a  |  4  |  i  |  a
Emparelhamento A u  |  N  |  G  |  a  |  4  |  i  |  a
A u  | N |  G  | oa |  4  |  e  |  a
Coeficiente de transposição A 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0
Coeficiente de carácter A 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,5 | 0,0 | 0,5 | 0,0
Coeficiente de posição A 0,0 | 0,0 | 0,0 | 1,0 | 0,0 | 1,0 | 0,0
Parcelas A 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,5 | 0,0 | 0,5 | 0,0
Índice de discrição A k = 0,25
Fonemização designante A u | N | G | o |   | a | 4 | e | a
Grafemização A U | N | G | O |   | A | R | E | A
Designante A ungo | area
Acção + Geometria E unto + área
Monossemia simples S vermelho
S unto o escudo
Metonímia simples S área > campo > campo do escudo > escudo
Esmalte H avermelhado De vermelho
Imanência C couro
Contraste C ouro, prata
Número H um
Separação H cantão
Esmalte H de prata
Conectivo H e
Número H três
Figuração H estrelas de cinco pontas
Número H duas
Esmalte H de ouro
Conectivo H e
Número H uma
Esmalte H de negro
Localização H no cantão

(próxima análise neste blog aqui)



Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 00:30
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Sábado, 7 de Julho de 2012

Sagremor: Cantão de Prata

Sagremor - Armas de Fantasia

 

Continuaremos a caracterizar as armas de Sagremor neste terceiro plano semântico. Estabelecidas as coordenadas húngaras das metonímias referentes, é natural que se continue pelo mesmo tom, obedecendo à restrita tipologia definida nos quase dois mil traços heráldicos já investigados. Para Sagremor encontrámos num  primeiro nível semântico a metonimização do seu referente em território, em gentílico no segundo e finalmente em hidrónimo no que iremos desenvolver a seguir.

Continuando com a expressão verbalizante em latim, achamo-nos desta vez perante o majestoso rio de Budapeste, o denominante Danubius (lat. Danúbio). Resulta num índice de discrição bastante favorável, k = 0,14, parófono ao designante da (lat. diz) nubis (lat. nuvem). Ressaltamos tomar-se iu em Danubius como ditongo, porque este i é breve, figurando assim numa única célula a emparelhar com o outro i de nubis. Note-se que a contagem do número máximo de fonemas alterou-se de oito para sete por este motivo. O verbo do (lat. dar) possui um grande número de acepções, das quais algumas poderiam ser usadas no contexto. Pensamos, contudo, que a forma imperativa da segunda pessoa é a mais adequada, com o sentido de “Diz!” ou Explica!.

Danubius ~ Da nubis produz uma monossemia simples, já que é responsável pelo cantão em prata. É bem verdade que a alteração do esmalte da estrela correspondente de ouro em negro também lhe será imputada, mas como consequência secundária da sematização dos traços heráldicos pré-definidos. Como no nível precedente há metonímia redundante: diz não está associado a qualquer traço heráldico mas à própria função parofónica do escudo pelas contiguidades diz > falante > armas falantes, o que de facto são. O segundo termo, nubis, não deixa qualquer lugar a dúvidas, seja pelo sentido, seja pela complementaridade ao que se tinha já averiguado. Definido que estava o tema estelar, nada mais apropriado do que este fenómeno meteorológico para conjugar uma belíssima ordenação heráldica.

A nuvem é branca, convenientemente, e esconde a luz ao “passar” em frente a uma das estrelas, transformando o seu esmalte dourado. Assinalamos, pois, o fenómeno sematizante de oposição entre a luz e a obscuridade. Ademais, a estrela solitária vai colocar-se exactamente no centro do cantão, a condicionar o posicionamento das outras duas, como referido. Percebe-se com clareza a exigência do processo iterativo na génese destes brasonamentos medievais. Não seria possível definir o arranjo das estrelas e da nuvem em duas construções estanques e independentes. O brasonamento estabelece ainda que a estrela deve achar-se sobre o cantão, apesar da semântica demandar o inverso, fazendo-nos entender que nem sempre a descrição expressiva formal será um guia mais adequado para a compreensão do conteúdo subjacente. Creio que será esta a dificuldade capital para que a ciência heráldica liberte-se das interpretações convencionalizadas pelas normativas tardias.

Segundo parece, simboliza-se no desenho outra característica imanente às nuvens, o movimento, talvez em simultâneo com o fenómeno de complementação dos traços heráldicos. A nebulosidade não poderia ocupar todo o campo do brasão: perderia muito da sua força expressiva. Excluímos assim de todo a obstrução das três estrelas. Só a oposição amarelo × negro permite vislumbrar com clareza o enredo que se procura representar. A ocupar apenas um pedaço do campo, um farrapo de nuvem apresta-se a ocultar apenas uma estrela, também no primeiro cantão do esquartelado, como é hábito, aliás, nos brasonamentos. Ao mesmo tempo esta localização provoca o desequilíbrio visual pela assimetria dos espaços cromáticos. O desequilíbrio traduz-se em movimento e vai contribuir à semântica através de outra metonímia: nuvem > movimento > desequilíbrio > assimetria. A opção de usar-se, por exemplo, um contrachefe em branco, deixaria a desejar pela estabilidade implícita.

 

 


Sagremor - Armas de Fantasia (III)

Classificação Descrição
Armas de Fantasia R Sagremor
Hidrónimo M Danúbio
Língua de Fantasia V Danubius (latim)
Denominante A Danubius
Grafemização A  D  |  A  |  N  |  U  |  B  |  I  |  U  |  S 
Fonemização denominante A d  |  a  |  n  |  u  |  b  |  iu |  s 
Emparelhamento A d  |  a  |  n  |  u  |  b  |  iu |  s 
A d  |  a  |  n  |  u  |  b  |  i |  s 
Coeficiente de transposição A 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0
Coeficiente de carácter A 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,5 | 0,0
Coeficiente de posição A 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 1,0 | 0,0
Parcelas A 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,0 | 0,5 | 0,0
Índice de discrição A k = 0,14
Fonemização designante A d | a |   | n | u | b | i | s
Grafemização A D | A |   | N | U | B | I | S
Designante A da | nubis
Acção + Meteorologia E diz + nuvem
Redundância, metonímia simples S diz › falante › arma falante
S diz
Monossemia simples S cantão
S nuvem
Esmalte H De vermelho
Número H 1 um
Separação H farrapo cantão
Imanência C nuvem
Localização C primeiro quartel
Simetria C assimétrico
Metonímia simples S nuvem › móvel › desequilíbrio › assimetria
Esmalte H esbranquiçada de prata
Imanência C nuvem
Contraste C vermelho, negro
Conectivo H cantão + estrelas e
Número H três
Figuração H estrelas de cinco pontas
Número H duas
Esmalte H de ouro
Conectivo H estrelas + estrela e
Número H 1 uma
Figuração H 5 pontas (estrela)
Preenchimento C área do cantão
Simetria C eixo vertical do cantão
Centralidade C diagonais do cantão
Esmalte H obstrução de negro
Imanência C nuvem
Contraste C prata
Oposição S luz × obscuridade
Localização H debaixo da nuvem no cantão

(próximo artigo nesta série III/III)



Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 13:56
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Quinta-feira, 28 de Junho de 2012

Sagremor: Estrelas

Sagremor - Armas de Fantasia

 

(poderá ler 1º um artigo mais simples aqui ou usar a terminologia / pesquisa)

Tratando-se das armas fantasiosas de um personagem que também não pertence ao domínio das pessoas tangíveis, as considerações históricas não são tão determinantes como em circunstâncias autênticas; isso não quererá dizer que deixem de se ater à realidade. Existem distintas versões que descrevem Sagremor, apenas retemos a mais consensual e que parece corresponder às armas em estudo, decerto devem tê-las inspirado. Sagremor, dito “O Desvairado”[1], da Hungria ou de Constantinopla era um dos Cavaleiros da Távola Redonda, filho do rei da Hungria e da Valáquia, que tinha vindo à corte do Rei Artur para juntar-se à mãe, Indranes, filha de Adriano, imperador de Constantinopla, entretanto viúva, agora casada com o rei Brangore[2]. Esta escassa biografia é suficiente para que desenvolvamos a nossa análise, tanto mais que no método parofónico devemos, acima de tudo, determinar bem a situação geográfica na génese do brasão. Além disso, Sagremor foi usado por nós como paradigma para o estabelecimento de um limiar comparativo com o objectivo de medir o índice de discrição[3]. Assim este estudo tem o atractivo suplementar de não poder ter sido escolhido em função de uma qualquer conveniência facilitadora da nossa tarefa.

O latim deverá ser a língua mais adequada para activar o processo de verbalização que se nos apresenta. Desconfiamos da capacidade de expressão em húngaro do criador das armas e verificamos mais uma vez a longínqua situação geográfica do tema armorial em relação a este, possivelmente na esfera anglo-normanda ou francesa. A metonímia do referente neste segundo nível semântico recorre ao gentílico dos nascidos na capital húngara ao tempo do Rei Artur, Aquincum, junto à actual cidade de Buda, embora a continuidade de ambas talvez não se verifique. Contudo, o enredo das lendas arturianas é tipicamente contemporânea aos seus autores medievais, daí que Aquincum deva referir Buda, como versão para o latim, e não a própria Aquincum. Penso que Aquincenses não descreva os súbditos húngaros daquela cidade mas, particularmente, a origem familiar de Sagremor. Seria possível usar o singular, Aquincensis, para centrar melhor o foco semântico na pessoa em epígrafe.

O cálculo do índice de discrição não apresenta quaisquer novidades pelo que, desta vez, não justificaremos em pormenor a sua obtenção. As análises anteriores serão suficientes para compreender os procedimentos usados. Apenas observamos que o valor final, k = 0,31, é perfeitamente credível, levando-nos a acolher a hipótese parofónica. Obtida a parofonia Aquincenses ~ Ac quini sentes, passaremos a analisar cada um dos seus termos.

A conjunção aditiva ac (lat. e) não é apenas um artifício parofónico. Na verdade faz depender o conjunto ac quini sentes de outros componentes parofónicos que eventualmente viessem a aparecer. Neste aspecto é uma redundância porque os traços heráldicos dependem, na verdade, do seu próprio processo de sematização. Diga-se que não sabemos qual a ordem original pela qual constituíram-se os traços heráldicos; é admissível que, de um modo geral, fosse um processo repetitivo, ajustando-se a pouco e pouco uma solução satisfatória. O termo quini (lat. cinco cada um) denota não apenas a quantidade cinco mas também que ela diz respeito a mais do que uma figuração. Por inerência sugere que se disponham estes cinco sub-elementos num arranjo, interpretado como um polígono estrelado. Estabelecidos o numeral e a conjunção, seria útil mais concisão no terceiro termo, permitindo determinar algo de substantivo para o desenho do brasão. Isso fez-nos preferir sentes (lat. silvas, espinhos) a sentis (lat. sentes, percebes) ou ao declinado sentus/sentis (lat. espinhoso) ou mesmo ao parofónico censes (lat. contas, avalias).

A etapa de sematização realiza-se por monossemia simples, se bem que não seja perceptível de imediato. Só através da metonímia cinco espinhoscinco pontas estrela fica estabelecida uma ligação clara entre o designante e o traço heráldico. A escolha de um tema geométrico ou astronómico em lugar de, por exemplo, um traço vegetalista, uma espora ou um estrepe, poderia nos fazer suspeitar da existência de uma simplificação extremada, habitual na heráldica mais antiga. Não pondo inteiramente de parte este contágio, é de assinalar que o terceiro nível semântico, a estudar no próximo artigo, exige a temática sideral.

Apesar da simplicidade é preciso consignar o efeito dos agentes de complementação, intrínsecos à construção dos traços. Logicamente, há uma simetria radial dos raios estelares e as figuras estão orientadas segundo uma estabilização horizontal, na única posição possível para o “apoio” simultâneo em duas pontas. Mais ainda, cada localização depende fundamentalmente da posição da estrela negra. Esta surge no centro do cantão e a partir daí fica condicionada a posição da segunda estrela, no alinhamento da primeira e a uma igual distância da borda. A terceira deverá colocar-se no eixo vertical, obedecendo também à homogeneidade dos distanciamentos. A disposição em contra-roquete acompanha a forma geral do escudo e por esta mesma razão é sempre a favorita para o arranjo de três figurações, não sendo necessário enunciá-la no brasonamento. Resta manter as proporcionalidades dimensionais pelo preenchimento harmónico do campo e impor a absoluta igualdade das figurações.

Esta versão das armas de Sagremor obedece integralmente à lei dos esmaltes[4]. Será mesmo esta normativa que ajudará a compreender mais tarde a razão da sua escolha. Por agora limitar-nos-emos a reter a ligação do metal dourado das estrelas ao fenómeno luminoso, conexão bem frequente nas análises efectuadas no passado. Também é possível que estas figurações fossem tomadas por planetas, dados a sua dimensão aparente e brilho que tende ao amarelado. Um brasonamento descreve: “de gueules à 2 planètes d'or, au franc-canton d'argent à une planète de sable[2].

Seria viável usar outros esmaltes como o prateado ou o azul mas a conjugação de todas as cores necessárias ao desenho não o aconselhará. Por outro lado, a presença de uma estrela negra, inexplicável pela imanência luminosa, entende-se perfeitamente ao avançarmos que representa o seu oposto, a escuridão. Este obscurecimento é semanticamente transitório e por isso o segundo nível deverá ser representado por todas as três estrelas em dourado. Por último, referimos que a partir daqui representaremos os traços de outros planos semânticos pela cor amarelo-banana[5], de modo a realçar apenas os elementos pertinentes à discussão.

[1] Tradução livre de desreez › dérangé.

[2] MERLET, Lucien - Coutumes des Chevaliers de la Table Ronde - Mémoires de la Société Archéologique d'Eure-et-Loir - Tomo VI - Chartres - Petrot-Garnier Libraire - 1876.

[3] Por Michel Pastoureau ter sugerido umas armas falantes Sagremor ~ sycomore, a nosso ver no limite da razoabilidade, daí tornar-se num limiar adequado para a aceitação das demais parofonias: “Pour doter Sagremor d’armoiries la solution la plus simple aurait été de lui donner une figure parlante, en occurence un sycomore”, nas Referências Bibliográficas (PASTOUREAU, 1986, p. 25).

[4] Ver, contudo, a versão, quase certamente adulterada, que se menciona em: SCOTT-GILES, Charles W. - Some Arthurian Coats of Arms - Coats of Arms - nº 64-65, 1965/1966 - Baldock: Acedido a 27 de Junho de 2012, disponível em: <http:// www.theheraldrysociety.com>, 2012. 

[5] Cor que dificilmente aparecerá nos brasões, evitando-se ambiguidades, e de contraste satisfatório com os esmaltes heráldicos.

 



Sagremor - Armas de Fantasia (II)

Classificação Descrição
Armas de Fantasia R Sagremor
Demónimo M Budenses
Língua de Fantasia V Aquincenses (latim)
Denominante A Aquincenses
Grafemização A  A  |  Q  |  U  |  I  |  N  |  C  |  E  |  N  |  S  |  E  |  S 
Fonemização denominante A a  |  k  |  w  |  i  |  N  |  s  |  e |  N  |  s  |  e  |  s
Emparelhamento A a  |  k  |  w  |  i  |  N  |  _  |  s  |  e |  N  |  s  |  e  |  s
A a  |  k |  w  |  i  |  N  |  i  |  s  |  e  |  N  |  t  |  e  |  s
Coeficiente de transposição A 0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0
Coeficiente de carácter A 0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0
Coeficiente de posição A 0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0
Parcelas A 0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0
Índice de discrição A k = 0,31
Fonemização designante A a | k |  | k | w | i | N | i |  | s | e | N | t | e | s
Grafemização A A | C |  | Q | U | I | N | I |  | S | E | N | T | E | S
Designante A ac | quini | sentes
Qtd+ Geomª + Geomª E e cinco + espinhos + cada um(a)
Redundância S existem outros níveis semânticos
S e
Monossemia simples S estrelas
S cinco espinhos cada uma
Esmalte H De vermelho
Número H um
Separação H cantão
Esmalte H de prata
Conectivo H e
Número H cada, 3 três
Metonímia simples S 5 espinhos > 5 pontas > estrela
Figuração H 5 pontas estrelas de cinco pontas
Imanência C estrela
Simetria C radial
Orientação C estabilidade
Localização C estrela negra
Disposição H 2, 1 (em contra-roquete)
Imanência C constelação
Preenchimento C área do escudo
Simetria C eixo do escudo
Centralidade C abismo
Número H 3 - 1 = 2 duas
Esmalte H luz de ouro
Imanência C estrela
Contraste C vermelho
Conectivo H e
Número H uma
Esmalte H de negro
Localização H no cantão

(próximo artigo nesta série II/III)



Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 13:17
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Quarta-feira, 13 de Junho de 2012

Salerno: Sol e Esmalte Prata

Salerno - Armas de Fantasia

 

Está no Armorial Wijnbergen, documento francês de fins do século XIII[1]. Parece consensual que é falante, mas nunca nos pareceu justificar-se com suficiência o porquê. A razão deve estar ligada ao esplendor da representação solar no centro do escudo, devidamente acompanhada pelos dezasseis raios da praxe heráldica[2]. Isso condicionaria a lógica semântica para a interpretação Salerno ~ Solerno, deixando como de hábito, o restante, tanto a sufixação rno como o fundo prateado, por expor. Poderíamos imaginar uma conexão ao domínio regional dos Hohenstaufen e ao mesmo esmalte do campo no seu escudo, mas não nos lembramos de alguém tê-lo suposto. Como é frequente nestes casos, é possível que se tenha apenas dado atenção aos elementos visuais inteligíveis de imediato.

Tentámos um esclarecimento mais completo no decorrer da tese, mas só agora foi possível chegar a resultados razoáveis o suficiente para defender. Na sucinta análise de então tínhamos optado pela parofonia, hoje abandonada, Salerno ~ Sole (ita. Sol) + ernia (ita. hérnia), com várias incongruências. A primeira refere-se à língua verbalizante, pela adopção do italiano Sole. Apesar do Armorial Wijnbergen ser o primeiro documento em que aparecem, não se garante que fosse ele a representação original destas armas de fantasia; em caso afirmativo optaríamos pelo francês ou pelo latim. Ademais não existem armoriais italianos anteriores nem sequer contemporâneos àquele, pelo que seria difícil aceitar o uso de uma das muitas variantes linguísticas medievais peninsulares. Também a integração semântica entre o “sol” e a “hérnia” é deficiente, apesar de justificarem a associação visual. Quanto ao insólito do “sol herniado”, isso não seria de modo nenhum um obstáculo. Na própria tese pudemos testemunhar na classe das armas reconhecidamente falantes um híbrido animal de cabra e galo, umas mãos cortadas pairando sobre um castelo e três espelhos gigantescos cravados em outras tantas montanhas[3]. Deixámo-nos por certo influenciar pelas interpretações convencionais já conhecidas, dando lugar de relevo ao Sol, forçando por isso uma transformação Sale/Sole. A elucidação do restante da parofonia, rno, é irremediavelmente prejudicada pelos mesmos motivos anteriores. Resta observar que igualmente ficou por explicar o esmalte branco ou prata do escudo.

O denominante agora usado, Salernum (lat. Salerno) é o nome da cidade e eventualmente o do respectivo território, que se presume ser o Principado apesar da integração factual ao Reino da Sicília e à menção no armorial a um fantástico, como de esperar, Rei de Salerno. Mais uma vez o latim aparece como língua de verbalização, consequentemente de fantasia, como em Portucalis ~ Porta cales. Não sabemos dizer se foi “escolhida” na qualidade de língua culta ou por uma natural associação ao território latino da Campânia.

No que diz respeito ao designante, Sal eremum, trata-se de uma polissemia composta porque os dois constituintes textuais irão gerar, mesmo se implicitamente, mais do que dois traços heráldicos. As traduções literais e isoladas de cada termo, sal e ermo ou deserto, podem ser integradas em “sal no deserto” e estender-se, com alguma liberalidade, a um “deserto de sal”. Se bem que o factualmente mais próximo, ao que se saiba, estivesse a Norte de África, iremos, mais uma vez, encontrar possíveis inspirações na Bíblia: … terram fructiferam in salsuginem, a malitia inhabitantium in ea // Il à changé le sol le plus fécond en un terrain aussi sec que si l'on y avoit semé du sel, et tout cela pour punir la méchanceté des habitants[4]. Contudo, é ao avançar na análise semiótica que nos convencemos da propriedade do que se concluiu.

Aparentemente, a integração no âmbito parofónico não se regeria por regras oracionais estritas, dificílimas de aplicar pela frequente ausência do verbo e condicionadas pelo método de obtenção das palavras, inteiramente acidental. Auxiliaria à transformação dos vocábulos ao tomar de início cada sentido isolado, só depois comum, de modo a obter-se uma ou mais imagens visuais. As declinações e todas as flexões em geral funcionariam mais como facilitadores da identidade denominante-designante do que como modificadores semânticos intervocabulares. Evidentemente, necessitam-se mais exemplos para adquirir segurança nesse tipo de generalizações.

Passemos ao cálculo do índice de discrição[5]. Após o emparelhamento do denominante com o designante /s//s/, /a//a/, /l//l/, /E//e/, /r//4/, /_//e/, /n//m/, /u//u/, /m//m/, observamos que há maior quantidade de fonemas no último, portanto max(nD,nd) = max(8,9) = 9[6]. Não existem quaisquer transposições, pelo que t = 0; passaremos a analisar as transformações fonéticas. Estas ocorrem nos emparelhamentos /E//e/, /r//4/, /_//e/, /n//m/; apenas o par /_//e/ é suficientemente heterogéneo para produzir c = 1,0; os outros três, assemelhados, fornecem c = 0,5. Todas as transformações encontram-se no interior das palavras e aplicar-se-á sempre p = 1,0. O somatório dá: 0,5 × 1,0 + 0,5 × 1,0 + 1,0 × 1,0 + 0,5 × 1,0 = 0,5 + 0,5 + 1,0 + 0,5 = 2,5 donde se obtém k = (2,5 × 2)/max(8, 9) = 5,0/9 = 0,556, logo, concluímos pela razoabilidade da parofonia, uma vez que k < 1. Não sabemos se seria possível incluir consistentemente na fórmula de cálculo de k um fenómeno específico a esta parofonia. Ocorre que os trechos /E/r/ ~ /e/4/e/ dificilmente justificariam uma tão grande influência no valor do índice de discrição, cerca de 80% do total k = 0,556. Ao nosso ouvido, a pronúncia de ambas as palavras denuncia uma certa fusão entre os fonemas mediais do designante, tendendo a elidir o segundo /e/, o que diminuiria significativamente o valor encontrado. De qualquer modo, nos parece prematuro aperfeiçoar a modelização nesta fase da pesquisa.

O primeiro elemento do designante, sal, aceita-se facilmente como estando representado no esmalte branco do escudo. Adianta-se que já encontrámos outros exemplos perfeitamente idênticos a esta associação parofónica. Contudo, talvez pareça desnecessário o aspecto redundante na semântica do segundo elemento, eremum, a reforçar o traço heráldico de preenchimento do espaço à volta do sol com a metonimização simples: deserto > amplo > escudo cheio. Para mais, o elemento salino, como sabemos, pode ser obtido pela acção evaporativa dos raios solares. Tal circunstância vai ligar-se por metonímia composta com a aridez que está associada ao deserto. Temos por um lado a sequência de metonimização: sal > evaporação > calor > Sol e pelo outro: deserto > quente > calor > Sol, convergindo ambas para um mesmo tema. Apesar da preeminência solar no desenho, este não passa de uma complementação na forma de adereço, nunca referido directamente pelo designante, como se acreditava anteriormente.

Num paralelo com Portucalis ~ Porta cales, vemos descritas duas versões visuais distintas do Sol. A primeira, simplificada ao máximo, fá-lo redondo e amarelo, na verdade numa função exclusivamente complementar, a caracterizar o azul do campo como um Céu e também a alimentar o fogo do Inferno. A segunda, esta que agora estudamos, mostra os traços clássicos de um Sol heráldico, com raios, centralizado e a ocupar o máximo possível do campo. Note-se que em ambos o disco solar é amarelo, enquanto que na segunda junta-se-lhe o esmalte vermelho a colorir a envolvência dos raios. Estes cromatismos poderiam estar fundamentados nas considerações mais elementares, talvez medievais, sobre a natureza do Sol. Enquanto que o seu calor parecia desvanecer-se quase completamente nos rigorosos Invernos europeus, a luz permanecia inalterada. Assim, a natureza fundamental do Sol deveria ter sido entendida mais como brilho luminoso e menos como potência calorífica. Talvez um reflexo das numerosas associações de Deus com a luz, possivelmente herdadas de crenças pagãs anteriores. Pelo contrário, seria possível associar o calor do Sol ao Inferno graças à autoridade divina, como vimos no artigo já referido acima. Esta dicotomia luz-calor é necessária ao traço heráldico de Salerno porque o calor é uma imanência tanto do deserto como do Sol, ainda mais ligado por metonímia ao sal. O amarelo estaria, portanto, associado à luz, enquanto que o vermelho representaria o calor. Apesar de sabermos perfeitamente que a sombra de sol[7] representa habitualmente aquele astro todo em vermelho, lembramos que as normas heráldicas irão constituir-se apenas muitos anos mais tarde. 

[1]  CLEMMENSEN, Steen - Armorial Wijnberghen - Farum: Acedido a 13 de Junho de 2012, disponível em: <http://www.armorial.dk>, 2009.
[2] TIMMS, Brian - Heraldry- [s.l]: Acedido a 13 de Junho de 2012, disponível em: <http://www.briantimms.fr>, 2011.
[3] Respectivamente condados de Ziegenhein, Antuérpia e Spiegelberg.
[4] BERTHIER, Guillaume F. - Les Psaumes Traduites en François, avec des Rèflexions - 3ª ed. Tomo IV - Adrien Le Clère  - Paris - 1807 - p. 592.
[5]  Ver o artigo Portucalis ~ Porta cales.
[6] Usamos, como de hábito, a codificação X-SAMPA.
[7] Designação do brasonamento de um sol com dezasseis raios, tudo em vermelho.

 

 


Salerno - Armas de Fantasia

Classificação Descrição
Armas de Fantasia R Rei de Salerno
Territorial M Salerno
Língua de Fantasia V Salernum (latim)
Denominante A Salernum
Grafemização A  S  |  A  |  L  |  E  |  R  |  N  |  U  |  M 
Fonemização denominante A [  s  |  a  |  l  |  E  |  r  |  n  |  u  |  m ]
Emparelhamento A [  s  |  a  |  l  |  E  |  r  |  _  |  n  |  u  |  m ]
A [  s  |  a  |  l  |  e  |  4  |  e  |  m  |  u  |  m ]
Coeficiente de transposição A 0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0
Coeficiente de carácter A 0,0|0,0|0,0|0,5|0,5|1,0|0,5|0,0|0,0
Coeficiente de posição A 0,0|0,0|0,0|1,0|1,0|1,0|1,0|0,0|0,0
Parcelas A 0,0|0,0|0,0|0,5|0,5|1,0|0,5|0,0|0,0
Índice de discrição A k = 0,56
Fonemização designante A [  s  |  a  |  l  |  _  |  e  |  4  |  e  |  m  |  u  |  m ]
Grafemização A  S  |  A  |  L  |  _  |  E  |  R  |  E  |  M  |  U  |  M 
Designante A sal | eremum
Polissemia composta S sal | deserto
S sal | quente, amplo, árido
Material + Toponímia E sal + deserto
Esmalte H esbranquiçado De prata
Imanência C sal
Contraste C vermelho
Separação H amplidão (cheio)
Imanência C deserto
Metonímia simples S deserto > amplo > escudo cheio
Número H 1 uma
Metonímia composta 1/2 S deserto > árido > quente > calor > Sol
Figuração H Sol sombra de Sol
Preenchimento C área do escudo
Centralidade C coração do escudo
Adereço C fonte de calor
Esmalte H calor (de vermelho)
Imanência C Sol
Contraste C prata, ouro
Metonímia composta 2/2 S sal > evaporação > calor > Sol
Conectivo H sombra de Sol + besante carregada de
Número H 1 um
Figuração H redondo besante
Imanência C Sol
Esmalte H luz de ouro
Imanência C Sol
Contraste C vermelho

(próxima análise neste blog aqui)



Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 15:21
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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012

Portucalis: Porta e Besante

 

Escudo assinalado no Armorial de Zurique (Zürcher Wappenrolle) que se data de meados do século XIV, acompanhando várias outras armas de fantasia. Para a nossa análise tem o benefício de ser consensualmente reconhecido como falante, pelo menos na metade anterior relativa à porta. Os autores do texto e dos brasões parecem ter sido a mesma pessoa, inferindo-se daí uma data de execução simultânea. Apresenta ainda alguns acrescentamentos de mão distinta com letra do século XVI, entre os quais se incluem estas armas que agora estudamos. A interpretação da legenda correspondente seria segundo uns Portugal rex[1], em latim, ou segundo outros Portegalien[2], mais germanizada mas duvidosa. Inclinamo-nos pela a primeira versão, se bem que a leitura seja difícil mas haverá poucas dúvidas de que aquele escudo dizia respeito a Portugal.

Ademais da apreciação paleográfica, algumas destas inscrições suplementares surgem na forma alatinada: Hispania, BritaniaArragon, enquanto outras são decididamente germânicas: Schotten, Rom e Frankreich[3]. De qualquer modo, tratando-se de aditamento tardio, em pouco ou nada influenciaria os considerandos sobre a construção do denominante. Tampouco seria determinativo o idioma usado numa possível legenda original, dado que o brasonamento poderia ser cópia de um armorial precedente ou até de sua própria criação, sem que a verbalização da metonímia do referente seguisse necessariamente o texto. Isso parece acontecer com pouca frequência nos brasões fantasiosos, acreditamos contudo ter ocorrido aqui, empregando-se o latim.

O confronto com outros pergaminhos mostra armas de fantasia comuns ou muito semelhantes entre si como as de Jerusalém, Ruténia e Satrápia. Poderíamos ainda compará-las no presente documento com as entradas: Navarra, Inglaterra e Dinamarca que estão incompletas ou equivocadas, mas tal não se dá, ao tratarem-se, plausivelmente, de armas fantásticas inéditas. Volta-a pôr-se a pergunta do artigo anterior: desconheceria o autor a heráldica verdadeira do rei português? A resposta deverá ser igual; talvez haja mesmo um desconhecimento ainda maior porque não poderemos, de modo nenhum, afirmar a associação do esmalte azul e do besante dourado deste caso com as armas portuguesas.

O denominante parece derivar do referente Portugal enquanto território, a acreditar no texto junto às demais entradas originais do Armorial. Recorremos de seguida à lingua-franca latina, que classificamos desta vez como língua de fantasia, para constituir Portucalis em denominante[4]. A solução encontrada no par denominante-designante: Portucalis ~ porta cales, não é uma parofonia perfeita como o antecedente Portingale ~ porte ingal tratado em Portugal - Armas de Fantasia II, pois apresenta agora um índice de discrição k=0,30. Melhorámos, contudo, a proposta apresentada na dissertação: Portegalien ~ porta galla. E isto não só pelo critério da valorização do índice k mas também pelo hibridismo germano-latino aventado inicialmente e pela falta de integração com os traços restantes do escudo.

Pormenorizaremos a sequência de cálculo. Começamos por emparelhar as palavras, de modo a verificarmos coerentemente os sons a corresponderem-se em ambas, tendo-se achado o total de n=10 fonemas para cada um. Já sabemos que fonemas correspondentes idênticos sofrem penalização nula e que não ocorrendo, como dá-se frequentemente, deixarão de contribuir para o somatório, efectuado carácter a carácter. Da mesma maneira não encontramos transposições fonéticas e o coeficiente respectivo é nulo em todos os pares de fonemas. Existem apenas duas transformações. A primeira, mais notória, de /u/ em /a/, penaliza-se com o coeficiente de carácter c=1,0; a segunda, mais ligeira, de /i/ em /e/, recebe a penalização c=0,5. Quanto à penalização pelo lugar ocupado pelos fonemas nos vocábulos acham-se ambos no seu interior, implicando coeficientes de posição iguais p=1,0. Multiplicamos membro a membro e somamos obtendo o valor intermédio 1,0 x 1,0 + 0,5 x 1,0 = 1,50, cujo resultado multiplica-se pelo quociente 2/max(10,10) = 2/10 = 0,2, obtendo-se 1,50 x 0,2 e k=0,3. Sendo o índice de discrição k inferior à unidade podemos aceitar a proposição Portucalis ~ porta cales como parofonia heráldica.

O designante porta (lat. porta) cales (lat. estás quente) constitui uma monossemia composta por exprimir dois sentidos diferentes e ocasionar outros tantos traços heráldicos distintos, porém integrados semanticamente mediante composição metonímica. A porta está bem visível no traço heráldico e não oferece dificuldades de monta. O segundo termo, cales, ao integrar-se no ambiente estabelecido por porta, metonimizar-se-á em: estás quente > lugar quente. Deveríamos então responder à pergunta - Qual o lugar quente provido de uma porta? Pareceria aceitável prosseguirmos a metonimização assim: estás quente > lugar quente > Inferno. Esta solução mostra muito boa sintonia com a outra parte da metonímia composta, a convergir por meio do designante através de: porta > morada > Inferno.

Mesmo se pudermos considerar estes argumentos razoáveis não é nada razoável supor que o hipotético desenho do campo vermelho com uma porta pudesse ser entendido como o endereço de Satanás. Era preciso, consequentemente, refinar o arranjo, sem desobedecer à norma básica da simplificação a regrar o brasonamento medieval. Pensamos ter-se recorrido a opor um Céu ao Inferno, de modo que esta oposição afastasse quaisquer incertezas quanto ao assunto tratado. Complementou-se também o traço heráldico recorrendo a uma única metonímia do referente, desconsiderando desenhos por demais trabalhosos, como convirá e aparece recorrentemente na fantasia armorial.

O Inferno vê-se parcialmente no esmalte vermelho do vão da porta que, por sua vez, se representa a si mesma no designante porta. O Céu é o esmalte azul externo, enquanto o Sol, astro celeste por excelência e, neste aspecto, algo redundante, será pretensamente responsável pelo calor do Inferno, sem dúvida graças à Mão Divina. O astro-rei é uma simplificação, transformado em besante ou mesmo em bola[5]. O facto de não aparecer radiante como se usa no brasonamento pode explicar-se por emergir na etapa de sematização. Não se trata de peça principal, a gozar da plenitude semântica ou, caso secundária, de complementação inteiramente desprovida de sentido.

Na forma de adereço, o Sol é um elemento necessário ao entendimento da sematização do Céu, com o traço azul, e do Inferno, com o traço vermelho, inspirado secundariamente no calor solar. Apesar disso, incorpora alguma simplificação, além de imanências e contraste na sua outra qualidade de complemento visual. Algumas destas ideias poderiam ter nascido das numerosas passagens bíblicas à disposição dos autores, influência habitual na época, como por exemplo[6]: " ... Eles subiram a planície da terra e cercaram o acampamento dos santos e a cidade predilecta. Mas um fogo que caiu do céu devorou-os. O Diabo, que os tinha enganado, foi precipitado no lago de fogo e de enxofre, onde também estão a Besta e o Falso Profeta ... ".

As complementações usadas não modificam o desenho excepto em pormenores, quase todos demasiado notórios, como a orientação horizontal da porta, os contrastes e as imanências. No que se refere às duas folhas da porta, elas são necessárias pela simetria do traçado. Há a exigência semântica de mostrar o interior encarnado, conduzindo ao traço heráldico da porta aberta, inevitavelmente desequilibrada se apresentasse uma só folha. Os esmaltes do aro e da porta são da mesma cor, justificáveis pela regra da simplificação mas também coerentes com as cores da pedra e do metal a eles correspondentes. A madeira pareceria inadaptada a um Inferno abrasador. Inexistindo a parede reforça-se a ideia dissimulada ou recôndita atribuída à localização do abismo infernal. Por último, acrescentamos que não se põe a possibilidade de considerar apenas o arco e daí representar o Inferno sem porta. Isso seria, literalmente, deixar o Diabo à solta ![7]

 

[1] RUNGE, Heinrich - Die Wappenrolle von Zürich - Ein Heraldisches Denkmal des Vierzehnten Jahrhunderts - Zurique: Antiquarischen Gesellschaft in Zürich, 1860.

[2] CLEMMENSEN, Steen - The Zürich Armorial (Wappenrolle von Zürich) - Farum: Acedido a 31 de Janeiro de 2012, disponível em: <http://www.armorial.dk>, 2009.

[3] BIGALSKI, Gerrit - The Zürich Roll of Arms - Acedido a 31 de Janeiro de 2012, disponível em: < http://www.silverdragon.org/HERALDRY>, [s.d.].

[4] A sequência recorrente: referente - metonímia do referente - verbalização - acomodação - sematização - especificação - traço heráldico - complementação, é a mesma do exemplo anterior e está desdobrada na tabela que segue mais abaixo.

[5] Talvez porque aparente estar sustida pela porta.

[6] Ap 20, 9-10, ver AA. VV. - Bíblia Sagrada - Lisboa e Fátima: Difusora Bíblica, 4ª ed. 2003.

[7] Repetem-se, por comodidade, as abreviaturas menos evidentes usadas na tabela: Referente (R), Metonímia do Referente (M), Verbalização (V), Acomodação (A), Sematização (S), Especificação (E), Traço Heráldico (H) e Complementação (C).
 
 

 


Portugal - Armas de Fantasia I

Classificação Descrição
Armas de Fantasia R Portugal
Territorial M Portugal
Língua de Fantasia V Portucalis (latim)
Denominante A Portucalis
Grafemização A  P  |  O  |  R  |  T  |  U  |  C  |  A  |  L  |  I  |  S 
Fonemização denominante A [  p  |  O  |  r  |  t  |  u  |  k  |  a  |  l  |  i  |  s  ]
Emparelhamento A [  p  |  O  |  r  |  t  |  u  |  k  |  a  |  l  |  i  |  s  ]
A [  p  |  O  |  r |  t  |  a  |  k  |  a  |  l  |  e  |  s  ]
Coeficiente de transposição A 0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0|0,0
Coeficiente de carácter A 0,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0|0,0|0,5|0,0
Coeficiente de posição A 0,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0
Parcelas A 0,0|0,0|0,0|0,0|1,0|0,0|0,0|0,0|0,5|0,0
Índice de discrição A k = 0,30
Fonemização designante A [  p  |  O  |  r  |  t  |  a  |  _  |  k  |  a  |  l  |  e  |  s  ]
Grafemização A  P  |  O  |  r  |  T  |  A  |  _  |  C  |  A  |  L  |  E  |  S 
Designante A porta | cales
Monossemia composta S porta | estás quente
S porta | lugar quente
Arquitectura + Notoriedade E porta + Inferno
Esmalte H céu De azul
Contraste C prata, ouro
Oposição S Inferno x Céu
Número H 1 uma
Figuração H porta porta
Preenchimento C área do escudo
Simetria C eixo do escudo
Orientação C horizontal
Centralidade C coração do escudo
Conectivo H porta + folhas com
Número H 2 duas
Figuração H metades folhas
Imanência C porta + Inferno
Simetria C porta
Atitude H deixando ver o Inferno abertas
Esmalte H metálico de prata
Contraste C azul, vermelho
Conectivo H porta + vermelho iluminada
Metonímia composta 1/2 S porta > morada > Inferno
Esmalte H quente de vermelho
Imanência C Inferno
Contraste C prata
Metonímia composta 2/2 S estás quente > lugar quente > Inferno
Disposição H 1, 1 encimada por
Número H 1 um
Figuração H redondo besante
Imanência C Sol
Simplificação C desprovido de raios
Adereço C astro celeste diurno
Adereço C fonte de calor
Esmalte H dourado de ouro
Imanência C Sol
Contraste C azul

(próxima análise neste blog aqui)



Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 20:29
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011

Objecção II - O Uso do Latim

P: Como se justifica o uso do latim nas parofonias heráldicas?

R: À primeira vista parece injustificável a utilização do latim medieval na heráldica, uma vez que não há menção do seu uso em quaisquer armas falantes. Convém, contudo, esclarecer que a “decisão” de classificar um brasão primitivo como falante, ocorre muito depois do mesmo ter sido criado. A sensibilidade do classificador era afectada por expectativas e condicionantes que, quase certamente, excluíam o recurso a uma língua estranha à própria nas suas cogitações. Não nos esclarece sobre as intenções ou conformidades dos restantes brasões, ainda se na área de influência limitada de cada um, possa ser coerente, pela maior parte, com a interpretação do método parofónico aqui proposto.

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Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 09:57
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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011

Portingale: Dados e Pintas

 

Estas armas aparecem de início no Herald's Roll, armorial inglês do fim do século XIII, revelando alguns aspectos interessantes para a metodologia parofónica da semiótica heráldica. Apenas na imaginação representavam os soberanos respectivos e haveria algum relaxamento das regras habituais, optando-se por soluções de maior conveniência ou facilidade. Uma das simplificações é o uso da própria língua do fantasista. O método acciona a sequência recorrente (↓) que transforma palavras em imagens: Referente (R), Metonímia do Referente (M), Verbalização (V), Acomodação (A), Sematização (S), Especificação (E), Traço Heráldico (H) e Complementação (C), mostrada na tabela anexa.

A fundamentação da simbologia visual para todas as armas de fantasia é simplificada por meio de uma metonímia, quase sempre associada à denominação do território, conservando, porém, a prática relativa ao referente. Aqui o denominante é Portingal ou Portingale, usado desde o século XII descrevendo Portugal por influência das línguas aparentadas com o francês, nomeadamente o anglo-normando. Usamos a codificação X-SAMPA nas correspondências fonéticas entre o denominante e o designante, de modo a garantir a legibilidade sem comprometer o rigor. O conjunto de fonemas a comparar são iguais - Portingale ~ porte ingal - ocasionando um índice de discrição nulo. Poderíamos classificá-las como armas perfeitamente falantes.

O designante "porte ingal" é sematizado na ideia de "traz igual", ou seja, "mostra as mesmas quantidades". A metonímia simples transforma o conceito abrangente "quantidades" numa exemplificação restrita: os pontos das pintas nas três faces visíveis. Ademais, "igual" não tipifica explicitamente uma qualificação, apesar de o ser; a especificação numérica em que se transforma é significativa na heráldica. Subentenderá duas ou mais unidades do mesmo, a surgir depois no brasonamento: "cada um com". Outra solução usando "aleae" (lat. dados) parece pouco razoável, o latim é raro nas armas de fantasia parofónicas. Criaria também dificuldades que se afiguram insuperáveis na explicação da metade anterior do designante.

A acção tácita em "traz" pode interpretar-se como a vocação do escudo para mostrar figurações dentro de si, mera redundância, sem efeito discernível no traço heráldico. Numa segunda interpretação as próprias figurações, os dados, "trazem" outras, as pintas. Ocorre, portanto, a confluência desta última acepção de "traz" com "igual", metonímia composta porque os traços correspondentes das faces e das pintas reforçam o seu sentido imagético quando estão juntos.

Mas os dados não encerram em si a ideia isolada do designante. O esmalte branco, a existência, disposição e cor das pintas são elementos imanentes que adivinhamos decorrer da natureza do objecto. A razão para empregarem-se três deles talvez estivesse ligada à simplificação do desenho, mantendo a regra da boa ocupação do espaço disponível. Não menosprezaremos o papel que possa ter tido algum jogo em voga ou a preferência estético-convencional do autor do manuscrito, como para o Rei de Castela.

Os traços heráldicos regem-se de hábito pelo brasonamento, salvo quando a prática da arte ou a natureza das coisas convencionem características entendidas por omissão. Deste modo, é aceitável orientarmos as faces dos dados pela borda superior do escudo, se tal não for referido expressamente. Ou que se exponha apenas uma face por dado, decorrendo da descrição do conteúdo: "cada um com cinco pintas", sem menção às outras faces. O Llibre dels Privilegis de Mallorca do princípio do século XIV mostra cinco dados 2-1-2, em ressonância, assim parece, com os cinco escudetes portugueses. O Grimaldi's Roll, armorial contemporâneo deste, apresenta o campo em azul com seis, cinco e quatro pintas nas faces visíveis de cada cubo. Se afastarmos a possível deturpação das armas de fantasia mais antigas podemos pensar na aproximação do esmalte do escudo ao dos escudetes azuis de Portugal.

A escolha do número de pintas poderá ser imputada ao preenchimento mais eficiente do espaço. Seis é o máximo admissível para um dado e, além disso, o armorial surge muito antes da adopção dos cinco besantes de prata em aspa no escudo nacional. Contudo, a disposição tradicional alternada em quincôncio dos onze besantes remete à sua forma mais simples, a quina. Caso tenham sido influenciados pelo brasão português, satisfariam simultaneamente a lógica destas e do artefacto.

Uma outra questão é saber porquê não se terão utilizado as armas verdadeiras do Rei de Portugal. O escudo português seria desconhecido pelo autor? Nada afiançamos mas a resposta parece afirmativa, pelo menos quanto ao conhecimento dos seus pormenores exactos. Exemplos de divergência absoluta podem ser encontrados no mesmo pergaminho: os reis da Dinamarca e da Noruega; para o rei de Castela encontramos três castelos em vez de um. Também não ocorria nenhum estado de beligerância que nos fizesse suspeitar do desvirtuamento propositado.

O campo vermelho ajuda a organizar e completar a composição. Uma mesa de jogo feita em madeira poderia ser o fundo adequado ao cenário lúdico, já que os três dados são vistos de cima. Vários exemplos do nosso corpus apontam para a representação deste material em tons amarelos ou avermelhados, não fugindo demasiado à verdade; falta o castanho no reportório habitual dos brasões. Impedido o primeiro esmalte por menor contraste com o branco resta o segundo.

O fenómeno de complementação manifesta-se de várias formas. Preenche as lacunas deixadas pelos traços heráldicos de carácter semântico e pelo brasonamento mas, de ordinário, está implícito. Encontramos contrastes, imitações, adereços, imanências, simetrias, preenchimentos, centralidades, simplificações e redundâncias. Estas últimas nunca são referidas ao brasonar, por desnecessário.

Ver sobre este assunto:

ANOH - The Anglo-Norman On-Line Hub - Acedido a 13 de Dezembro de 2011 disponível em: <http://www.anglo-norman.net>.

TIMMS, B. - Heraldry - 2011 : Acedido a 13 de Dezembro de 2011 disponível em: <http://www.briantimms.net>.

 

 


Portugal - Armas de Fantasia II

Classificação Descrição
Armas de Fantasia R Rei de Portugal
Territorial M Portugal
Língua de Fantasia V Portingale (anglo-normando)
Denominante A Portingale
Grafemização A P O R T I N G A L E  
Fonemização denominante A p O R t G a l  
Emparelhamento A p O R t G a l      
A p O R t G a l      
Coeficiente de transposição A 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0      
Coeficiente de carácter A 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0      
Coeficiente de posição A 1,5 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 0,5      
Parcelas A 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0      
Índice de discrição A 0,0      
Fonemização designante A p O R t G a l
Grafemização A P O R T E _ I N G A L
Designante A porte   ingal
Monossemia simples S traz   igual
S mostra as mesmas quantidades
Acção + Quantidade E exibir + iguais
Redundância C traz = brasona
Esmalte H avermelhado De vermelho
Contraste C prata
Adereço C mesa de jogo
Número H 3 três
Figuração H dado dados
Simplificação C = face pontuável
Esmalte H esbranquiçado de prata
Imanência C dado
Orientação H horizontal (direitos)
Simplificação C = borda superior
Disposição H 2, 1 (em contra-roquete)
Preenchimento C área do escudo
Simetria C eixo do escudo
Centralidade C coração do escudo
Metonímia composta 1/2 S traz > área > face > dado
Localização H pintas nas faces cada um com
Metonímia composta 2/2 S iguais > faces > pintas
Número H 5 cinco
Metonímia simples S quantidade > pontos > dado > pintas
Figuração H pinta pintas
Imanência C dado
Esmalte H escuro (negras)
Contraste C prata
Imanência C dado
Disposição H 2, 1, 2 (postas em sautor)
Preenchimento C (quincôncio)
Imitação C (besantes)
Imanência C dado

 (próxima análise neste blog aqui)



Publicado por 5x11 - Carlos da Fonte às 21:43
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